.As Maravilhas do País de Alice.

Sábado, Maio 10, 2008



"O último post."




Eu tenho tanta coisa pra dizer que eu não sei nem por onde começar.
A fase é de transição. Novos caminhos. Muitas escolhas e pouco tempo.

O bom do homem ter conquistado a lua é essa facilidade que hoje temos de visitar outros planetas.

Ao que tudo indica, nos próximos dias o País deixará essa casa habitada há anos por um novo lugar. Eu ainda não sei como ele será. Não sei que cores ele terá. A única coisa que sei é que ele vai ser bem mais fácil de achar e talvez tenha mais coisas pra você olhar quando finalmente chegar. Não sei se será branco como aqui. Ou se terá mais imagens. O que sei é que vou esperar você do mesmo jeitinho de antes e talvez com mais novidades dentro pra mostrar.

Porque chegou o tempo de assumir o que se tem pra assumir e de criar o que se tem que criar.

É. Finalmente, o País vai virar livro.

Demorei pra entender, custei pra aceitar.
Mas entendi que era a hora.

Se os astros ajudarem e os anjos intercederem, em agosto estarei lançando “As Maravilhas do País de Alice – O Livro.” na Bienal de São Paulo.

E esse livro vai ser dedicado a você que vem aqui há séculos.
Firme. Fiel. Que vem mesmo quando eu não venho.

Obrigada pela companhia e espero vocês assim que for possível na casa nova:

aliceventuri.com.br

Ela ainda está em obras e há baldes de tintas por todos os cantos.
Os ataques de espirros são constantes por causa da poeira do cimento e da madeira, mas peço só um pouco de paciência para bem apresentá-la a vocês em breve.

Você me espera?

Beijo grande,
A Dona do País

p.s: quem quiser fazer parte da minha lista de contatos pro futuro lançamento aqui no Rio, me manda um email: aliceventuri@yahoo.com.br

Sexta-feira, Abril 04, 2008


"Tanta coisa escapa sem o olho ver e às vezes as imagens vêm nos assaltar."
(Ana Carolina)



Tô com saudade, ando gripada e escrevi essa matéria só pra você ler.
O resto, a gente conversa depois.
Eu fico aqui esperando o seu comentário.


Vai lá e volta?

www.revistampb.com.br






Sábado, Fevereiro 23, 2008



"Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol num copo dágua."
(Renato Russo)


“Meu coração é um copo vazio esquecido num canto. Eu o olho com pena, preocupada com a mancha no móvel. De onde estou, observo as gotas caírem lentas, criando belos sulcos na superfície gelada. Que objeto bonito é um copo. Grande, liso e sem cor, parece exibir o líquido que contém com orgulho de quem ganha presente há muito esperado. Delicado e concreto, não duvida da leveza da vida que o conduz para todo lado. Desistiu faz tempo de tentar não se deixar levar. Hoje vai vivendo um dia de cada vez, percebendo a beleza de cada cômodo da casa por onde é deixado. A amargura de antes, virou aceitação de agora e ele vai vivendo sua vida feliz como um bom copo que é. Já percebeu que a madeira da mesa de centro da sala é delicada e se desmancha toda com sua umidade não anunciada. Já presenciou uma briga passional no quarto do casal que sempre se amou tão bem. Já viu um beijo roubado no sofá que virou uma grande paixão que ninguém esperava. Já quase caiu. Já quase quebrou. Já se arranhou um pouco no guarda-louças apertado. E certa vez quase trincou ao despencar e se derramar pelo tapete caramelo de tecido muito grosso e felpudo. Ficou assustado por um momento, mas por outro, pode ver a imensidão devastadora do piso que não se acabava nunca. Então havia muito ainda pra ver e ele não sabia. Como era grande esse mundo em que ele vivia. Respirou aliviado por ter sido levado direto pra pia renovadora de suas forças vitais. Foi lavado, observado de perto, revirado de cabeça pra baixo. Afinal, copo trincado é o maior perigo. E foi posto enfim em cima da mesa, junto com os demais. Ainda estava um pouco assustado. Chegou a comentar com um e outro sobre o que acontecera. Ninguém acreditou na história que ele contava. Como pode um copo cair daquela altura sem se despedaçar? Ou sem ao menos trincar com o susto? E ainda mais poder ver que existe vida além da porta de entrada da casa. Ele só podia estar exagerando nos fatos. Nenhum copo havia atravessado esse limite entre o irreal e o permitido. Por que ele? Porém, não se importou com os comentários furtivos e prosseguiu em sua missão de reluzir para melhor se adaptar. Haveria tanto ainda para ver pelo mundo, tanto para encontrar. O que não ia era ficar parado esperando inerte alguém o levar para algum lugar.”

(.O Copo. 23/02/2008 – 02:35h)


Domingo, Fevereiro 10, 2008




"Eu sou o rei da boemia
Carioca, sou da Lapa, patrimônio cultural
E me banhei de alegria
Tiro onda, dou meu jeito, minha vida é um carnaval."
(Samba-enredo do Salgueiro)


Nem preciso dizer o que fiz nesse sábado, né?
Desfile das Campeãs, pela primeira vez.
O que posso dizer é que toda pessoa deveria viver uma experiência como essa antes de morrer.
É, definitivamente, incrível.

Destaque especial para a verdadeira campeã do carnaval: Portela!
Porque dinheiro pode comprar muitas coisas, até um título de carnaval.
Mas não compra a empolgação da única escola que estremeceu o Sambódromo.
Lindo de se ver.

Ano que vem vamos comigo?

Beijo e bom começo de ano pra todos vocês.


Sexta-feira, Janeiro 25, 2008



Muito bom começar o ano com um sonho realizado!
Visitar Ouro Preto com a família foi uma delícia...

Meu pai se comportou muito bem, quase não reclamando.
Minha mãe ficou frenética com as lojinhas intermináveis.
Nixon parecia pinto no lixo com tanta história.
E eu felicíssima por estarmos todos lá, com exceção da irmã, que fez muita falta, por sinal.

No dia de hoje, estou muito tranquila e curtindo meus dias de folga como se não houvesse amanhã.
Consegui entregar minha monografia da pós no prazo e isso significou muito, pois não sou muito de cumprir metas.

Agora é só curtir as horas livres com cinema, sono de tarde, lanche no shopping, encontros com os amigos.

Acho que estou aprendendo a gostar mais dessa época do ano.
Porque até agora 2008 está tudo de bom.

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

"Ouro Preto tem muitas janelas,
Cada uma tem sua magia,
De umas se avistam as ruas,
De outras as montanhas,
Das mais altas vê a cidade,
A de pouco altura da rua vê-se a sala,
Privilégio poucas tem,
De ver Ouro Preto,
Antônio Dias, Ladeira de Santa Efigênia,
A fachada de São Francisco de Assis,
Seu adro e as torres,
Sorte terá,
Quem nela ficar,
Além de dormir,
Acordar e respirar,
E dessa janela, avistar,
O que de mais belo fez,
Aleijadinho, neste lugar".
(José Efigênio)


Se tudo correr bem, vou começar o ano da melhor forma possível: viajando!
Vou com pais e namorado visitar Tiradentes, São João Del Rey, Congonhas, Ouro Preto, Mariana...
Lugares super especiais que tenho certeza que vão me trazer boas energias para começar esse ano.

Para vocês que ficam, meu até logo!
Uma ótima semana pra vocês!


Segunda-feira, Dezembro 31, 2007



"Minha casa foi tomada por flores.
Tragam copos, tragam vasos para a invasão das cores.
Minha casa foi tomada por flores.
Venham almas e retalhos: vou repartir canções."
(Sílvio Rodriguez)


Esse é o último dia de um ano que foi ótimo pra mim.

Muitas surpresas boas.
Poucas perdas.
Um balanço totalmente positivo.

Pela primeira vez vou passar a virada em Copacabana e estou um tanto ansiosa.
Prometo que volto pra contar como foi.

Que 2008 seja uma delícia pra você.
E que possamos nos ver mais.
Sempre mais.

Beijo da Dona do País.


Sábado, Dezembro 15, 2007


"Lá o tempo espera, lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar"
(M. M.)




Ontem foi meu aniversário e minha casa se fez de Vilarejo com todas as suas portas e janelas abertas para quem quisesse chegar. No entanto, uma chuva torrencial se fez de cortina pro meu cenário feito com tanto cuidado pra quem quisesse olhar. Valeu a pena o esmero e o cansaço, só pra ver a Arte tomando conta do olhar de cada um que se permitiu participar. E assim, ".As Maravilhas de Alice - O Sarau." foi um sucesso no meu coração.

Quisera eu que você também estivesse aqui pra ver de perto a delícia que foi.
Quisera eu ter poder descrevê-lo pra você.

Beijo grande e ano que vem tem mais...

p.s: um agradecimento especial para cada um dos meus amigos que divide comigo esta paixão pela Arte e pela vida.

Terça-feira, Dezembro 04, 2007


Maria Martins, "O Impossível"


“Eu adoro comer doce de banana com garfo e odeio esperar quem quer que seja. Não quero casar porque tenho medo da separação e não quero ter filho porque não quero ser mãe. Se ainda fosse pra ser pai. Tenho estado distante das palavras como um exilado que vê da janela do avião seu país acenar de longe. Eu tenho vergonha de acenar. De chorar vendo meu próprio reflexo sofrido. Então eu finjo que esqueço e invento novas bobagens. Pedaços de distração que logo somem na poeira inspiradora que é lidar com diversas artes. Uma hora quero pintar, outra hora quero inventar e o tempo vai passando sem que nada de concreto se realize a não ser restos de nuvens empoeiradas e sujas. Nada que valha a pena. Tudo anda bem até demais e isso preocupa. Mania eterna de sofrer antes da hora. Não gosta do natal porque lembra começo de ano e o ano só começa depois do carnaval, o que ela realmente odeia. Não sabe nem porquê. Aliás, não sabe de nada. Não sabe a capital da Austrália. Confunde Di Cavalcanti com Portinari. Não faz idéia do que sejam vetores. Não consegue nem lembrar direito a ordem alfabética de todos os seus amores. Passa horas distraída com móbiles vindos do espaço de sua imaginação super desenvolvida. Se desapercebe toda. Esquece suas próprias preferências. Não respeita seus próprios limites. Se camufla atrás de uma imagem bonita e colorida, escolhida a dedo. Virou uma mancha de si. Do que foi. Do que poderia ter sido. Teoria da auto-sabotagem que a persegue faz tempo. Teoria que também é mentira. Porque faz tempo que a verdade não vem visitar seus olhos de escudo ofuscante. Límpidos como seu pára-brisa em dia de chuva de granizo. Ela tenta acompanhar o movimento, mas se cansa. O peso que carrega no peito faz doer todo o resto. Já desistiu das sandálias. Há sombras nos pés descalços. O cabelo já não é o mesmo e isso dói mais do que ela pode suportar. Tem pensado em começar tudo de novo, mas dá um medo de desistir novamente no caminho. Não sabe ainda o que poderia ser diferente. Não sabe se conseguiria mudar, encontrar a ponta do durex perdida. O barulho do ventilador ainda irrita. O doce ainda é gostoso. E a alface é verde demais. Barragem que cede fácil. Tem mil e uma vontades diferentes em intervalos diminutos, difíceis de acompanhar. A miopia que a faz olhar tudo de perto torna cada vez mais embaçado o mundo aonde ela gostaria de estar.”

(.Estranheza. 03.12.2007.)


Quinta-feira, Novembro 22, 2007


“Se quiser me ajudar
Pergunte primeiro se eu preciso
E se for me ajudar
Entenda primeiro como
Se quiser que eu te reconheça
Então me diga teu nome
Ou se quiser mais poesia
Então me cante tua canção

Se for me guiar
Não me empurre a tua frente
Seja minha estrela guia
Abrindo caminho pra mim
Se quiser que eu veja algo
Não aponte, faça a ponte
Com palavras, descrição ou então me leve ate lá

Se quiser me entender
Não precisa esforço, não há nada de mais
Assim como você e todo mundo
Sou diferente de todo mundo
Sou única, sou cigana, sou do samba e sou da paz
Se quiser entender meu problema
Feche os olhos e se olha
Veja suas idéias gastas e entenda que eu não tenho problema algum
Tenho apenas uma maneira diferente de ver o mundo

Me dê então um beijo daqueles que só você sabe dar
Pra quê que a gente precisa ver?
Sabe lá
Me cante aquelas canções que só você sabe cantar
Pra quê que a gente precisa ver?
Sabe lá

Quem não é diferente, me diz?
Quem não tem dificuldades?”

(Sara Bentes – “Pra quê?)


A cada dia que passa eu tenho mais certeza do poder transformador da Arte e da Beleza na vida das pessoas.
Ontem meu dia se iluminou desde o momento em que ouvi essa música.
Desde o momento em que conheci o trabalho de Sara Bentes.
Quer iluminar o seu também?
Vem aqui: www.sarabentes.com
Visita mais que inspiradora que vale muito a pena.

Beijo pra vocês.

Sábado, Novembro 10, 2007

"Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim."

(Ana Carolina e Jorge Vercilo)

Ontem fui ao show da Ana com Caterine e Bê.
Nem preciso dizer que foi sensacional.
Companhias certas no lugar certo.

Algumas fotos pra vocês...


Domingo, Novembro 04, 2007


Os dias têm sido propícios...

Eu me mudei.
Cortei o cabelo.
Gastei um pouco de dinheiro.
Comprei meu carro.
Fui ao show do Teatro Mágico.
Quase terminei meu namoro.
Fui chamada pra dar aula no Estado.
Comecei a monografia.
Pintei um novo quadro.
Comprei mais um vestido.
Pedi um cartão de crédito.
Atualizei meu endereço.
Terminei de pagar o seguro do carro.
Me decepcionei com um amigo.
Me encantei com outro.
Passei mal nas tardes de calor.
Adorei andar de carro no frio.
Visitei um novo shopping.
Fui ao cinema sozinha.
Me acabei numa festa ridícula.
Fiquei longe do computador.
Mas isso você já sabia.

Nada disso é motivo pra ter ficado tão longe.
Distância é coisa que não se explica.
Só se perdoa.

Tenho estado longe de tantas coisas que eu não gostaria.

Desculpe pela demora.
Ela não tem razão de ser.

Beijo.

Segunda-feira, Setembro 24, 2007



"Ainda bem que você vive comigo." (Vanessa da Mata)

Meu domingo foi tingido com todas as cores dela.
Lindas cores por sinal.

Beijo a todos e uma semana iluminada...

Quinta-feira, Agosto 23, 2007




"Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
refazendo minhas forças, minha fonte, meus favores
tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

estou podando meu jardim
estou cuidando bem de mim"

(Vander Lee)



“Meu jardim está de mudança. Tem uns moços estranhos que entram e saem a todo momento carregando embalagens grandes e pesadiças. Há escadas escoradas nas paredes e baldes de tintas pra todos os lados. O cheiro forte anuncia novidade e medo, porque eu não sei experimentar novidade sem receio. Nos corredores, ecos que inspiram canções distantes e nas janelas, faltam as cortinas com sua beleza velada. O piso respingado reclama da poeira, enquanto os lustres rugem de dentro de suas embalagens. Andam ansiosos para se derramarem pelo teto de sancas bem alvas. Os livros esperam aflitos por serem colocados dentro de caixas de cor apagada e as louças tremem de medo de por acaso serem esquecidas por sob a pia. Choram a cama e o guarda-roupa pelo momento de serem desfeitos. Temem por um parafuso que possa vir a ser perdido. As paredes respiram aliviadas sem o peso bonito dos quadros e tudo parece ficar um pouco menor. As roupas ficam confusas diante de tanta arrumação de repente. São jogadas às pressas dentro de sacos espaçosos e barulhentos. Os sapatos se confundem aos pares na correria de não se largarem de perto das roupas. Os lençóis acordam atordoados de dentro do armário. Explicam as fronhas que se trata de mudança, como há muito não se via. Os talheres indagam se isso não seria precipitado. E a mesa, com sua sabedoria de anos, explica que os humanos são assim desde sempre. Precisam de espaço e pra isso não pensam duas vezes em mudar de suas tocas para outras mais seguras ou maiores ou mais bonitas. Da cozinha ela já sabe tudo de cor. Sempre é uma das últimas a seguir viagem, então por isso pode dizer com todas a palavras o que virá a seguir. Forram-se os tapetes. Levam-se os sofás. Por fim ficam apenas os armários vazios com suas marcas antigas e que trazem tantas lembranças. Uma mão de criança pequena. Um mosquito amassado faz tempo. O arranhão da escada que de repente se descobriu ser grande demais para estar ali naquele espaço. Tudo é motivo pra se relembrar e reviver. No ar, além da presença inquietante dos ácaros em folia, nostalgia e saudades pra todos os lados. Sentimento estranho do que vai ficar e do que está por vir. Será que a água é escassa? Será que enche quando chove? Será que entra ladrão? Mosquito não tem jeito, tem aonde quer que a gente vá. Vamos começar tudo de novo. Dessa vez queria uma tela na janela. Uma cama grande num quarto maior. Uma sala sem tv. Queria sossego por todos os cantos e uma Internet banda larga de valor. Entrar com o carro na garagem sem suar frio. Pintar com o cavalete na varanda. Dormir na rede na varanda. Ficar totalmente à toa na varanda. Ter, enfim, uma varanda. Porque é sempre dela que eu consigo ver o horizonte que me anuncia que pode ser que essa seja uma mudança definitiva pra esse país das maravilhas que eu estou prestes a conhecer.”

(.De mudança. 23/08/2007 – 22:53h)



Quarta-feira, Agosto 01, 2007



“Tudo começou com uma rolinha morta no meio da sala de aula. Eu falava de cores primárias quando ela do nada pareceu entrar pela janela se debantendo toda. As crianças correram de medo e de folia e tudo virou uma grande algazarra. Doeu chegar perto dela no chão e vê-la com o pescoço quebrado, tentando em vão voar. Será que ela não tinha visto a madeira da janela? Tanto lugar pra voar, porque foi cismar de entrar aqui nessa sala? Deu vontade de chorar e de sair correndo, mas eu fiquei e continuei minha aula. Abatida. Abalada. Uma parte de mim tinha morrido com aquela rolinha e eu não sabia porquê. Era apenas uma rolinha. E isso me fez pensar em tantas outras coisas que me fez desatar no choro, depois, em casa com calma. Tudo em mim estava seco como o tempo em Minas. Minhas mãos. Meus lábios. Meu rosto. Uma sensação profunda de desgosto. De abandono. De descaso. E então eu chorei por causa da rolinha. Chorei pela capa dos jornais de hoje que me chocaram. Chorei porque Isabel vai nascer num mundo que anda muito mais do que complicado. Me senti cansada demais. Velha demais. Sozinha ao extremo. Que mundo é esse que não me deixa ter o carro que eu quiser? A casa que eu quiser? Que vida é essa que limita meus passos impondo hora de voltar pra casa como na era da ditadura? Toque de recolher mascarado, caso eu não queira ser rendida por assaltantes armados bem no meio da minha calçada. Porque no dia de hoje segurança não é mais substantivo feminino que significava amparo, afastamento de todo o perigo. Hoje segurança é o nome de uma loja onde eu preencho um relatório e pago muito caro por um pouco de sossego pra sair com meu carro novo pela rua. E o meu choro tem esse gosto de desgosto tão profundo por se saber sem solução. Um desgosto em saber que a culpa não foi da rolinha, em entrar imprudente pela minha sala. Ela estava quieta em seu ninho, feito com muito esmero, sobre nosso ventilador. O que doeu muito mais foi saber que ela havia morrido por causa de um aluno que supostamente estava com um pouco de calor.”

(.Toque de Recolher. 01/08/2007.)


Terça-feira, Julho 17, 2007



"E quando o nó cegar, deixa desatar em nós." (F.A.)


“O meu amor me ensinou que sonho é pra se realizar, porque senão a gente fica só na vontade e isso é coisa de gente mimada e chata. O meu amor me ensinou que beijo tem que ser longo e apaixonado, como se a vida fosse uma eterna e bonita despedida no portão de casa. O meu amor me ensinou que televisão de noite se vê de luz apagada, porque a lâmpada esquenta e pode deixar o quarto uma sauna. O meu amor me ensinou que o leite se toma sempre gelado, que o feijão fica sempre por baixo e que batata só serve se for frita e com sal. E que churrasco é paraíso, que guanará é uma delícia e que pudim tem que ter um misterioso ponto todo especial. Ele me ensina o mundo ao seu modo e às vezes eu me canso de aprender. Às vezes eu finjo que esqueço. Às vezes eu esqueço mesmo e o que sobra é uma avalanche de reclamações vindas por todos os lados, que na maioria das vezes eu até acho engraçado. Porque até como reclamar o meu amor tem me ensinado. O meu amor me ensinou que beleza não põe mesa e que um coração sincero pode iluminar toda uma sala com apenas um sorriso. O meu amor me ensinou que música é bom de qualquer jeito e que às vezes uma voz pode até atrapalhar. O meu amor me ensinou que o futuro não está tão distante, que o presente serve pra muita coisa e que fé não é só uma palavra bonita de duas letras. Porque o meu amor me ensina a cada dia como é ter fé nas coisas e nas pessoas e porque pra mim ele é o maior exemplo de sucesso em andamento. Shopping em expansão. Integrante novo em banda. Pé de criança. O meu amor me ensina a cada dia como faz pra ter esperança sem a gente ter que esperar que o mundo nos dê um presente de volta. O meu amor me ensinou a abrir uma linda porta pra onde eu quero olhar para o resto dos meus dias.”


(.Coisas de meu amor. 16/07/2007.)


Quarta-feira, Junho 20, 2007





"Tem horas que a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só."
(Fernando Anitelli)


"Porque o que eu queria era arrumar a casa pra bem recebê-los. Faria uma boa faxina. Esperaria com as portas abertas e a mesa posta com esmero. O pão seria fresco e o café passado na hora. E vocês me contariam de todos os lugares em que estiveram. De todos as paixões que cometeram. De todos os olhares que deslumbraram. A tarde passaria vagarosa, sem nenhuma pressa. A conversa seria longa, como aquelas em que o assunto nunca acaba. Eu lhes mostraria meus cd's e meus quadros e falaríamos sobre música boa. Depois caminharíamos pela orla sobre o olhar curioso de Copacabana, conduzidos por sua brisa até o Arpoador, onde brincaríamos de roda e brindaríamos a vida com essa pura e simples felicidade que seria estarmos juntos. A vista sorriria feliz com nossas cores, nossas fitas, nossos sons e com o brilho sincero de nossa folia. E como num passe de mágica todo o Rio aos poucos se desmancharia em novas cores e as pessoas na rua seriam só sorrisos, como num grande arrebatamento de felicidade coletiva. Dos céus a Arte acenaria satisfeita por ver enfim seu papel cumprido com maestria aqui na Terra. Suas infinitas facetas reunidas num só olhar, caminhando lado a lado. E assim voltaríamos para casa leves e nos encontraríamos sempre que quiséssemos por termos encontrado enfim o caminho certeiro e mágico dos nossos sonhos."


(".Paisagem Onírica." - 20/06/2007 - 14:20h. De uma lan no centro da cidade.)


Porque eu queria que vocês fossem muito bem-vindos em minha cidade.
E porque eu queria fazer isso pessoalmente.

Nos vemos no dia 23 de junho.

Beijo grande!

p.s: para todos os que já são de casa, espero ansiosa os comentários sobre minha matéria lá no Revista MPB:
www.revistampb.com.br

p.s: fala sério que você ainda não comprou o ingresso pra vê-los! Por favor:

O Teatro Mágico
Circo Voador
Rua dos Arcos, S/N - Lapa - Rio de Janeiro - RJ
Data: 23 de junho de 2007 (sábado)
Horário: a partir de 22h
Abertura: Banda 3 Steps
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)


Domingo, Junho 03, 2007




"Eu quis tanto um amor e ele veio.
Mas agora como faz pra trazer de volta a poesia?"



"Vinha passando pela rua quando encontrei. Olhou bem fundo em meus olhos. E eu mirei os seus. Num instante mergulhei naquele mar. Que olhos eram aqueles. Não entendi porque dentre tantos na rua, foi logo de mim se aproximar. Tinha movimento. Tinha pessoas caminhando na calçada. Tinham carros velozes nas ruas. Porém, aqueles olhos simplesmente ignoraram tudo isso e se puseram somente a me olhar. Ficaram ali. Olhando. Olhando. Eu até que tentei prosseguir em meu caminho. Estava atrasada pra reunião das seis. Ia ser chato chegar depois e inventar uma desculpa. Mas o tal do olhar me agarrou de uma maneira que eu não tive como ir. Não sem ele. Cheguei a pensar em como seria trazê-lo pra mim. Como faria pra cuidar daquele céu. Mas fiquei com medo. Não sabia se podia pegar aquele azul e trazer pra minha vida assim, sem me envolver em maiores confusões. Nunca gostei muito de mudanças e nem de surpresas, apesar de já ter me mudado de casa exatas doze vezes. Mas dessa vez seria diferente. Eu teria que me doar. Eu teria que abrir meu coração para aquela vida que eu mesma fui buscar. Eu teria que me comprometer. Além disso, eu teria que me arriscar em não ser amada de volta. Pelo menos não do meu jeito. Eram tantos os perigos bobos pelos quais eu sentia medo que nem percebi quando minhas mãos pegaram aquele pequeno gato no colo. E daí se ele não me amasse? Pelo menos a culpa não ia ser minha."


(.Olhares Azuis. 10/10/2001 - 16:41h)


Quinta-feira, Maio 10, 2007




"Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior." (F.A.)


Quando a imagem desfocar,
Quando o soluço passar,
Quando a vontade deixar de ser necessidade,
Quando eu puder enxergar,

Eu prometo que conto.

Um Beijo...

Sexta-feira, Maio 04, 2007



"Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça-me um favor..."
(Fernando Anitelli)


Bom, amigos...
Estou indo essa noite a Sampa pra ver se consigo responder à pergunta da Gláucia, feita aqui em nossos comentários por esses dias.
Estou indo a São Paulo entrevistar O Teatro Mágico.

Se conseguirei descobrir o que eles são, eu não garanto.
Mas só o vislumbrar dessa idéia me enche os olhos.

Assim, queridos amigos, façam-me um favor.
Me esperem chegar.

Beijo pra cada um,
A Dona do País


Quarta-feira, Abril 25, 2007



"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais."
(O Teatro Mágico)


"Maria me inspira poesia antes mesmo de eu saber o significado de suas palavras. Maria que é menina de cabelos que brilham mais que o sol e que tem a pele mais bonita que já vi. E olha que não conheço Maria. Não sei de seus gostos que tu dizes se assemelharem aos meus. Será que gostas de melancia? Será que choras quando ouve Bolero de Ravel? Maria que é doce como os chocolates que ganhei nessa páscoa e linda como as embalagens desses bombons embrulhados em papel celofane rosa, amarrados lado a lado. Porque Maria tem a simplicidade daquelas coisas mais belas da vida que fazem a gente chorar sem nem mesmo saber porquê. Maria que é amiga de infância que se perdeu pelos caminhos do mundo e que voltou na hora mais propícia, porque já era certa sua chegada. Maria que sempre foi tão esperada. Maria que é Carolina e Luiza, mistura de todas em uma. Maria que não se cansa de visitar as palavras-poesia de minha rua. Maria que trouxe vida para um preto que andava meio desbotado. Maria que irradia alegria pra tudo que é lado. Seja sempre feliz, moça-doce-boneca-menina. E que todos os dias do mundo sejam mesmo de Maria."

(.Hoje é dia de Maria. 14/04/2007 - 12:10h.)


Terça-feira, Abril 10, 2007



"E passa horas a admirá-lo. Ele e sua barba. A barba. O dono da barba que é dela. Aquele complexo vitamínico de pêlos muito negros a penetrarem na pele que não é dela. Fio que é muito escuro. Traço firme no desenho do rosto de linhas retas. O sol traz o desbotado e uma festa colorida se faz nos tons daqueles fios bem firmados. Negros que se fazem ruivos que se fazem claros. É bonito o seu traçado e chega a ser poético a união daqueles traços todos. Sempre unidos num mesmo sentido. Apontando para uma só direção. Ela passa a mão nos fios dele como menina que descobre pelo macio do gato. Bonito de tocar. Macio de ver. O fio tece sobre ela um encanto ainda não cultivado que ela não sabe entender. A barba. O fio que cresce até onde chega a tesoura. Medida que ninguém sabe qual é a exata. Ele experimenta. A pele reclama. Folia vermelha na imensidão esverdeada. Diversão garantida de suas tardes ensolaradas. A pele. O fio. A barba. Anda muito apaixonada por esses dias."


(.Na ponta da agulha. 18/02/2005 - 15:35h)


Hoje é aniversário do menino que faz meus dias mais felizes.

Beijo, meu branco!
Amo você.

Segunda-feira, Março 26, 2007



"Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente

Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda"

(Nando Reis/ Marisa Monte/ Jennifer Gomes)



Minhas amigas do dia 26...

O dia de hoje é marcado por uma coincidência bonita que vai estar sempre comigo: o aniversário de duas grandes amigas. Amigas que por tempo de serviço e qualidade dos serviços prestados estão no topo de meu baú de tesouros guardados. Já faz alguns anos que o dia 26 de março deixa de ser um dia qualquer pra se tornar uma data bonita e poética, porque é inevitável passar este dia pensando nessas duas. Em como elas me fazem falta quando não estão por perto. Em como eu gostaria de tê-las do outro lado da rua. Em como eu sou feliz e realizada por elas terem me escolhido.

Márcia veio primeiro e se não me falha a memória, em meu primeiro ano de faculdade. O ano era 1998 e nessa época, por motivos diversos, eu não andava lá muito disposta a fazer novas amizades. Andava preguiçosa. Foi Márcia quem me puxou pela mão e me mostrou que era um desperdício de vida uma pessoa fazer faculdade sem fazer amigos. Que comemorou seu aniversário comigo mesmo sem me conhecer muito bem. Que teve e ainda tem paciência de me esperar sair da concha quando quero. E que não se importa tanto com a velocidade com que isso possa acontecer. Que me ensinou o que eram embutidos, porque ela não os come até hoje e que me mostrou com um jeito espetacular que é possível sim agradar a gregos e troianos. Ela é a aquarela mais bonita que com seu jeito divertido de viver coloriu todas as minhas lembranças de Uerj, abrindo minhas portas e janelas para uma vista que ainda hoje me encanto de ver, porque talvez sem ela eu não teria mais três amigas que eu tenho muito orgulho de ter ainda hoje. Márcia é minha diva.

Tatiana chegou num dois de junho de 2002, num momento completamente diferente de tudo o que eu já tinha vivido. Veio pela Internet sem eu nem saber direito como e posso dizer sem sombras de dúvidas que foi um lindo amor à primeira vista. Totalmente à primeira vista. Eu queria ir num show da Ana em Búzios e ela queria companhia pra não ir de carro sozinha. Marcamos em frente à Uerj numa manhã bonita de domingo e lembro como se fosse hoje da sensação de sabê-la minha amiga pra sempre. E assim foi. Tati se tornou membro da minha família, chegando a passar semanas aqui em casa. Com ela eu aprendi a dar mais valor pra minha casa, apesar da dela ser uma das mais bonitas que já vi. Aprendi a ter mais paciência com meus pais, com meus cachorros e até com minha irmã, a quem ela chama até hoje de Moreninha. Com ela aprendi que eu era a Branca e que eu podia ir muito além. Com ela aprendi serenidade, ética e sinceridade, porque ainda não conheci pessoa mais correta. Infelizmente hoje estamos mais afastadas porque ela se mudou para Salvador, o que me causou uma dor que eu nem poderia imaginar, mas nada como o tempo pra ensinar a gente que amizade é uma coisa que pode ser maior do que todas as distâncias desse mundo. Porque até isso eu aprendi com ela.

Eu queria muito que cada pessoa no mundo pudesse desfrutar desses sentimentos que eu vivi e aprendi com essas duas. E que elas soubessem que eu serei sempre grata pela delícia que é dividir meus dias com elas. Obrigadas, meninas. No dia de hoje, vocês é que são meu presente.



Sábado, Fevereiro 24, 2007





"Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber
Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva
Não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer
E isso por quê?
Diz mais
Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem
Então o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar."

(Rodrigo Amarante)


"O meu amor anda tão perdido de mim que eu tenho medo de que ele não volte pra casa."

"É sempre muito triste quando um amor se acaba. Ou quando dois corações se perdem. Ou quando duas pessoas se desencontram. Ou quando tudo isso acontece ao mesmo tempo sem nem mesmo dar tempo de se olhar pro lado. Sem dar tempo nem da gente respirar. Porque não há nada mais triste do que um amor que chega ao fim. Não há nada mais triste do que aquele sentimento estranho de perda de alguém que não se imagina. De despedida que sempre parece ser antes da hora. Porque o amor dói quando se descola do peito e aderência tardia é coisa difícil de se lidar. Ardência de praia que chega só depois do banho, por mais que você tenha usado protetor solar. Sangue pisado no dedo que você só vê dias depois da topada. Corte feito com papel fininho que dói como se precisasse de ponto. Mas tudo isso é fichinha perto de um coração partido. Porque um amor quando se acaba é como flor que seca. Um jardim que é cimentado. Uma construção antiga que é demolida. E viver no deserto já faz tempo que não é a minha praia, apesar de saber o quanto é difícil ver um amor chegar ao fim. Porque amor que se acaba é antônimo de milagre. É tristeza certeira a desabar todas as tardes. É enchente de verão que derruba sem pestanejar. O que sobra é o buraco deixado pelo vazio que se faz quando um amor se acaba. Como horizonte infinito que a gente cansa de querer olhar. Porque chega o momento em que tudo cansa. Desiste-se do beijo. Do abraço. Da alegria. Porque não há nada mais triste do que um amor que se transforma em bom dia. Intimidade que vai para o espaço deixando uma onda de desconforto em cima de tudo o que ficou. Mais triste que um amor que se acaba é olhar e ver que o seu amor se acabou."


(.Da despedida do amor. 24/02/2007.)

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

"Por onde andei
Enquanto você me procurava?
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava?"
(Nando Reis)






Estou voltando...
Me dá só mais alguns dias...








Segunda-feira, Janeiro 01, 2007




"A beleza aqui é como se a gente a bebesse, em copo, taça, longos, preciosos goles servida por Deus. É de pensar que também há um direito à beleza, que dar beleza a quem tem fome de beleza é também um dever cristão." (Grande Sertão: Veredas)


"A linguagem e a vida são uma coisa só. Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive; e como a vida é uma corrente contínua, a linguagem também deve evoluir constantemente. Isso significa que como escritor devo me prestar contas de cada palavra e considerar cada palavra o tempo necessário até ela ter novamente vida. O idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas."
(João Guimarães Rosa)



Eu quero que 2007 seja o ano das palavras.
Ditas. Sentidas. Escritas. Impressas.
Palavras.

Que elas façam deste lugar sua festa particular e seu país de maravilhas.
E que eu seja regida por elas. Sempre.
Assim, como uma bênção.

Que as cinzas evaporem com essa brisa que sopra por aqui e que todas as palavras sintam-se livres para ir onde quiserem. E que voem diretamente para o nosso coração.

Que assim seja.

Beijo pra você e obrigada pela companhia nesse ano que passou...


Domingo, Dezembro 31, 2006



"Desiventemos os dias,
atravessemos as pontes:
ainda que tudo pareça o mesmo,
o olhar,
ah este sim,
poderá ser novo."
(Maurício Veneza)



Que em 2007 possamos ser mais inspirados e bem mais inspiradores.
Que nosso olhar se deslumbre à cada esquina e que tudo pareça mais lindo e feliz.
E que tudo seja mais lindo e mais feliz.
É o que desejo para todos nós.

Beijos e felicidades...



Sábado, Dezembro 23, 2006



Gabriela Sanchez

"Mesmo quando ele consegue o que ele quis
Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na tv
O que não pode ter
E deixa de gostar
Larga mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou"

("Um par" - Rodrigo Amarante)


"Você é a serenidade que eu preciso pra terminar o meu dia com calma.
O céu limpo da minha tempestade não anunciada.
Você é o trânsito livre da minha estrada cheia de intervenções.
O ar condicionado pro meu calor infernal de dezembro.
Você é aquele texto que eu esperei com tanta impaciência.
O sabor delicado de meus dias tão sem sal.
Você é a música do meu silêncio triste.
O compasso sincopado a enfeitar meu ritmo sem maiores cadências.
Você é a estrela amarela do meu quadro sem maiores nuances.
O caminho desenhado no meu chão de rabiscos tão abstratos.
Você é o grau pra minha miopia há muito instalada.
O detalhe que traz pra perto o que há de melhor em mim e aqui."

Obrigado sempre.

Beijo.


Quinta-feira, Dezembro 14, 2006





"O que eu sinto não é pra ficar impresso em letreiro de outdoor. Eu deixo guardado com cuidado dentro da caixa bonita que alguém me deu. O que eu sinto não fica exposto como santíssimo a abençoar olhares apaixonados. Eu o escondo por sob o altar da minha predileção esquecida. O que eu sinto não pega chuva porque está sempre dentro da bolsa, ao contrário do guarda-chuva que eu teimo em esquecer em cima da mesa."

Mas hoje eu não me preocupo porque o lugar onde estou é coberto e o único risco que corro é o de me molhar com o brilho singelo de uma chuva brilhante de estrelas cadentes e certeiras.

Porque eu adoro fazer aniversário e você está cansado de saber disso.
E porque ano passado eu queria tanta coisa que hoje só me resta agradecer.
E muito.

Beijo e muito obrigada por cada visita,
Alice

p.s: acho que o sistema de comentários do Blogger resolveu me boicotar, então coloquei uma outra opção pra você poder me dar parabéns hoje. É só clicar no link (Comments) ao lado da frase e escrever normalmente, tá? Tenta aí... Beijo!



Quinta-feira, Novembro 30, 2006



"É dentro de casa que o céu começa."
(Pe. André Luna)


"Aqui é meu pseudo-quarto-secreto onde eu trago todo o meu mundo e o entrego direto pra você. O que você faz com ele eu não sei. Se leva pra casa. Se guarda pra depois. Se passa batido. Tudo isso eu não sei. Fico sabendo às vezes quando você deixa recado dizendo que foi bom e que tá tudo certo. E é nessas horas que eu fico feliz porque por um instante você foi meu e eu fui sua e fomos todos uns dos outros envolvidos em belezas discretas e ligeiras. Até porque tudo aqui foi feito especialmente pra nós. Porque sozinha eu sou só eu e aí não tem graça nenhuma brincar sem um monte de gente. O bom da vida é dividir. Alegria. Abraço. Conta. Pizza. Beijo. Cama. Doce. Meu país não é só meu e nem teria graça se assim fosse. E é só por isso que é uma felicidade quando você vem fazer visita. E eu queria ter um sofá grande e cor de abóbora que coubesse nele todo mundo que eu gostasse. E que no meio tivesse uma mesinha bonita com coisas gostosas pra gente beliscar enquanto falasse da vida e das belezas do mundo. E que da janela entrasse uma brisa constante e fria que tornasse o ambiente um lugar perfeito pra se contar toda a vida. Porque eu quero saber tudo de você. Como foi seu dia ontem. Se o almoço estava bom. Se ainda está apaixonado. Se gostou daquele cd do Tom. Eu queria que você pudesse me contar dos seus detalhes com calma. Das suas vilanias. Das suas desventuras e desejos secretos que você nem descobriu ainda. E eu queria estar junto quando chegasse essa hora só pra ver seu olho brilhando como às vezes eu vejo brilhar por aqui. Porque você sabe o que eu digo. Quase sempre você me ouve ou pelo menos tenta me compreender. Mas nem sempre a gente dialoga. Porque por trás dessa cor toda existe um doce coração que às vezes ainda se enrola em se fazer entender."


(.Sala de estar. 30.11.2006)


Meu aniversário se aproxima (14/12) e a quem interessar possa:
As Maravilhas Desejadas por Alice

Beijo e saudades...

Terça-feira, Novembro 21, 2006




"Minha beleza não é efêmera
como o que eu vejo em bancas por aí
Minha natureza é mais que estampa
é um belo samba que ainda está por vir

bobagem pouca
- besteira
recíproca nula
- a gente espera
mero incidente
- corriqueiro
ser mulher
- a vida inteira"
(Céu)


"Solte os cachorros, solte. Se despeça das delicadezas. Se regozije com as vilanias. Solte os cães, os gatos e os pardos. Se livre das pequenas rebeldias. Derrube o tabuleiro. Seja leviana. Peça a sua conta. Rode a baiana. Quebre o silêncio com teu grito de agora. Jogue longe a bagagem outrora estranha e junte seus trapos junto à Caixa de Pandora. Siga a luz desses faróis que te levarão para uma outra estrada. Jogue fora o anel, a faca e o chão. Se esvazie de tudo o que for de bom tom. Se abasteça com o sol forte nas palmeiras. E veja quão felizes são as bandeiras vermelhas. Desarrume o quarto. Perca um sapato. Não compre na promoção. Fure o pneu do carro. Fume um maço de cigarro. Morra de inanição. Sinta um pouco de inveja. Chegue atrasado na festa. Saiba dizer não. E aprenda que o certo e o errado são conceitos do passado em busca de perfeição. Duvide da dúvida. Sobre a cama jogue a toalha ainda úmida. Esqueça da data marcada. Vire a pequena jangada que virou essa sua vida sem direção. Suma sem paradeiro. Esqueça qualquer orientação. Porque difícil é encontrar beleza no trevo da sorte da palma da sua mão.

Quem sabe assim não aparece pra você o anjo que guarda toda e qualquer inspiração?"


( .Solte os cachorros.)




Quinta-feira, Outubro 26, 2006

"Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você.
Guarde um sonho bom pra mim.
Se alguém numa curva me convidar
Eu vou lá
Que andar é reconhecer
Olhar."
(Rodrigo Amarante)


Eu queria tanta coisa.
E tanta coisa já se passou.

O mês de outubro sempre trouxe belíssimas experiências pra mim.

Minhas melhores viagens foram em outubro e com elas, os melhores momentos da minha vida.
E como não podia deixar de ser, esse mês foi um tanto especial.

Sabe quando você pensa que uma coisa é tão perfeita que por instantes você acredita que não existe a possibilidade dela ser melhor do que é? Então.
Foi assim quando provei há alguns anos a batata-frita do Outback e foi assim experimentar São Paulo na companhia de Flávio e Wellington.
Que eles eram uma delícia, eu já sabia. Há anos.
Mas que eram tão delícia assim, foi novidade. Confesso.

Vai ver é aquela coisa de estar no lugar certo com as pessoas certas.
Coisa de não ter só o vento, mas todo um universo ao nosso favor.
Conspiração das boas que eu só tenho a agradecer.

Experimentei tanta coisa boa nessa viagem, que por não saber por onde começar acho melhor deixar pra lá. Acho que vocês não se importam se eu ficar com a batata toda só pra mim, não é?

E pra ilustrar, trago essas fotos.
Espero que gostem.

Beijo e até já,
A Dona do País



Não é todo dia que se pode ter olhares como esses por perto: Wellington e Flávio.


Entrada da Bienal de Arte


Graci, Ageu e Flávio


Viva o Metrô!


Museu da Língua Portuguesa: o ponto alto da nossa viagem!


Theatro Municipal


Estação da Luz


Sempre juntos...rs


Masp


Catedral da Sé


À noite na Av. Paulista


Saca o charme desse trio...rs


Alvaro: meu anfitrião preferido.


Voltando pra casa...


Terça-feira, Outubro 03, 2006



"Os livros são objetos transcendentes / Mas podemos amá-los do amor táctil
Domá-los, cultivá-los em aquários / Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas / Talvez isso nos livre de lançarmo-nos
Ou o que é muito pior por odiarmo-los / Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas e de mais confusão as prateleiras."
(Caetano Veloso)


"Às vezes a gente pensa que as pessoas são como livros numa estante. Que não importa que os anos passem. Que elas vão permanecer no mesmo lugar pra quando a gente precisar. Existem os livros que vemos sempre. Que estamos sempre consultando. Que sabemos algumas páginas de cor. E existem aqueles que a gente sabe que tem, mais que não pega pra dar uma lida faz tempo. Que não visita. Que não liga pra saber se tá tudo bem com a desculpa sincera de que não tem mais tempo. Eu tenho uma pilha de livros que eu queria ter. Eu tenho uma pilha de livros empoeirados. Eu tenho uma pilha de livros que eu nunca abri pra ver o que tinha dentro por mais que eles tivessem ao meu lado. Eu tenho uma pilha de livros que eu acho que não quero mais. E eu ando aflita por uma estante. Porque se tem uma coisa que um livro merece ter na vida além da atenção silenciosa dos nossos olhos deslumbrados é uma estante. Um local decente pra eles terem razão de ser. Para que fiquem acessíveis. Para que nos pertençam sempre. Porque têm livros que eu até esqueço que tenho e quando os encontro é como se fosse a primeira vez. Reler os mesmos livros às vezes é bom, mas não tanto como se deixar encantar por uma nova história mais uma vez. Por uma capa mais brilhante. Verniz que brilha de longe convidando pro toque da proximidade. Hoje falta um livro na minha estante inventada. Um exemplar raro e belo que fazia anos que não era visitado e que agora foi pra uma biblioteca onde ele sempre mereceu estar e que por ora eu não tenho acesso. É estranho quando a gente perde as coisas, por mais que elas estejam distantes. E isso me fez pensar até que ponto somos eternos. Até quando alguém deixa de ser um livro na estante pra se tornar uma lembrança aquarelada de um tempo remoto onde os livros que leio hoje ainda nem eram nascidos."


(.Livros. 03/10/2006 - 13:01h.)



Terça-feira, Setembro 19, 2006





"A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender." (B.G.)



A primeira exposição a gente nunca esquece...

É verdade.

Apesar de minha inesperada timidez, deu vontade de dividir com vocês essa experiência quase infantil de participar pela primeira vez de uma exposição.
Ao todo são quase 70 obras de 20x20cm de artistas da região, onde diversas texturas, olhares e emoções tentam exprimir, ainda que timidamente, toda a beleza da Primavera.
Ficou bonito. E eu fiquei feliz em fazer parte de toda essa boniteza.

E pra você que está curioso, meu quadro é essa flor vermelha feita em tinta acrílica e carvão, que toma conta da diagonal.

Meio tímido. Meio convidativo.
Primogênito.

Mas espero que vocês gostem.

E pra quem for do lado de cá, tem até o dia 6 de outubro pra dar uma conferida:

Passeio Shopping
Rua Viúva Dantas, 100 - Campo Grande
Segundo andar
De 9:00 às 20:00h


Sexta-feira, Setembro 08, 2006




"Não sou eu que me faço voar.
O alto é que me voa."
(Vercilo e Ana)



"Liberdade é uma casinha na colina onde se pode andar de bicicleta com camisa furada e chinelo sem ninguém achar que você é um mendigo exótico. Liberdade é o nome da vizinha do lado que você nunca viu, mas que sabe que existe porque ouve sua voz todo dia de manhã cantando aquela mesma canção no rádio. Liberdade é poder não se preocupar com a hora quando se está na rua e não se preocupar em ir pra rua quando se está em casa, porque você simplesmente esqueceu como é ter pressa. Liberdade é aquela paz que você não sente faz tempo, mas que ainda consegue imaginar mais ou menos como é porque assim a dizem. Liberdade é poder comprar um sorvete sem perguntar antes o preço, se preocupando apenas com a cobertura que irá combinar mais com o resto. Liberdade é querer viver mais tempo que todo mundo só pra poder chegar no céu mais tarde e fazer uma surpresa. Liberdade é querer o certo sem saber o quanto duvidoso ele ainda pode vir a ser. Liberdade é esquecer de ir ao trabalho porque ficou admirando a lua por muito tempo e acabou perdendo a hora. Liberdade é poder se despedir na hora em que quiser sem ter medo de olhar pra trás e ver o tamanho do estrago. Liberdade é conseguir conquistar o menino mais bonito da escola sem ter feito a menor força para isso porque afinal de contas amor à primeira vista realmente existe. Liberdade é sentir-se satisfeito em usar aquela camisa listrada puída e guardada há tempos num canto do armário porque ela de fato é horrorosa, mas só que te lembra momentos felizes e ninguém tem nada a ver com isso, nem mesmo sua namorada. Liberdade é sentir-se segura para tomar uma decisão sem que isso seja a coisa mais difícil do planeta. Liberdade é não se preocupar. Não duvidar. Não pestanejar. Não intervir. Porque só é livre de fato todo aquele que consegue ter sempre ao lado o sossego sagrado da santa paz de seu lar sem dúvidas."


(.Liberdade. 08/09/2006 - 00:50h)


Sexta-feira, Setembro 01, 2006





"Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo
mas não deixa ninguém ver
Por que será ?

Eu que já não sou assim muito de ganhar
junto às mãos ao meu redor
E faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz."

(Marcelo Camelo)


Esta é a primeira hora do primeiro dia de um mês que me agrada bastante.
E eu fico feliz com isso.
Por voltar ao país num momento especial.
Que hoje seja o primeiro dia de uma série interminável de dias felizes.
Até porque dias melhores sempre virão.
E porque estou bem feliz com os que estou vivendo agora.

A começar pelo delicioso show que acabei de assistir.

Pelo encontro borbulhante que tem sido meu curso de pintura com minhas idéias adormecidas.
Pelo momento perfeito que vivi hoje sentada sozinha no café do Odeon, olhando durante horas a fio edifícios que fiquei até agora sem saber se são cheios de gente ou comércio.
Pela vontade estranha que estou de fazer todos os cursos do mundo, incluindo uma pós-graduação em Arteterapia.
Pelo livro emocionante que estou devorando e que tem me trazido Clarice Lispector e Fernando Sabino mais pra perto através de suas cartas tão cheias de poesia.
Por finalmente ter registrado meus pseudo-textos.
Por ter recebido uma primeira proposta de publicação aparentemente razoável.
Por ter reencontrado a Natura em minha vida ao ponto de me deliciar com o cheiro do meu próprio cabelo.
Por ter conseguido enfim comprar uma jaqueta rosa que eu namorava fazia tempo.
Por ter um namorado que é muito carinhoso comigo e que me dá presentes sem motivo.
Por ter recebido um belo elogio de alguém que eu admiro muito.
Por ter visto minha irmã no meio da semana.
Por ter comido o rodízio da Parmê ontem, com direito a uma pizza nova de abacaxi que eu achei um arraso.
Por finalmente ter conhecido o Circo Voador. Agora só falta a Fundição Progresso.
E por ter pulado muito nessa música que é uma obra prima desse Camelo.

Gente.
Me perdoem.
Mas é que agora eu só consigo pensar em Los Hermanos.

- E Peci, a culpa é toda sua...
Graças a Deus.

p.s: não vou fazer muitas promessas pois esse é um ano eleitoral, mas posso dizer que vou tentar sempre que possível trazer meus filhotes-quadros-ilusão pra cá.
É sempre bom repartir essas coisas. E pode até ser que vocês gostem...rs

Beijo da Dona do País!



Domingo, Agosto 13, 2006

Uma rápida satisfação...

Estou sem postar porque meu computador deu pau, o post que já estava pronto desapareceu e porque com tudo isso eu perdi a vontade de ficar no computador.

A 'boa-nova' que posso adiantar é que estou fazendo um curso de pintura que está tomando todos os meus minutos de folga e todos os meus olhares, pois agora eu só penso em luz e sombra.

Beijo pra vocês e prometo que assim que o micro chegar eu tomo vergonha e volto com algo decente.

Tenham um domingo iluminado,
A Dona do País



Domingo, Julho 16, 2006


"O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência"
(Lenine)



Apesar de achá-lo um grande músico, eu não sou muito chegada ao som do Lenine. Mas essa semana, ouvindo uma música dele no rádio, eu pude perceber a genialidade desse artista que ainda hoje me soa um tanto estranho. A música em questão tem uma melodia que eu também não gostei, mas a letra ficou rodando na minha cabeça durante um bom tempo. Tempo suficiente para que eu a trouxesse pra cá. E olha que eu só trago o que eu realmente gosto, porque acho que isso aqui é lugar privilegiado, só para belezas incomparáveis. Como se eu só vivesse envolvida nessas belezas. Mas tudo bem. O que me capturou nessa letra é o domínio que o Lenine tem sobre nossa língua e sobre como ele soube utilizar isso com maestria.

Na verdade, acho que o que mexeu comigo mesmo, foi que essa letra sintetiza quase exatamente como geralmente eu me sinto em relação às coisas desse mundo. É claro que eu sei que as coisas nem sempre podem ter essa praticidade que eu vejo ser o fio condutor dessa letra. O mundo não é tão simples assim. Pelo contrário. O meu então, nossa. Tá mais pra labirinto e longe de ser simples, belo e direto, apesar de eu querer sempre que as coisas se resolvam mais facilmente. Mas acontece que uma parte de mim gosta de pensar que tem tudo ao seu controle e que tudo pode, no fundo no fundo, ser resolvido facilmente. Basta a gente querer. E querer de coração.


Tentar não sofrer a toa.
Tentar não se aborrecer por besteira.
Tentar não ter ciúme sem razão.
Tentar não julgar os outros de antemão.
Tentar perdoar sem ficar com o pé atrás.
Tentar não implicar com o outro só por diversão.

Tentar.

Apenas tentar.

Tentar experimentar como seria ter o coração tranquilo e livre de sentimentos chatos, implicantes e desnecessários.

Querer, no fundo de si mesmo, tentar ser uma pessoa melhor.
E acho que é o que eu quero tentar fazer isso hoje.

Fica a dica pra quem estiver sem ter o que fazer.

Beijo e boas férias pra vocês...

"Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
Não se submeta"



Domingo, Julho 02, 2006






"A minha tristeza hoje é verde e amarela embrulhada em plástico vagabundo e colorido que há poucos minutos brincava de enfeitar a minha rua. Porque foi bom enquanto durou. E é como todo mundo diz. Copa é assim mesmo. Quando começa, todo mundo tem chance, apesar de todo favoritismo. Predileção que não deu em nada. Hoje a minha tristeza é calma, quieta, silenciosa e escondida sob a lembrança de cada bandeira que me acenava do mastro que se tornou o meu carro. A janela do quarto do vizinho. A varanda da casa da frente. A camisa que eu comprei na véspera do primeiro jogo que quase me trouxe um infarto no miocárdio. É uma tristeza esquisita, misturada com um monte de coisa que eu ainda não sei dizer direito o que é, mas que eu já sei que dói pra caramba, principalmente quando lembro que junto comigo ainda tem mais uns cento e oitenta milhões de corações apertados como o meu e que há algumas semanas monitoravam com atenção um ônibus cheio de esperança. E que está voltando pra casa. É uma mistura de tristeza e medo de que todo aquele amor que eu estava achando um barato de ver em cada pessoa que eu via na rua se acabe. Que se esfarele, que se despedace e que suje todo o chão como vi ainda agora quando estava voltando pra casa. Medo de não ver mais aquele brilho no olhar de quem tinha orgulho de ser o que era quando começava o nosso jogo, porque eu tenho certeza de que todo mundo tem vontade de chorar quando vê o nosso time cantar o nosso hino. E é disso que eu tenho mais medo. De ver a gente perder a graça de usar esse pronome com tanta satisfação e entusiasmo. Porque eu queria que isso não morresse nunca. Porque eu queria que quarta-feira fosse mais um feriado. E porque eu queria que o dia de hoje não chegasse nunca, porque hoje a minha tristeza é vazia e desarrumada como a minha rua."



Segunda-feira, Junho 26, 2006



"Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Quando não se têm mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá para dar amor"

(Nando Reis/ Arnaldo Antunes)



Perder.
O jogo.
O trem.
O pai.
O tempo.
O chão.
O juízo.
A graça.
A vida.
A vaga.
A hora.
A casa.
A Copa.
O lugar.
O caminho.
O emprego.
O cachorro.
O brinco.
A vista.
A identidade.
A confiança.
A paciência.
A oportunidade.
A esperança.

Ganhar.
Um beijo.
Um irmão.
Um amigo.
Um abraço.
Um salário.
Uma aposta.
Uma Taça.
Uma visita.
Uma amiga.
Uma música.
Uma grana.
Um filhote.
Um dia.
Um presente.
Uma jóia.
Um prêmio.
Um livro.
Um aumento.
Um poema.
Um carro.
Uma chance.
Uma partida.
Uma dedicatória.

Porque eu queria ser a sua distração no dia de hoje.
Beijo da Dona que não é dona de nada...



Domingo, Junho 18, 2006






"Ouviram as margens plácidas do Ipiranga o brado retumbante de um povo heróico.

E nesse instante, em raios fúlgidos,

o
sol
da
liberdade
no
céu
da
Pátria
brilhou."


Copa do Mundo

O melhor:
-Sair mais cedo do trabalho
-Comprar camisa com as cores brasileiras
-Andar na rua como se fosse carnaval
-Ter orgulho de ser brasileiro
-O frio na barriga um segundo antes do gol
-A vontade de chorar dois segundos depois
-Andar por ruas decoradas
-Ver uma terça-feira virar sábado às 4 da tarde
-Saber que os melhores jogadores do mundo jogam no nosso time
-Assistir comerciais mais criativos
-Ter mais esperança

O pior:
-Correr o risco de não levar a Taça.

Porque todo o resto eu acho que a gente ainda aguenta.


Domingo, Maio 21, 2006





(Arnaldo Antunes)


Porque ele sabe dizer quase tudo por mim.
Porque arte é um negócio parecido com o que ele faz.
Porque eu queria fazer arte de um jeito parecido com o dele.
E porque eu queria que você o conhecesse porque ele faz tudo isso muito bem.

Boa semana e perdoem a ausência não anunciada...

Sábado, Abril 15, 2006




"Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular..."

(Marisa/ Arnaldo/ Bronw)


"Porque eu daria qualquer coisa pra ter escrito isso sentada do seu lado indo pra algum lugar desconhecido e bonito onde veríamos pela primeira vez paisagens tão lindas que nem respirando fundo faria nosso coração bater direito. Eu queria esse descompasso e essa desorientação. Essa falta de ar não anunciada pela beleza de um lugar bonito. De uma emoção dividida. Daquele desejo secreto e inverossímel de que aquele segundo durasse pra sempre. Eu queria ver esse céu bonito com você e descobrir que quanto mais bonita é a viagem, mais saudade a gente tem de voltar pra casa. E eu queria voltar pra casa com você. E lembrar com o olho molhado de todos os lugares que visitamos. De todas as línguas que ouvimos. De todas as fotos que tiramos. De todos os tipos de transportes e de vales que compramos. Eu queria trazer escondido na mala um pedaço de tijolo antigo como se ele tivesse o poder de nos transportar de volta a qualquer hora. Porque eu queria que você se sentisse em casa. Porque eu queria trazer o mundo pra você. Porque eu queria que nós fôssemos felizes com toda plenitude que alguém pode querer. Porque eu daria qualquer coisa pra ter escrito isso só pra quando você chegasse aqui pra descobrir todo esse mundo que eu fiz só pra você. Ainda que não seja maravilha. Ainda que tenha maravilha no nome. E ainda que eu não seja a Alice da história. Porque eu me sinto perdida quando meu coelho do tempo resolve esconder minhas palavras e porque é chato não se ter o que falar. Eu que sempre tive medo de falta de assunto. De barata de noite. De cabelo na comida. De dormir com calor. De não achar objeto procurado. Eu que sempre tive medo de tanta coisa deixo de ter medo só pra receber você aqui nesse lugar estranho e um pouco desconfortável. Sem um sofá para te receber. Sem poder te tocar enquanto falo, porque dizem que tenho essa mania. Você que fica distante por tanto tempo, mas que quando chega é só alegria. Que faz brilhar cada pedaço de maravilha que dizem encontrar por aqui. Escasso e precioso como minério. O que eu queria mesmo era que você entendesse que aqui não tem segredo. Só um pouco do mistério."

(.Tua Visita. 14/04/2006.)



p.s: Quero deixar um parabéns especial para as Fernandas da minha vida que fazem aniversário no dia de hoje. Não sei precisar o porquê, mas sempre me dei muito bem com as moças que carregam esse nome de que gosto tanto. Quisera eu que todos os nomes do mundo me trouxessem a poesia que vocês me inspiram. Um beijo especial para vocês duas...




p.s 2: Dica da semana para todo e qualquer perrengue. Três doses ao dia:

"Santo Anjo do Senhor/ meu zeloso guardador/ se a ti me confiou a piedade Divina/ sempre me rege/ me guarda/ governa e me ilumina. Amém."




p.s 3: O parabéns especial nessa quarta-feira vai para minha mãe!
A Rosa mais querida e mais amada que a do Pequeno Príncipe...




p.s 4: Quero deixar também especialmente um beijo especial pra minha amiga mais que especial FERNANDA BRANDÃO que além de ser super especial, é super especial para mim.



Segunda-feira, Abril 10, 2006




"Case-se comigo
Antes que amanheça
Antes que não pareça tão bom pedido
Antes que eu padeça
Case comigo
Quero dizer pra sempre
Que eu te mereço
Que eu me pareço
Com o seu estilo
E existe um forte pressentimento dizendo
Que eu sem você é como você sem mim
Antes que amanheça, que seja sem fim
Antes que eu acorde, seja um pouco mais assim
Meu príncipe, meu hóspede, meu homem, meu marido
Meu príncipe, meu hóspede, meu marido..."

(Vanessa da Mata/ Liminha)


Porque hoje é aniversário do meu bem.
E nada mais precisa ser dito.
Parabéns.


Domingo, Abril 02, 2006

Meus dias têm se dividido entre três pensamentos básicos que se tornaram imprescindíveis ao funcionamento normal de meus órgãos vitais. Amor, música e poesia. Poesia, música e amor, uma vez juntos e devidamente costurados, se transformam na mais perfeita arma contra todos os meus males de amor. Nitroglicerina que vai dinamitando todos os meus escudos e ponte. Que muda a minha geografia de um jeito devastador, não deixando verso sobre verso.

Tenho vivido sobre um tapete de poesia.
E tapete que não me dá alergia.

Gostar ou não já não é nem o caso.
Eu espero sinceramente que vocês sejam abduzidos por essas belezas transformadoras.

Beijo e tranquilidade.
Sempre.


1. Livro, que virou filme, que virou febre que me trouxe delírio e dormência.


"E foi mesmo na frente da igreja que a vida de Antônio deu uma volta medonha, pois, no que viu Karina, seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou Karina bem ali, no meio da praça, e a boca de Karina não disse não, e nem poderia, pois estava por demais ocupada." (Adriana Falcão - "A Máquina")



2. E é lá que eu ando presa sem querer sair, porque não sou besta.


"Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"
(Marisa, Arnaldo e Brown - "Vilarejo")




3. E definitivamente, eu também não sei por onde eu tenho andando.


"Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado e eu entendo
As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias até pr'uma criança

Por onde andei enquanto você me procurava
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava

Amor eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança
Como um dia que roubaram seu carro
Deixou uma lembrança

Que a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama

Por onde andei enquanto você me procurava
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada
É que eu deixei algumas roupas penduradas
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava"
(Nando Reis - "Por onde andei")


Terça-feira, Março 14, 2006

"Vai ver se estou

na esquina

querendo querosene

lamparina

eu tenho fibra ótica

menina

olhos ultra

violeta

no lugar do cílios asas

de borboleta

vejo até

cometa

a muralha da china enxergo lá

de cima

sou homem de fibra

menina

fibra ótica a minha visão é

ótima

vejo até poeira

cósmica

mas não passo

aspirador

assopro estrelas pra quando

você

for

menina

vejo de longe quando vem

a dor"
(Arruda)


Não sei. Só sei que foi assim.
Belo e inspirador.

Bem assim:

http://saudadedopapel.zip.net

Beijos e saudades...

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

"Mas muito pra mim é tão pouco /E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca /Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca /Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco /E pouco eu não quero mais..."
(Moska)







O melhor do meu carnaval foi uma bola de sorvete de graviola que eu tomei bem devagar pra ver se durava até quarta-feira.








Domingo, Fevereiro 12, 2006

"E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver."
(Marcelo Camelo)

É fato: eu prefiro o Camelo.
O outro me soa mais amargo.

No entanto, ouvir essa banda é como perceber sabores diferentes numa mesma colherada. O doce é de banana, mas eu sinto a canela, eu sinto o açúcar e eu sinto a banana. Tudo muito separado. O som vem muito dissociado para minhas percepções ainda não acostumadas. Como se fosse uma tela abstrata com cores muito fortes e enormes pinceladas. Uma por sobre a outra. Repetidamente. Tem hora que eu gosto. Tem hora que eu não gosto tanto assim. E tem até aquela hora em que eu desisto de tudo porque tá muito barulho. São sons estranhos. Distorções que me remetem às ilhas Galápagos. Como se eu visse animais esquisitos pela primeira vez. Fica um lado palpitando porque é estranho. Fica o outro achando incrível porque é estranho. E no meio fica a certeza de que o que agora é estranho pode ter muitos significados. Fala de amor, mas dói. É música, mas belisca. É seco, mas é doce. E é estranho.

Mas eu acho que gosto.

É. É isso.

Eu acho que gosto.

Mesmo sendo estranho. E talvez até por ser estranho.
Ou não.

Tá respondido, Peci?

Beijo e música. Estranhas ou não.
Sempre...

p.s: Marcelo Camelo é integrante da banda Los Hermanos, à qual eu me refiro.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006



Eu sou o camelo da esquerda.


"O calor que faz nessa cidade é de derreter todos os ânimos possíveis. Eu perco o sono. A tranqüilidade no estômago. E ainda por cima tenho que mudar meu caminho por causa de chuvas homéricas. Eu odeio o verão. Eu odeio as cadeiras pelas calçadas. Eu odeio o cheiro de manga que fica pela casa. Eu odeio vasilha de salada de fruta interrompendo a geladeira. Eu odeio pernilongo abusado. A roupa pesa. O cabelo incomoda. A pele mina. E a vida parece continuar numa eterna sauna a vapor sem direito a toalha. Eu me canso. Eu enjôo. Eu tenho vertigens. Eu vislumbro o momento do por do sol como quem precisa de água. E eu preciso de água. Época em que a sede parece buraco na areia perto da água. E ela ressurge. E ela ressurge. E ela ressurge. E o assunto só passa a ser esse. Nossa, tá muito calor. Diz o jornal que hoje vai chover. Enchente mata quatro em shopping. Será que vai dar praia amanhã? Eu tô cansada das mínimas e aborrecidíssima com as máximas exibidas nas pontas dos jornais. Eu tenho medo dos termômetros que marcam impiedosos números que eu nem espero pra ver mais. Eu odeio som de ventilador. A incapacidade tardia do ar condicionado. A falta de consideração das paredes da minha casa que teimam em esquentar tudo o que tem dentro como se fosse um grande prato de rabada. Casa que vira microondas no cair da tarde. Agora eu quero a geladeira. Eu quero ser uma garrafa dágua. Uma forminha de gelo. Eu quero ser uma gaveta do freezer, aquela bem lá embaixo, cheia de restos de carnes estranhas que a gente quase nem advinha. Eu quero ser o azulejo desinibido a desfrutar dos prazeres tranqüilos e refrescantes da minha piscina."