.As Maravilhas do País de Alice.

Sábado, Maio 10, 2008



"O último post."




Eu tenho tanta coisa pra dizer que eu não sei nem por onde começar.
A fase é de transição. Novos caminhos. Muitas escolhas e pouco tempo.

O bom do homem ter conquistado a lua é essa facilidade que hoje temos de visitar outros planetas.

Ao que tudo indica, nos próximos dias o País deixará essa casa habitada há anos por um novo lugar. Eu ainda não sei como ele será. Não sei que cores ele terá. A única coisa que sei é que ele vai ser bem mais fácil de achar e talvez tenha mais coisas pra você olhar quando finalmente chegar. Não sei se será branco como aqui. Ou se terá mais imagens. O que sei é que vou esperar você do mesmo jeitinho de antes e talvez com mais novidades dentro pra mostrar.

Porque chegou o tempo de assumir o que se tem pra assumir e de criar o que se tem que criar.

É. Finalmente, o País vai virar livro.

Demorei pra entender, custei pra aceitar.
Mas entendi que era a hora.

Se os astros ajudarem e os anjos intercederem, em agosto estarei lançando “As Maravilhas do País de Alice – O Livro.” na Bienal de São Paulo.

E esse livro vai ser dedicado a você que vem aqui há séculos.
Firme. Fiel. Que vem mesmo quando eu não venho.

Obrigada pela companhia e espero vocês assim que for possível na casa nova:

aliceventuri.com.br

Ela ainda está em obras e há baldes de tintas por todos os cantos.
Os ataques de espirros são constantes por causa da poeira do cimento e da madeira, mas peço só um pouco de paciência para bem apresentá-la a vocês em breve.

Você me espera?

Beijo grande,
A Dona do País

p.s: quem quiser fazer parte da minha lista de contatos pro futuro lançamento aqui no Rio, me manda um email: aliceventuri@yahoo.com.br

Sexta-feira, Abril 04, 2008


"Tanta coisa escapa sem o olho ver e às vezes as imagens vêm nos assaltar."
(Ana Carolina)



Tô com saudade, ando gripada e escrevi essa matéria só pra você ler.
O resto, a gente conversa depois.
Eu fico aqui esperando o seu comentário.


Vai lá e volta?

www.revistampb.com.br






Sábado, Fevereiro 23, 2008



"Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol num copo dágua."
(Renato Russo)


“Meu coração é um copo vazio esquecido num canto. Eu o olho com pena, preocupada com a mancha no móvel. De onde estou, observo as gotas caírem lentas, criando belos sulcos na superfície gelada. Que objeto bonito é um copo. Grande, liso e sem cor, parece exibir o líquido que contém com orgulho de quem ganha presente há muito esperado. Delicado e concreto, não duvida da leveza da vida que o conduz para todo lado. Desistiu faz tempo de tentar não se deixar levar. Hoje vai vivendo um dia de cada vez, percebendo a beleza de cada cômodo da casa por onde é deixado. A amargura de antes, virou aceitação de agora e ele vai vivendo sua vida feliz como um bom copo que é. Já percebeu que a madeira da mesa de centro da sala é delicada e se desmancha toda com sua umidade não anunciada. Já presenciou uma briga passional no quarto do casal que sempre se amou tão bem. Já viu um beijo roubado no sofá que virou uma grande paixão que ninguém esperava. Já quase caiu. Já quase quebrou. Já se arranhou um pouco no guarda-louças apertado. E certa vez quase trincou ao despencar e se derramar pelo tapete caramelo de tecido muito grosso e felpudo. Ficou assustado por um momento, mas por outro, pode ver a imensidão devastadora do piso que não se acabava nunca. Então havia muito ainda pra ver e ele não sabia. Como era grande esse mundo em que ele vivia. Respirou aliviado por ter sido levado direto pra pia renovadora de suas forças vitais. Foi lavado, observado de perto, revirado de cabeça pra baixo. Afinal, copo trincado é o maior perigo. E foi posto enfim em cima da mesa, junto com os demais. Ainda estava um pouco assustado. Chegou a comentar com um e outro sobre o que acontecera. Ninguém acreditou na história que ele contava. Como pode um copo cair daquela altura sem se despedaçar? Ou sem ao menos trincar com o susto? E ainda mais poder ver que existe vida além da porta de entrada da casa. Ele só podia estar exagerando nos fatos. Nenhum copo havia atravessado esse limite entre o irreal e o permitido. Por que ele? Porém, não se importou com os comentários furtivos e prosseguiu em sua missão de reluzir para melhor se adaptar. Haveria tanto ainda para ver pelo mundo, tanto para encontrar. O que não ia era ficar parado esperando inerte alguém o levar para algum lugar.”

(.O Copo. 23/02/2008 – 02:35h)


Domingo, Fevereiro 10, 2008




"Eu sou o rei da boemia
Carioca, sou da Lapa, patrimônio cultural
E me banhei de alegria
Tiro onda, dou meu jeito, minha vida é um carnaval."
(Samba-enredo do Salgueiro)


Nem preciso dizer o que fiz nesse sábado, né?
Desfile das Campeãs, pela primeira vez.
O que posso dizer é que toda pessoa deveria viver uma experiência como essa antes de morrer.
É, definitivamente, incrível.

Destaque especial para a verdadeira campeã do carnaval: Portela!
Porque dinheiro pode comprar muitas coisas, até um título de carnaval.
Mas não compra a empolgação da única escola que estremeceu o Sambódromo.
Lindo de se ver.

Ano que vem vamos comigo?

Beijo e bom começo de ano pra todos vocês.


Sexta-feira, Janeiro 25, 2008



Muito bom começar o ano com um sonho realizado!
Visitar Ouro Preto com a família foi uma delícia...

Meu pai se comportou muito bem, quase não reclamando.
Minha mãe ficou frenética com as lojinhas intermináveis.
Nixon parecia pinto no lixo com tanta história.
E eu felicíssima por estarmos todos lá, com exceção da irmã, que fez muita falta, por sinal.

No dia de hoje, estou muito tranquila e curtindo meus dias de folga como se não houvesse amanhã.
Consegui entregar minha monografia da pós no prazo e isso significou muito, pois não sou muito de cumprir metas.

Agora é só curtir as horas livres com cinema, sono de tarde, lanche no shopping, encontros com os amigos.

Acho que estou aprendendo a gostar mais dessa época do ano.
Porque até agora 2008 está tudo de bom.

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

"Ouro Preto tem muitas janelas,
Cada uma tem sua magia,
De umas se avistam as ruas,
De outras as montanhas,
Das mais altas vê a cidade,
A de pouco altura da rua vê-se a sala,
Privilégio poucas tem,
De ver Ouro Preto,
Antônio Dias, Ladeira de Santa Efigênia,
A fachada de São Francisco de Assis,
Seu adro e as torres,
Sorte terá,
Quem nela ficar,
Além de dormir,
Acordar e respirar,
E dessa janela, avistar,
O que de mais belo fez,
Aleijadinho, neste lugar".
(José Efigênio)


Se tudo correr bem, vou começar o ano da melhor forma possível: viajando!
Vou com pais e namorado visitar Tiradentes, São João Del Rey, Congonhas, Ouro Preto, Mariana...
Lugares super especiais que tenho certeza que vão me trazer boas energias para começar esse ano.

Para vocês que ficam, meu até logo!
Uma ótima semana pra vocês!


Segunda-feira, Dezembro 31, 2007



"Minha casa foi tomada por flores.
Tragam copos, tragam vasos para a invasão das cores.
Minha casa foi tomada por flores.
Venham almas e retalhos: vou repartir canções."
(Sílvio Rodriguez)


Esse é o último dia de um ano que foi ótimo pra mim.

Muitas surpresas boas.
Poucas perdas.
Um balanço totalmente positivo.

Pela primeira vez vou passar a virada em Copacabana e estou um tanto ansiosa.
Prometo que volto pra contar como foi.

Que 2008 seja uma delícia pra você.
E que possamos nos ver mais.
Sempre mais.

Beijo da Dona do País.


Sábado, Dezembro 15, 2007


"Lá o tempo espera, lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar"
(M. M.)




Ontem foi meu aniversário e minha casa se fez de Vilarejo com todas as suas portas e janelas abertas para quem quisesse chegar. No entanto, uma chuva torrencial se fez de cortina pro meu cenário feito com tanto cuidado pra quem quisesse olhar. Valeu a pena o esmero e o cansaço, só pra ver a Arte tomando conta do olhar de cada um que se permitiu participar. E assim, ".As Maravilhas de Alice - O Sarau." foi um sucesso no meu coração.

Quisera eu que você também estivesse aqui pra ver de perto a delícia que foi.
Quisera eu ter poder descrevê-lo pra você.

Beijo grande e ano que vem tem mais...

p.s: um agradecimento especial para cada um dos meus amigos que divide comigo esta paixão pela Arte e pela vida.

Terça-feira, Dezembro 04, 2007


Maria Martins, "O Impossível"


“Eu adoro comer doce de banana com garfo e odeio esperar quem quer que seja. Não quero casar porque tenho medo da separação e não quero ter filho porque não quero ser mãe. Se ainda fosse pra ser pai. Tenho estado distante das palavras como um exilado que vê da janela do avião seu país acenar de longe. Eu tenho vergonha de acenar. De chorar vendo meu próprio reflexo sofrido. Então eu finjo que esqueço e invento novas bobagens. Pedaços de distração que logo somem na poeira inspiradora que é lidar com diversas artes. Uma hora quero pintar, outra hora quero inventar e o tempo vai passando sem que nada de concreto se realize a não ser restos de nuvens empoeiradas e sujas. Nada que valha a pena. Tudo anda bem até demais e isso preocupa. Mania eterna de sofrer antes da hora. Não gosta do natal porque lembra começo de ano e o ano só começa depois do carnaval, o que ela realmente odeia. Não sabe nem porquê. Aliás, não sabe de nada. Não sabe a capital da Austrália. Confunde Di Cavalcanti com Portinari. Não faz idéia do que sejam vetores. Não consegue nem lembrar direito a ordem alfabética de todos os seus amores. Passa horas distraída com móbiles vindos do espaço de sua imaginação super desenvolvida. Se desapercebe toda. Esquece suas próprias preferências. Não respeita seus próprios limites. Se camufla atrás de uma imagem bonita e colorida, escolhida a dedo. Virou uma mancha de si. Do que foi. Do que poderia ter sido. Teoria da auto-sabotagem que a persegue faz tempo. Teoria que também é mentira. Porque faz tempo que a verdade não vem visitar seus olhos de escudo ofuscante. Límpidos como seu pára-brisa em dia de chuva de granizo. Ela tenta acompanhar o movimento, mas se cansa. O peso que carrega no peito faz doer todo o resto. Já desistiu das sandálias. Há sombras nos pés descalços. O cabelo já não é o mesmo e isso dói mais do que ela pode suportar. Tem pensado em começar tudo de novo, mas dá um medo de desistir novamente no caminho. Não sabe ainda o que poderia ser diferente. Não sabe se conseguiria mudar, encontrar a ponta do durex perdida. O barulho do ventilador ainda irrita. O doce ainda é gostoso. E a alface é verde demais. Barragem que cede fácil. Tem mil e uma vontades diferentes em intervalos diminutos, difíceis de acompanhar. A miopia que a faz olhar tudo de perto torna cada vez mais embaçado o mundo aonde ela gostaria de estar.”

(.Estranheza. 03.12.2007.)


Quinta-feira, Novembro 22, 2007


“Se quiser me ajudar
Pergunte primeiro se eu preciso
E se for me ajudar
Entenda primeiro como
Se quiser que eu te reconheça
Então me diga teu nome
Ou se quiser mais poesia
Então me cante tua canção

Se for me guiar
Não me empurre a tua frente
Seja minha estrela guia
Abrindo caminho pra mim
Se quiser que eu veja algo
Não aponte, faça a ponte
Com palavras, descrição ou então me leve ate lá

Se quiser me entender
Não precisa esforço, não há nada de mais
Assim como você e todo mundo
Sou diferente de todo mundo
Sou única, sou cigana, sou do samba e sou da paz
Se quiser entender meu problema
Feche os olhos e se olha
Veja suas idéias gastas e entenda que eu não tenho problema algum
Tenho apenas uma maneira diferente de ver o mundo

Me dê então um beijo daqueles que só você sabe dar
Pra quê que a gente precisa ver?
Sabe lá
Me cante aquelas canções que só você sabe cantar
Pra quê que a gente precisa ver?
Sabe lá

Quem não é diferente, me diz?
Quem não tem dificuldades?”

(Sara Bentes – “Pra quê?)


A cada dia que passa eu tenho mais certeza do poder transformador da Arte e da Beleza na vida das pessoas.
Ontem meu dia se iluminou desde o momento em que ouvi essa música.
Desde o momento em que conheci o trabalho de Sara Bentes.
Quer iluminar o seu também?
Vem aqui: www.sarabentes.com
Visita mais que inspiradora que vale muito a pena.

Beijo pra vocês.

Sábado, Novembro 10, 2007

"Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim."

(Ana Carolina e Jorge Vercilo)

Ontem fui ao show da Ana com Caterine e Bê.
Nem preciso dizer que foi sensacional.
Companhias certas no lugar certo.

Algumas fotos pra vocês...


Domingo, Novembro 04, 2007


Os dias têm sido propícios...

Eu me mudei.
Cortei o cabelo.
Gastei um pouco de dinheiro.
Comprei meu carro.
Fui ao show do Teatro Mágico.
Quase terminei meu namoro.
Fui chamada pra dar aula no Estado.
Comecei a monografia.
Pintei um novo quadro.
Comprei mais um vestido.
Pedi um cartão de crédito.
Atualizei meu endereço.
Terminei de pagar o seguro do carro.
Me decepcionei com um amigo.
Me encantei com outro.
Passei mal nas tardes de calor.
Adorei andar de carro no frio.
Visitei um novo shopping.
Fui ao cinema sozinha.
Me acabei numa festa ridícula.
Fiquei longe do computador.
Mas isso você já sabia.

Nada disso é motivo pra ter ficado tão longe.
Distância é coisa que não se explica.
Só se perdoa.

Tenho estado longe de tantas coisas que eu não gostaria.

Desculpe pela demora.
Ela não tem razão de ser.

Beijo.

Segunda-feira, Setembro 24, 2007



"Ainda bem que você vive comigo." (Vanessa da Mata)

Meu domingo foi tingido com todas as cores dela.
Lindas cores por sinal.

Beijo a todos e uma semana iluminada...

Quinta-feira, Agosto 23, 2007




"Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
refazendo minhas forças, minha fonte, meus favores
tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

estou podando meu jardim
estou cuidando bem de mim"

(Vander Lee)



“Meu jardim está de mudança. Tem uns moços estranhos que entram e saem a todo momento carregando embalagens grandes e pesadiças. Há escadas escoradas nas paredes e baldes de tintas pra todos os lados. O cheiro forte anuncia novidade e medo, porque eu não sei experimentar novidade sem receio. Nos corredores, ecos que inspiram canções distantes e nas janelas, faltam as cortinas com sua beleza velada. O piso respingado reclama da poeira, enquanto os lustres rugem de dentro de suas embalagens. Andam ansiosos para se derramarem pelo teto de sancas bem alvas. Os livros esperam aflitos por serem colocados dentro de caixas de cor apagada e as louças tremem de medo de por acaso serem esquecidas por sob a pia. Choram a cama e o guarda-roupa pelo momento de serem desfeitos. Temem por um parafuso que possa vir a ser perdido. As paredes respiram aliviadas sem o peso bonito dos quadros e tudo parece ficar um pouco menor. As roupas ficam confusas diante de tanta arrumação de repente. São jogadas às pressas dentro de sacos espaçosos e barulhentos. Os sapatos se confundem aos pares na correria de não se largarem de perto das roupas. Os lençóis acordam atordoados de dentro do armário. Explicam as fronhas que se trata de mudança, como há muito não se via. Os talheres indagam se isso não seria precipitado. E a mesa, com sua sabedoria de anos, explica que os humanos são assim desde sempre. Precisam de espaço e pra isso não pensam duas vezes em mudar de suas tocas para outras mais seguras ou maiores ou mais bonitas. Da cozinha ela já sabe tudo de cor. Sempre é uma das últimas a seguir viagem, então por isso pode dizer com todas a palavras o que virá a seguir. Forram-se os tapetes. Levam-se os sofás. Por fim ficam apenas os armários vazios com suas marcas antigas e que trazem tantas lembranças. Uma mão de criança pequena. Um mosquito amassado faz tempo. O arranhão da escada que de repente se descobriu ser grande demais para estar ali naquele espaço. Tudo é motivo pra se relembrar e reviver. No ar, além da presença inquietante dos ácaros em folia, nostalgia e saudades pra todos os lados. Sentimento estranho do que vai ficar e do que está por vir. Será que a água é escassa? Será que enche quando chove? Será que entra ladrão? Mosquito não tem jeito, tem aonde quer que a gente vá. Vamos começar tudo de novo. Dessa vez queria uma tela na janela. Uma cama grande num quarto maior. Uma sala sem tv. Queria sossego por todos os cantos e uma Internet banda larga de valor. Entrar com o carro na garagem sem suar frio. Pintar com o cavalete na varanda. Dormir na rede na varanda. Ficar totalmente à toa na varanda. Ter, enfim, uma varanda. Porque é sempre dela que eu consigo ver o horizonte que me anuncia que pode ser que essa seja uma mudança definitiva pra esse país das maravilhas que eu estou prestes a conhecer.”

(.De mudança. 23/08/2007 – 22:53h)



Quarta-feira, Agosto 01, 2007



“Tudo começou com uma rolinha morta no meio da sala de aula. Eu falava de cores primárias quando ela do nada pareceu entrar pela janela se debantendo toda. As crianças correram de medo e de folia e tudo virou uma grande algazarra. Doeu chegar perto dela no chão e vê-la com o pescoço quebrado, tentando em vão voar. Será que ela não tinha visto a madeira da janela? Tanto lugar pra voar, porque foi cismar de entrar aqui nessa sala? Deu vontade de chorar e de sair correndo, mas eu fiquei e continuei minha aula. Abatida. Abalada. Uma parte de mim tinha morrido com aquela rolinha e eu não sabia porquê. Era apenas uma rolinha. E isso me fez pensar em tantas outras coisas que me fez desatar no choro, depois, em casa com calma. Tudo em mim estava seco como o tempo em Minas. Minhas mãos. Meus lábios. Meu rosto. Uma sensação profunda de desgosto. De abandono. De descaso. E então eu chorei por causa da rolinha. Chorei pela capa dos jornais de hoje que me chocaram. Chorei porque Isabel vai nascer num mundo que anda muito mais do que complicado. Me senti cansada demais. Velha demais. Sozinha ao extremo. Que mundo é esse que não me deixa ter o carro que eu quiser? A casa que eu quiser? Que vida é essa que limita meus passos impondo hora de voltar pra casa como na era da ditadura? Toque de recolher mascarado, caso eu não queira ser rendida por assaltantes armados bem no meio da minha calçada. Porque no dia de hoje segurança não é mais substantivo feminino que significava amparo, afastamento de todo o perigo. Hoje segurança é o nome de uma loja onde eu preencho um relatório e pago muito caro por um pouco de sossego pra sair com meu carro novo pela rua. E o meu choro tem esse gosto de desgosto tão profundo por se saber sem solução. Um desgosto em saber que a culpa não foi da rolinha, em entrar imprudente pela minha sala. Ela estava quieta em seu ninho, feito com muito esmero, sobre nosso ventilador. O que doeu muito mais foi saber que ela havia morrido por causa de um aluno que supostamente estava com um pouco de calor.”

(.Toque de Recolher. 01/08/2007.)


Terça-feira, Julho 17, 2007



"E quando o nó cegar, deixa desatar em nós." (F.A.)


“O meu amor me ensinou que sonho é pra se realizar, porque senão a gente fica só na vontade e isso é coisa de gente mimada e chata. O meu amor me ensinou que beijo tem que ser longo e apaixonado, como se a vida fosse uma eterna e bonita despedida no portão de casa. O meu amor me ensinou que televisão de noite se vê de luz apagada, porque a lâmpada esquenta e pode deixar o quarto uma sauna. O meu amor me ensinou que o leite se toma sempre gelado, que o feijão fica sempre por baixo e que batata só serve se for frita e com sal. E que churrasco é paraíso, que guanará é uma delícia e que pudim tem que ter um misterioso ponto todo especial. Ele me ensina o mundo ao seu modo e às vezes eu me canso de aprender. Às vezes eu finjo que esqueço. Às vezes eu esqueço mesmo e o que sobra é uma avalanche de reclamações vindas por todos os lados, que na maioria das vezes eu até acho engraçado. Porque até como reclamar o meu amor tem me ensinado. O meu amor me ensinou que beleza não põe mesa e que um coração sincero pode iluminar toda uma sala com apenas um sorriso. O meu amor me ensinou que música é bom de qualquer jeito e que às vezes uma voz pode até atrapalhar. O meu amor me ensinou que o futuro não está tão distante, que o presente serve pra muita coisa e que fé não é só uma palavra bonita de duas letras. Porque o meu amor me ensina a cada dia como é ter fé nas coisas e nas pessoas e porque pra mim ele é o maior exemplo de sucesso em andamento. Shopping em expansão. Integrante novo em banda. Pé de criança. O meu amor me ensina a cada dia como faz pra ter esperança sem a gente ter que esperar que o mundo nos dê um presente de volta. O meu amor me ensinou a abrir uma linda porta pra onde eu quero olhar para o resto dos meus dias.”


(.Coisas de meu amor. 16/07/2007.)


Quarta-feira, Junho 20, 2007





"Tem horas que a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só."
(Fernando Anitelli)


"Porque o que eu queria era arrumar a casa pra bem recebê-los. Faria uma boa faxina. Esperaria com as portas abertas e a mesa posta com esmero. O pão seria fresco e o café passado na hora. E vocês me contariam de todos os lugares em que estiveram. De todos as paixões que cometeram. De todos os olhares que deslumbraram. A tarde passaria vagarosa, sem nenhuma pressa. A conversa seria longa, como aquelas em que o assunto nunca acaba. Eu lhes mostraria meus cd's e meus quadros e falaríamos sobre música boa. Depois caminharíamos pela orla sobre o olhar curioso de Copacabana, conduzidos por sua brisa até o Arpoador, onde brincaríamos de roda e brindaríamos a vida com essa pura e simples felicidade que seria estarmos juntos. A vista sorriria feliz com nossas cores, nossas fitas, nossos sons e com o brilho sincero de nossa folia. E como num passe de mágica todo o Rio aos poucos se desmancharia em novas cores e as pessoas na rua seriam só sorrisos, como num grande arrebatamento de felicidade coletiva. Dos céus a Arte acenaria satisfeita por ver enfim seu papel cumprido com maestria aqui na Terra. Suas infinitas facetas reunidas num só olhar, caminhando lado a lado. E assim voltaríamos para casa leves e nos encontraríamos sempre que quiséssemos por termos encontrado enfim o caminho certeiro e mágico dos nossos sonhos."


(".Paisagem Onírica." - 20/06/2007 - 14:20h. De uma lan no centro da cidade.)


Porque eu queria que vocês fossem muito bem-vindos em minha cidade.
E porque eu queria fazer isso pessoalmente.

Nos vemos no dia 23 de junho.

Beijo grande!

p.s: para todos os que já são de casa, espero ansiosa os comentários sobre minha matéria lá no Revista MPB:
www.revistampb.com.br

p.s: fala sério que você ainda não comprou o ingresso pra vê-los! Por favor:

O Teatro Mágico
Circo Voador
Rua dos Arcos, S/N - Lapa - Rio de Janeiro - RJ
Data: 23 de junho de 2007 (sábado)
Horário: a partir de 22h
Abertura: Banda 3 Steps
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)


Domingo, Junho 03, 2007




"Eu quis tanto um amor e ele veio.
Mas agora como faz pra trazer de volta a poesia?"



"Vinha passando pela rua quando encontrei. Olhou bem fundo em meus olhos. E eu mirei os seus. Num instante mergulhei naquele mar. Que olhos eram aqueles. Não entendi porque dentre tantos na rua, foi logo de mim se aproximar. Tinha movimento. Tinha pessoas caminhando na calçada. Tinham carros velozes nas ruas. Porém, aqueles olhos simplesmente ignoraram tudo isso e se puseram somente a me olhar. Ficaram ali. Olhando. Olhando. Eu até que tentei prosseguir em meu caminho. Estava atrasada pra reunião das seis. Ia ser chato chegar depois e inventar uma desculpa. Mas o tal do olhar me agarrou de uma maneira que eu não tive como ir. Não sem ele. Cheguei a pensar em como seria trazê-lo pra mim. Como faria pra cuidar daquele céu. Mas fiquei com medo. Não sabia se podia pegar aquele azul e trazer pra minha vida assim, sem me envolver em maiores confusões. Nunca gostei muito de mudanças e nem de surpresas, apesar de já ter me mudado de casa exatas doze vezes. Mas dessa vez seria diferente. Eu teria que me doar. Eu teria que abrir meu coração para aquela vida que eu mesma fui buscar. Eu teria que me comprometer. Além disso, eu teria que me arriscar em não ser amada de volta. Pelo menos não do meu jeito. Eram tantos os perigos bobos pelos quais eu sentia medo que nem percebi quando minhas mãos pegaram aquele pequeno gato no colo. E daí se ele não me amasse? Pelo menos a culpa não ia ser minha."


(.Olhares Azuis. 10/10/2001 - 16:41h)


Quinta-feira, Maio 10, 2007




"Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior." (F.A.)


Quando a imagem desfocar,
Quando o soluço passar,
Quando a vontade deixar de ser necessidade,
Quando eu puder enxergar,

Eu prometo que conto.

Um Beijo...

Sexta-feira, Maio 04, 2007



"Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça-me um favor..."
(Fernando Anitelli)


Bom, amigos...
Estou indo essa noite a Sampa pra ver se consigo responder à pergunta da Gláucia, feita aqui em nossos comentários por esses dias.
Estou indo a São Paulo entrevistar O Teatro Mágico.

Se conseguirei descobrir o que eles são, eu não garanto.
Mas só o vislumbrar dessa idéia me enche os olhos.

Assim, queridos amigos, façam-me um favor.
Me esperem chegar.

Beijo pra cada um,
A Dona do País


Quarta-feira, Abril 25, 2007



"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais."
(O Teatro Mágico)


"Maria me inspira poesia antes mesmo de eu saber o significado de suas palavras. Maria que é menina de cabelos que brilham mais que o sol e que tem a pele mais bonita que já vi. E olha que não conheço Maria. Não sei de seus gostos que tu dizes se assemelharem aos meus. Será que gostas de melancia? Será que choras quando ouve Bolero de Ravel? Maria que é doce como os chocolates que ganhei nessa páscoa e linda como as embalagens desses bombons embrulhados em papel celofane rosa, amarrados lado a lado. Porque Maria tem a simplicidade daquelas coisas mais belas da vida que fazem a gente chorar sem nem mesmo saber porquê. Maria que é amiga de infância que se perdeu pelos caminhos do mundo e que voltou na hora mais propícia, porque já era certa sua chegada. Maria que sempre foi tão esperada. Maria que é Carolina e Luiza, mistura de todas em uma. Maria que não se cansa de visitar as palavras-poesia de minha rua. Maria que trouxe vida para um preto que andava meio desbotado. Maria que irradia alegria pra tudo que é lado. Seja sempre feliz, moça-doce-boneca-menina. E que todos os dias do mundo sejam mesmo de Maria."

(.Hoje é dia de Maria. 14/04/2007 - 12:10h.)


Terça-feira, Abril 10, 2007



"E passa horas a admirá-lo. Ele e sua barba. A barba. O dono da barba que é dela. Aquele complexo vitamínico de pêlos muito negros a penetrarem na pele que não é dela. Fio que é muito escuro. Traço firme no desenho do rosto de linhas retas. O sol traz o desbotado e uma festa colorida se faz nos tons daqueles fios bem firmados. Negros que se fazem ruivos que se fazem claros. É bonito o seu traçado e chega a ser poético a união daqueles traços todos. Sempre unidos num mesmo sentido. Apontando para uma só direção. Ela passa a mão nos fios dele como menina que descobre pelo macio do gato. Bonito de tocar. Macio de ver. O fio tece sobre ela um encanto ainda não cultivado que ela não sabe entender. A barba. O fio que cresce até onde chega a tesoura. Medida que ninguém sabe qual é a exata. Ele experimenta. A pele reclama. Folia vermelha na imensidão esverdeada. Diversão garantida de suas tardes ensolaradas. A pele. O fio. A barba. Anda muito apaixonada por esses dias."


(.Na ponta da agulha. 18/02/2005 - 15:35h)


Hoje é aniversário do menino que faz meus dias mais felizes.

Beijo, meu branco!
Amo você.

Segunda-feira, Março 26, 2007



"Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente

Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda"

(Nando Reis/ Marisa Monte/ Jennifer Gomes)



Minhas amigas do dia 26...

O dia de hoje é marcado por uma coincidência bonita que vai estar sempre comigo: o aniversário de duas grandes amigas. Amigas que por tempo de serviço e qualidade dos serviços prestados estão no topo de meu baú de tesouros guardados. Já faz alguns anos que o dia 26 de março deixa de ser um dia qualquer pra se tornar uma data bonita e poética, porque é inevitável passar este dia pensando nessas duas. Em como elas me fazem falta quando não estão por perto. Em como eu gostaria de tê-las do outro lado da rua. Em como eu sou feliz e realizada por elas terem me escolhido.

Márcia veio primeiro e se não me falha a memória, em meu primeiro ano de faculdade. O ano era 1998 e nessa época, por motivos diversos, eu não andava lá muito disposta a fazer novas amizades. Andava preguiçosa. Foi Márcia quem me puxou pela mão e me mostrou que era um desperdício de vida uma pessoa fazer faculdade sem fazer amigos. Que comemorou seu aniversário comigo mesmo sem me conhecer muito bem. Que teve e ainda tem paciência de me esperar sair da concha quando quero. E que não se importa tanto com a velocidade com que isso possa acontecer. Que me ensinou o que eram embutidos, porque ela não os come até hoje e que me mostrou com um jeito espetacular que é possível sim agradar a gregos e troianos. Ela é a aquarela mais bonita que com seu jeito divertido de viver coloriu todas as minhas lembranças de Uerj, abrindo minhas portas e janelas para uma vista que ainda hoje me encanto de ver, porque talvez sem ela eu não teria mais três amigas que eu tenho muito orgulho de ter ainda hoje. Márcia é minha diva.

Tatiana chegou num dois de junho de 2002, num momento completamente diferente de tudo o que eu já tinha vivido. Veio pela Internet sem eu nem saber direito como e posso dizer sem sombras de dúvidas que foi um lindo amor à primeira vista. Totalmente à primeira vista. Eu queria ir num show da Ana em Búzios e ela queria companhia pra não ir de carro sozinha. Marcamos em frente à Uerj numa manhã bonita de domingo e lembro como se fosse hoje da sensação de sabê-la minha amiga pra sempre. E assim foi. Tati se tornou membro da minha família, chegando a passar semanas aqui em casa. Com ela eu aprendi a dar mais valor pra minha casa, apesar da dela ser uma das mais bonitas que já vi. Aprendi a ter mais paciência com meus pais, com meus cachorros e até com minha irmã, a quem ela chama até hoje de Moreninha. Com ela aprendi que eu era a Branca e que eu podia ir muito além. Com ela aprendi serenidade, ética e sinceridade, porque ainda não conheci pessoa mais correta. Infelizmente hoje estamos mais afastadas porque ela se mudou para Salvador, o que me causou uma dor que eu nem poderia imaginar, mas nada como o tempo pra ensinar a gente que amizade é uma coisa que pode ser maior do que todas as distâncias desse mundo. Porque até isso eu aprendi com ela.

Eu queria muito que cada pessoa no mundo pudesse desfrutar desses sentimentos que eu vivi e aprendi com essas duas. E que elas soubessem que eu serei sempre grata pela delícia que é dividir meus dias com elas. Obrigadas, meninas. No dia de hoje, vocês é que são meu presente.



Sábado, Fevereiro 24, 2007





"Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber
Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva
Não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer
E isso por quê?
Diz mais
Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem
Então o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar."

(Rodrigo Amarante)


"O meu amor anda tão perdido de mim que eu tenho medo de que ele não volte pra casa."

"É sempre muito triste quando um amor se acaba. Ou quando dois corações se perdem. Ou quando duas pessoas se desencontram. Ou quando tudo isso acontece ao mesmo tempo sem nem mesmo dar tempo de se olhar pro lado. Sem dar tempo nem da gente respirar. Porque não há nada mais triste do que um amor que chega ao fim. Não há nada mais triste do que aquele sentimento estranho de perda de alguém que não se imagina. De despedida que sempre parece ser antes da hora. Porque o amor dói quando se descola do peito e aderência tardia é coisa difícil de se lidar. Ardência de praia que chega só depois do banho, por mais que você tenha usado protetor solar. Sangue pisado no dedo que você só vê dias depois da topada. Corte feito com papel fininho que dói como se precisasse de ponto. Mas tudo isso é fichinha perto de um coração partido. Porque um amor quando se acaba é como flor que seca. Um jardim que é cimentado. Uma construção antiga que é demolida. E viver no deserto já faz tempo que não é a minha praia, apesar de saber o quanto é difícil ver um amor chegar ao fim. Porque amor que se acaba é antônimo de milagre. É tristeza certeira a desabar todas as tardes. É enchente de verão que derruba sem pestanejar. O que sobra é o buraco deixado pelo vazio que se faz quando um amor se acaba. Como horizonte infinito que a gente cansa de querer olhar. Porque chega o momento em que tudo cansa. Desiste-se do beijo. Do abraço. Da alegria. Porque não há nada mais triste do que um amor que se transforma em bom dia. Intimidade que vai para o espaço deixando uma onda de desconforto em cima de tudo o que ficou. Mais triste que um amor que se acaba é olhar e ver que o seu amor se acabou."


(.Da despedida do amor. 24/02/2007.)

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

"Por onde andei
Enquanto você me procurava?
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava?"
(Nando Reis)






Estou voltando...
Me dá só mais alguns dias...








Segunda-feira, Janeiro 01, 2007




"A beleza aqui é como se a gente a bebesse, em copo, taça, longos, preciosos goles servida por Deus. É de pensar que também há um direito à beleza, que dar beleza a quem tem fome de beleza é também um dever cristão." (Grande Sertão: Veredas)


"A linguagem e a vida são uma coisa só. Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive; e como a vida é uma corrente contínua, a linguagem também deve evoluir constantemente. Isso significa que como escritor devo me prestar contas de cada palavra e considerar cada palavra o tempo necessário até ela ter novamente vida. O idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas."
(João Guimarães Rosa)



Eu quero que 2007 seja o ano das palavras.
Ditas. Sentidas. Escritas. Impressas.
Palavras.

Que elas façam deste lugar sua festa particular e seu país de maravilhas.
E que eu seja regida por elas. Sempre.
Assim, como uma bênção.

Que as cinzas evaporem com essa brisa que sopra por aqui e que todas as palavras sintam-se livres para ir onde quiserem. E que voem diretamente para o nosso coração.

Que assim seja.

Beijo pra você e obrigada pela companhia nesse ano que passou...


Domingo, Dezembro 31, 2006



"Desiventemos os dias,
atravessemos as pontes:
ainda que tudo pareça o mesmo,
o olhar,
ah este sim,
poderá ser novo."
(Maurício Veneza)



Que em 2007 possamos ser mais inspirados e bem mais inspiradores.
Que nosso olhar se deslumbre à cada esquina e que tudo pareça mais lindo e feliz.
E que tudo seja mais lindo e mais feliz.
É o que desejo para todos nós.

Beijos e felicidades...



Sábado, Dezembro 23, 2006



Gabriela Sanchez

"Mesmo quando ele consegue o que ele quis
Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na tv
O que não pode ter
E deixa de gostar
Larga mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou"

("Um par" - Rodrigo Amarante)


"Você é a serenidade que eu preciso pra terminar o meu dia com calma.
O céu limpo da minha tempestade não anunciada.
Você é o trânsito livre da minha estrada cheia de intervenções.
O ar condicionado pro meu calor infernal de dezembro.
Você é aquele texto que eu esperei com tanta impaciência.
O sabor delicado de meus dias tão sem sal.
Você é a música do meu silêncio triste.
O compasso sincopado a enfeitar meu ritmo sem maiores cadências.
Você é a estrela amarela do meu quadro sem maiores nuances.
O caminho desenhado no meu chão de rabiscos tão abstratos.
Você é o grau pra minha miopia há muito instalada.
O detalhe que traz pra perto o que há de melhor em mim e aqui."

Obrigado sempre.

Beijo.


Quinta-feira, Dezembro 14, 2006





"O que eu sinto não é pra ficar impresso em letreiro de outdoor. Eu deixo guardado com cuidado dentro da caixa bonita que alguém me deu. O que eu sinto não fica exposto como santíssimo a abençoar olhares apaixonados. Eu o escondo por sob o altar da minha predileção esquecida. O que eu sinto não pega chuva porque está sempre dentro da bolsa, ao contrário do guarda-chuva que eu teimo em esquecer em cima da mesa."

Mas hoje eu não me preocupo porque o lugar onde estou é coberto e o único risco que corro é o de me molhar com o brilho singelo de uma chuva brilhante de estrelas cadentes e certeiras.

Porque eu adoro fazer aniversário e você está cansado de saber disso.
E porque ano passado eu queria tanta coisa que hoje só me resta agradecer.
E muito.

Beijo e muito obrigada por cada visita,
Alice

p.s: acho que o sistema de comentários do Blogger resolveu me boicotar, então coloquei uma outra opção pra você poder me dar parabéns hoje. É só clicar no link (Comments) ao lado da frase e escrever normalmente, tá? Tenta aí... Beijo!



Quinta-feira, Novembro 30, 2006



"É dentro de casa que o céu começa."
(Pe. André Luna)


"Aqui é meu pseudo-quarto-secreto onde eu trago todo o meu mundo e o entrego direto pra você. O que você faz com ele eu não sei. Se leva pra casa. Se guarda pra depois. Se passa batido. Tudo isso eu não sei. Fico sabendo às vezes quando você deixa recado dizendo que foi bom e que tá tudo certo. E é nessas horas que eu fico feliz porque por um instante você foi meu e eu fui sua e fomos todos uns dos outros envolvidos em belezas discretas e ligeiras. Até porque tudo aqui foi feito especialmente pra nós. Porque sozinha eu sou só eu e aí não tem graça nenhuma brincar sem um monte de gente. O bom da vida é dividir. Alegria. Abraço. Conta. Pizza. Beijo. Cama. Doce. Meu país não é só meu e nem teria graça se assim fosse. E é só por isso que é uma felicidade quando você vem fazer visita. E eu queria ter um sofá grande e cor de abóbora que coubesse nele todo mundo que eu gostasse. E que no meio tivesse uma mesinha bonita com coisas gostosas pra gente beliscar enquanto falasse da vida e das belezas do mundo. E que da janela entrasse uma brisa constante e fria que tornasse o ambiente um lugar perfeito pra se contar toda a vida. Porque eu quero saber tudo de você. Como foi seu dia ontem. Se o almoço estava bom. Se ainda está apaixonado. Se gostou daquele cd do Tom. Eu queria que você pudesse me contar dos seus detalhes com calma. Das suas vilanias. Das suas desventuras e desejos secretos que você nem descobriu ainda. E eu queria estar junto quando chegasse essa hora só pra ver seu olho brilhando como às vezes eu vejo brilhar por aqui. Porque você sabe o que eu digo. Quase sempre você me ouve ou pelo menos tenta me compreender. Mas nem sempre a gente dialoga. Porque por trás dessa cor toda existe um doce coração que às vezes ainda se enrola em se fazer entender."


(.Sala de estar. 30.11.2006)


Meu aniversário se aproxima (14/12) e a quem interessar possa:
As Maravilhas Desejadas por Alice

Beijo e saudades...

Terça-feira, Novembro 21, 2006




"Minha beleza não é efêmera
como o que eu vejo em bancas por aí
Minha natureza é mais que estampa
é um belo samba que ainda está por vir

bobagem pouca
- besteira
recíproca nula
- a gente espera
mero incidente
- corriqueiro
ser mulher
- a vida inteira"
(Céu)


"Solte os cachorros, solte. Se despeça das delicadezas. Se regozije com as vilanias. Solte os cães, os gatos e os pardos. Se livre das pequenas rebeldias. Derrube o tabuleiro. Seja leviana. Peça a sua conta. Rode a baiana. Quebre o silêncio com teu grito de agora. Jogue longe a bagagem outrora estranha e junte seus trapos junto à Caixa de Pandora. Siga a luz desses faróis que te levarão para uma outra estrada. Jogue fora o anel, a faca e o chão. Se esvazie de tudo o que for de bom tom. Se abasteça com o sol forte nas palmeiras. E veja quão felizes são as bandeiras vermelhas. Desarrume o quarto. Perca um sapato. Não compre na promoção. Fure o pneu do carro. Fume um maço de cigarro. Morra de inanição. Sinta um pouco de inveja. Chegue atrasado na festa. Saiba dizer não. E aprenda que o certo e o errado são conceitos do passado em busca de perfeição. Duvide da dúvida. Sobre a cama jogue a toalha ainda úmida. Esqueça da data marcada. Vire a pequena jangada que virou essa sua vida sem direção. Suma sem paradeiro. Esqueça qualquer orientação. Porque difícil é encontrar beleza no trevo da sorte da palma da sua mão.

Quem sabe assim não aparece pra você o anjo que guarda toda e qualquer inspiração?"


( .Solte os cachorros.)




Quinta-feira, Outubro 26, 2006

"Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você.
Guarde um sonho bom pra mim.
Se alguém numa curva me convidar
Eu vou lá
Que andar é reconhecer
Olhar."
(Rodrigo Amarante)


Eu queria tanta coisa.
E tanta coisa já se passou.

O mês de outubro sempre trouxe belíssimas experiências pra mim.

Minhas melhores viagens foram em outubro e com elas, os melhores momentos da minha vida.
E como não podia deixar de ser, esse mês foi um tanto especial.

Sabe quando você pensa que uma coisa é tão perfeita que por instantes você acredita que não existe a possibilidade dela ser melhor do que é? Então.
Foi assim quando provei há alguns anos a batata-frita do Outback e foi assim experimentar São Paulo na companhia de Flávio e Wellington.
Que eles eram uma delícia, eu já sabia. Há anos.
Mas que eram tão delícia assim, foi novidade. Confesso.

Vai ver é aquela coisa de estar no lugar certo com as pessoas certas.
Coisa de não ter só o vento, mas todo um universo ao nosso favor.
Conspiração das boas que eu só tenho a agradecer.

Experimentei tanta coisa boa nessa viagem, que por não saber por onde começar acho melhor deixar pra lá. Acho que vocês não se importam se eu ficar com a batata toda só pra mim, não é?

E pra ilustrar, trago essas fotos.
Espero que gostem.

Beijo e até já,
A Dona do País



Não é todo dia que se pode ter olhares como esses por perto: Wellington e Flávio.


Entrada da Bienal de Arte


Graci, Ageu e Flávio


Viva o Metrô!


Museu da Língua Portuguesa: o ponto alto da nossa viagem!


Theatro Municipal


Estação da Luz


Sempre juntos...rs


Masp


Catedral da Sé


À noite na Av. Paulista


Saca o charme desse trio...rs


Alvaro: meu anfitrião preferido.


Voltando pra casa...


Terça-feira, Outubro 03, 2006



"Os livros são objetos transcendentes / Mas podemos amá-los do amor táctil
Domá-los, cultivá-los em aquários / Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas / Talvez isso nos livre de lançarmo-nos
Ou o que é muito pior por odiarmo-los / Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas e de mais confusão as prateleiras."
(Caetano Veloso)


"Às vezes a gente pensa que as pessoas são como livros numa estante. Que não importa que os anos passem. Que elas vão permanecer no mesmo lugar pra quando a gente precisar. Existem os livros que vemos sempre. Que estamos sempre consultando. Que sabemos algumas páginas de cor. E existem aqueles que a gente sabe que tem, mais que não pega pra dar uma lida faz tempo. Que não visita. Que não liga pra saber se tá tudo bem com a desculpa sincera de que não tem mais tempo. Eu tenho uma pilha de livros que eu queria ter. Eu tenho uma pilha de livros empoeirados. Eu tenho uma pilha de livros que eu nunca abri pra ver o que tinha dentro por mais que eles tivessem ao meu lado. Eu tenho uma pilha de livros que eu acho que não quero mais. E eu ando aflita por uma estante. Porque se tem uma coisa que um livro merece ter na vida além da atenção silenciosa dos nossos olhos deslumbrados é uma estante. Um local decente pra eles terem razão de ser. Para que fiquem acessíveis. Para que nos pertençam sempre. Porque têm livros que eu até esqueço que tenho e quando os encontro é como se fosse a primeira vez. Reler os mesmos livros às vezes é bom, mas não tanto como se deixar encantar por uma nova história mais uma vez. Por uma capa mais brilhante. Verniz que brilha de longe convidando pro toque da proximidade. Hoje falta um livro na minha estante inventada. Um exemplar raro e belo que fazia anos que não era visitado e que agora foi pra uma biblioteca onde ele sempre mereceu estar e que por ora eu não tenho acesso. É estranho quando a gente perde as coisas, por mais que elas estejam distantes. E isso me fez pensar até que ponto somos eternos. Até quando alguém deixa de ser um livro na estante pra se tornar uma lembrança aquarelada de um tempo remoto onde os livros que leio hoje ainda nem eram nascidos."


(.Livros. 03/10/2006 - 13:01h.)



Terça-feira, Setembro 19, 2006





"A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender." (B.G.)



A primeira exposição a gente nunca esquece...

É verdade.

Apesar de minha inesperada timidez, deu vontade de dividir com vocês essa experiência quase infantil de participar pela primeira vez de uma exposição.
Ao todo são quase 70 obras de 20x20cm de artistas da região, onde diversas texturas, olhares e emoções tentam exprimir, ainda que timidamente, toda a beleza da Primavera.
Ficou bonito. E eu fiquei feliz em fazer parte de toda essa boniteza.

E pra você que está curioso, meu quadro é essa flor vermelha feita em tinta acrílica e carvão, que toma conta da diagonal.

Meio tímido. Meio convidativo.
Primogênito.

Mas espero que vocês gostem.

E pra quem for do lado de cá, tem até o dia 6 de outubro pra dar uma conferida:

Passeio Shopping
Rua Viúva Dantas, 100 - Campo Grande
Segundo andar
De 9:00 às 20:00h


Sexta-feira, Setembro 08, 2006




"Não sou eu que me faço voar.
O alto é que me voa."
(Vercilo e Ana)



"Liberdade é uma casinha na colina onde se pode andar de bicicleta com camisa furada e chinelo sem ninguém achar que você é um mendigo exótico. Liberdade é o nome da vizinha do lado que você nunca viu, mas que sabe que existe porque ouve sua voz todo dia de manhã cantando aquela mesma canção no rádio. Liberdade é poder não se preocupar com a hora quando se está na rua e não se preocupar em ir pra rua quando se está em casa, porque você simplesmente esqueceu como é ter pressa. Liberdade é aquela paz que você não sente faz tempo, mas que ainda consegue imaginar mais ou menos como é porque assim a dizem. Liberdade é poder comprar um sorvete sem perguntar antes o preço, se preocupando apenas com a cobertura que irá combinar mais com o resto. Liberdade é querer viver mais tempo que todo mundo só pra poder chegar no céu mais tarde e fazer uma surpresa. Liberdade é querer o certo sem saber o quanto duvidoso ele ainda pode vir a ser. Liberdade é esquecer de ir ao trabalho porque ficou admirando a lua por muito tempo e acabou perdendo a hora. Liberdade é poder se despedir na hora em que quiser sem ter medo de olhar pra trás e ver o tamanho do estrago. Liberdade é conseguir conquistar o menino mais bonito da escola sem ter feito a menor força para isso porque afinal de contas amor à primeira vista realmente existe. Liberdade é sentir-se satisfeito em usar aquela camisa listrada puída e guardada há tempos num canto do armário porque ela de fato é horrorosa, mas só que te lembra momentos felizes e ninguém tem nada a ver com isso, nem mesmo sua namorada. Liberdade é sentir-se segura para tomar uma decisão sem que isso seja a coisa mais difícil do planeta. Liberdade é não se preocupar. Não duvidar. Não pestanejar. Não intervir. Porque só é livre de fato todo aquele que consegue ter sempre ao lado o sossego sagrado da santa paz de seu lar sem dúvidas."


(.Liberdade. 08/09/2006 - 00:50h)


Sexta-feira, Setembro 01, 2006





"Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo
mas não deixa ninguém ver
Por que será ?

Eu que já não sou assim muito de ganhar
junto às mãos ao meu redor
E faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz."

(Marcelo Camelo)


Esta é a primeira hora do primeiro dia de um mês que me agrada bastante.
E eu fico feliz com isso.
Por voltar ao país num momento especial.
Que hoje seja o primeiro dia de uma série interminável de dias felizes.
Até porque dias melhores sempre virão.
E porque estou bem feliz com os que estou vivendo agora.

A começar pelo delicioso show que acabei de assistir.

Pelo encontro borbulhante que tem sido meu curso de pintura com minhas idéias adormecidas.
Pelo momento perfeito que vivi hoje sentada sozinha no café do Odeon, olhando durante horas a fio edifícios que fiquei até agora sem saber se são cheios de gente ou comércio.
Pela vontade estranha que estou de fazer todos os cursos do mundo, incluindo uma pós-graduação em Arteterapia.
Pelo livro emocionante que estou devorando e que tem me trazido Clarice Lispector e Fernando Sabino mais pra perto através de suas cartas tão cheias de poesia.
Por finalmente ter registrado meus pseudo-textos.
Por ter recebido uma primeira proposta de publicação aparentemente razoável.
Por ter reencontrado a Natura em minha vida ao ponto de me deliciar com o cheiro do meu próprio cabelo.
Por ter conseguido enfim comprar uma jaqueta rosa que eu namorava fazia tempo.
Por ter um namorado que é muito carinhoso comigo e que me dá presentes sem motivo.
Por ter recebido um belo elogio de alguém que eu admiro muito.
Por ter visto minha irmã no meio da semana.
Por ter comido o rodízio da Parmê ontem, com direito a uma pizza nova de abacaxi que eu achei um arraso.
Por finalmente ter conhecido o Circo Voador. Agora só falta a Fundição Progresso.
E por ter pulado muito nessa música que é uma obra prima desse Camelo.

Gente.
Me perdoem.
Mas é que agora eu só consigo pensar em Los Hermanos.

- E Peci, a culpa é toda sua...
Graças a Deus.

p.s: não vou fazer muitas promessas pois esse é um ano eleitoral, mas posso dizer que vou tentar sempre que possível trazer meus filhotes-quadros-ilusão pra cá.
É sempre bom repartir essas coisas. E pode até ser que vocês gostem...rs

Beijo da Dona do País!



Domingo, Agosto 13, 2006

Uma rápida satisfação...

Estou sem postar porque meu computador deu pau, o post que já estava pronto desapareceu e porque com tudo isso eu perdi a vontade de ficar no computador.

A 'boa-nova' que posso adiantar é que estou fazendo um curso de pintura que está tomando todos os meus minutos de folga e todos os meus olhares, pois agora eu só penso em luz e sombra.

Beijo pra vocês e prometo que assim que o micro chegar eu tomo vergonha e volto com algo decente.

Tenham um domingo iluminado,
A Dona do País



Domingo, Julho 16, 2006


"O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência"
(Lenine)



Apesar de achá-lo um grande músico, eu não sou muito chegada ao som do Lenine. Mas essa semana, ouvindo uma música dele no rádio, eu pude perceber a genialidade desse artista que ainda hoje me soa um tanto estranho. A música em questão tem uma melodia que eu também não gostei, mas a letra ficou rodando na minha cabeça durante um bom tempo. Tempo suficiente para que eu a trouxesse pra cá. E olha que eu só trago o que eu realmente gosto, porque acho que isso aqui é lugar privilegiado, só para belezas incomparáveis. Como se eu só vivesse envolvida nessas belezas. Mas tudo bem. O que me capturou nessa letra é o domínio que o Lenine tem sobre nossa língua e sobre como ele soube utilizar isso com maestria.

Na verdade, acho que o que mexeu comigo mesmo, foi que essa letra sintetiza quase exatamente como geralmente eu me sinto em relação às coisas desse mundo. É claro que eu sei que as coisas nem sempre podem ter essa praticidade que eu vejo ser o fio condutor dessa letra. O mundo não é tão simples assim. Pelo contrário. O meu então, nossa. Tá mais pra labirinto e longe de ser simples, belo e direto, apesar de eu querer sempre que as coisas se resolvam mais facilmente. Mas acontece que uma parte de mim gosta de pensar que tem tudo ao seu controle e que tudo pode, no fundo no fundo, ser resolvido facilmente. Basta a gente querer. E querer de coração.


Tentar não sofrer a toa.
Tentar não se aborrecer por besteira.
Tentar não ter ciúme sem razão.
Tentar não julgar os outros de antemão.
Tentar perdoar sem ficar com o pé atrás.
Tentar não implicar com o outro só por diversão.

Tentar.

Apenas tentar.

Tentar experimentar como seria ter o coração tranquilo e livre de sentimentos chatos, implicantes e desnecessários.

Querer, no fundo de si mesmo, tentar ser uma pessoa melhor.
E acho que é o que eu quero tentar fazer isso hoje.

Fica a dica pra quem estiver sem ter o que fazer.

Beijo e boas férias pra vocês...

"Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
Não se submeta"



Domingo, Julho 02, 2006






"A minha tristeza hoje é verde e amarela embrulhada em plástico vagabundo e colorido que há poucos minutos brincava de enfeitar a minha rua. Porque foi bom enquanto durou. E é como todo mundo diz. Copa é assim mesmo. Quando começa, todo mundo tem chance, apesar de todo favoritismo. Predileção que não deu em nada. Hoje a minha tristeza é calma, quieta, silenciosa e escondida sob a lembrança de cada bandeira que me acenava do mastro que se tornou o meu carro. A janela do quarto do vizinho. A varanda da casa da frente. A camisa que eu comprei na véspera do primeiro jogo que quase me trouxe um infarto no miocárdio. É uma tristeza esquisita, misturada com um monte de coisa que eu ainda não sei dizer direito o que é, mas que eu já sei que dói pra caramba, principalmente quando lembro que junto comigo ainda tem mais uns cento e oitenta milhões de corações apertados como o meu e que há algumas semanas monitoravam com atenção um ônibus cheio de esperança. E que está voltando pra casa. É uma mistura de tristeza e medo de que todo aquele amor que eu estava achando um barato de ver em cada pessoa que eu via na rua se acabe. Que se esfarele, que se despedace e que suje todo o chão como vi ainda agora quando estava voltando pra casa. Medo de não ver mais aquele brilho no olhar de quem tinha orgulho de ser o que era quando começava o nosso jogo, porque eu tenho certeza de que todo mundo tem vontade de chorar quando vê o nosso time cantar o nosso hino. E é disso que eu tenho mais medo. De ver a gente perder a graça de usar esse pronome com tanta satisfação e entusiasmo. Porque eu queria que isso não morresse nunca. Porque eu queria que quarta-feira fosse mais um feriado. E porque eu queria que o dia de hoje não chegasse nunca, porque hoje a minha tristeza é vazia e desarrumada como a minha rua."



Segunda-feira, Junho 26, 2006



"Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Quando não se têm mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá para dar amor"

(Nando Reis/ Arnaldo Antunes)



Perder.
O jogo.
O trem.
O pai.
O tempo.
O chão.
O juízo.
A graça.
A vida.
A vaga.
A hora.
A casa.
A Copa.
O lugar.
O caminho.
O emprego.
O cachorro.
O brinco.
A vista.
A identidade.
A confiança.
A paciência.
A oportunidade.
A esperança.

Ganhar.
Um beijo.
Um irmão.
Um amigo.
Um abraço.
Um salário.
Uma aposta.
Uma Taça.
Uma visita.
Uma amiga.
Uma música.
Uma grana.
Um filhote.
Um dia.
Um presente.
Uma jóia.
Um prêmio.
Um livro.
Um aumento.
Um poema.
Um carro.
Uma chance.
Uma partida.
Uma dedicatória.

Porque eu queria ser a sua distração no dia de hoje.
Beijo da Dona que não é dona de nada...



Domingo, Junho 18, 2006






"Ouviram as margens plácidas do Ipiranga o brado retumbante de um povo heróico.

E nesse instante, em raios fúlgidos,

o
sol
da
liberdade
no
céu
da
Pátria
brilhou."


Copa do Mundo

O melhor:
-Sair mais cedo do trabalho
-Comprar camisa com as cores brasileiras
-Andar na rua como se fosse carnaval
-Ter orgulho de ser brasileiro
-O frio na barriga um segundo antes do gol
-A vontade de chorar dois segundos depois
-Andar por ruas decoradas
-Ver uma terça-feira virar sábado às 4 da tarde
-Saber que os melhores jogadores do mundo jogam no nosso time
-Assistir comerciais mais criativos
-Ter mais esperança

O pior:
-Correr o risco de não levar a Taça.

Porque todo o resto eu acho que a gente ainda aguenta.


Domingo, Maio 21, 2006





(Arnaldo Antunes)


Porque ele sabe dizer quase tudo por mim.
Porque arte é um negócio parecido com o que ele faz.
Porque eu queria fazer arte de um jeito parecido com o dele.
E porque eu queria que você o conhecesse porque ele faz tudo isso muito bem.

Boa semana e perdoem a ausência não anunciada...

Sábado, Abril 15, 2006




"Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular..."

(Marisa/ Arnaldo/ Bronw)


"Porque eu daria qualquer coisa pra ter escrito isso sentada do seu lado indo pra algum lugar desconhecido e bonito onde veríamos pela primeira vez paisagens tão lindas que nem respirando fundo faria nosso coração bater direito. Eu queria esse descompasso e essa desorientação. Essa falta de ar não anunciada pela beleza de um lugar bonito. De uma emoção dividida. Daquele desejo secreto e inverossímel de que aquele segundo durasse pra sempre. Eu queria ver esse céu bonito com você e descobrir que quanto mais bonita é a viagem, mais saudade a gente tem de voltar pra casa. E eu queria voltar pra casa com você. E lembrar com o olho molhado de todos os lugares que visitamos. De todas as línguas que ouvimos. De todas as fotos que tiramos. De todos os tipos de transportes e de vales que compramos. Eu queria trazer escondido na mala um pedaço de tijolo antigo como se ele tivesse o poder de nos transportar de volta a qualquer hora. Porque eu queria que você se sentisse em casa. Porque eu queria trazer o mundo pra você. Porque eu queria que nós fôssemos felizes com toda plenitude que alguém pode querer. Porque eu daria qualquer coisa pra ter escrito isso só pra quando você chegasse aqui pra descobrir todo esse mundo que eu fiz só pra você. Ainda que não seja maravilha. Ainda que tenha maravilha no nome. E ainda que eu não seja a Alice da história. Porque eu me sinto perdida quando meu coelho do tempo resolve esconder minhas palavras e porque é chato não se ter o que falar. Eu que sempre tive medo de falta de assunto. De barata de noite. De cabelo na comida. De dormir com calor. De não achar objeto procurado. Eu que sempre tive medo de tanta coisa deixo de ter medo só pra receber você aqui nesse lugar estranho e um pouco desconfortável. Sem um sofá para te receber. Sem poder te tocar enquanto falo, porque dizem que tenho essa mania. Você que fica distante por tanto tempo, mas que quando chega é só alegria. Que faz brilhar cada pedaço de maravilha que dizem encontrar por aqui. Escasso e precioso como minério. O que eu queria mesmo era que você entendesse que aqui não tem segredo. Só um pouco do mistério."

(.Tua Visita. 14/04/2006.)



p.s: Quero deixar um parabéns especial para as Fernandas da minha vida que fazem aniversário no dia de hoje. Não sei precisar o porquê, mas sempre me dei muito bem com as moças que carregam esse nome de que gosto tanto. Quisera eu que todos os nomes do mundo me trouxessem a poesia que vocês me inspiram. Um beijo especial para vocês duas...




p.s 2: Dica da semana para todo e qualquer perrengue. Três doses ao dia:

"Santo Anjo do Senhor/ meu zeloso guardador/ se a ti me confiou a piedade Divina/ sempre me rege/ me guarda/ governa e me ilumina. Amém."




p.s 3: O parabéns especial nessa quarta-feira vai para minha mãe!
A Rosa mais querida e mais amada que a do Pequeno Príncipe...




p.s 4: Quero deixar também especialmente um beijo especial pra minha amiga mais que especial FERNANDA BRANDÃO que além de ser super especial, é super especial para mim.



Segunda-feira, Abril 10, 2006




"Case-se comigo
Antes que amanheça
Antes que não pareça tão bom pedido
Antes que eu padeça
Case comigo
Quero dizer pra sempre
Que eu te mereço
Que eu me pareço
Com o seu estilo
E existe um forte pressentimento dizendo
Que eu sem você é como você sem mim
Antes que amanheça, que seja sem fim
Antes que eu acorde, seja um pouco mais assim
Meu príncipe, meu hóspede, meu homem, meu marido
Meu príncipe, meu hóspede, meu marido..."

(Vanessa da Mata/ Liminha)


Porque hoje é aniversário do meu bem.
E nada mais precisa ser dito.
Parabéns.


Domingo, Abril 02, 2006

Meus dias têm se dividido entre três pensamentos básicos que se tornaram imprescindíveis ao funcionamento normal de meus órgãos vitais. Amor, música e poesia. Poesia, música e amor, uma vez juntos e devidamente costurados, se transformam na mais perfeita arma contra todos os meus males de amor. Nitroglicerina que vai dinamitando todos os meus escudos e ponte. Que muda a minha geografia de um jeito devastador, não deixando verso sobre verso.

Tenho vivido sobre um tapete de poesia.
E tapete que não me dá alergia.

Gostar ou não já não é nem o caso.
Eu espero sinceramente que vocês sejam abduzidos por essas belezas transformadoras.

Beijo e tranquilidade.
Sempre.


1. Livro, que virou filme, que virou febre que me trouxe delírio e dormência.


"E foi mesmo na frente da igreja que a vida de Antônio deu uma volta medonha, pois, no que viu Karina, seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou Karina bem ali, no meio da praça, e a boca de Karina não disse não, e nem poderia, pois estava por demais ocupada." (Adriana Falcão - "A Máquina")



2. E é lá que eu ando presa sem querer sair, porque não sou besta.


"Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"
(Marisa, Arnaldo e Brown - "Vilarejo")




3. E definitivamente, eu também não sei por onde eu tenho andando.


"Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado e eu entendo
As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias até pr'uma criança

Por onde andei enquanto você me procurava
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava

Amor eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança
Como um dia que roubaram seu carro
Deixou uma lembrança

Que a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama

Por onde andei enquanto você me procurava
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada
É que eu deixei algumas roupas penduradas
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava"
(Nando Reis - "Por onde andei")


Terça-feira, Março 14, 2006

"Vai ver se estou

na esquina

querendo querosene

lamparina

eu tenho fibra ótica

menina

olhos ultra

violeta

no lugar do cílios asas

de borboleta

vejo até

cometa

a muralha da china enxergo lá

de cima

sou homem de fibra

menina

fibra ótica a minha visão é

ótima

vejo até poeira

cósmica

mas não passo

aspirador

assopro estrelas pra quando

você

for

menina

vejo de longe quando vem

a dor"
(Arruda)


Não sei. Só sei que foi assim.
Belo e inspirador.

Bem assim:

http://saudadedopapel.zip.net

Beijos e saudades...

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

"Mas muito pra mim é tão pouco /E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca /Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca /Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco /E pouco eu não quero mais..."
(Moska)







O melhor do meu carnaval foi uma bola de sorvete de graviola que eu tomei bem devagar pra ver se durava até quarta-feira.








Domingo, Fevereiro 12, 2006

"E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver."
(Marcelo Camelo)

É fato: eu prefiro o Camelo.
O outro me soa mais amargo.

No entanto, ouvir essa banda é como perceber sabores diferentes numa mesma colherada. O doce é de banana, mas eu sinto a canela, eu sinto o açúcar e eu sinto a banana. Tudo muito separado. O som vem muito dissociado para minhas percepções ainda não acostumadas. Como se fosse uma tela abstrata com cores muito fortes e enormes pinceladas. Uma por sobre a outra. Repetidamente. Tem hora que eu gosto. Tem hora que eu não gosto tanto assim. E tem até aquela hora em que eu desisto de tudo porque tá muito barulho. São sons estranhos. Distorções que me remetem às ilhas Galápagos. Como se eu visse animais esquisitos pela primeira vez. Fica um lado palpitando porque é estranho. Fica o outro achando incrível porque é estranho. E no meio fica a certeza de que o que agora é estranho pode ter muitos significados. Fala de amor, mas dói. É música, mas belisca. É seco, mas é doce. E é estranho.

Mas eu acho que gosto.

É. É isso.

Eu acho que gosto.

Mesmo sendo estranho. E talvez até por ser estranho.
Ou não.

Tá respondido, Peci?

Beijo e música. Estranhas ou não.
Sempre...

p.s: Marcelo Camelo é integrante da banda Los Hermanos, à qual eu me refiro.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006



Eu sou o camelo da esquerda.


"O calor que faz nessa cidade é de derreter todos os ânimos possíveis. Eu perco o sono. A tranqüilidade no estômago. E ainda por cima tenho que mudar meu caminho por causa de chuvas homéricas. Eu odeio o verão. Eu odeio as cadeiras pelas calçadas. Eu odeio o cheiro de manga que fica pela casa. Eu odeio vasilha de salada de fruta interrompendo a geladeira. Eu odeio pernilongo abusado. A roupa pesa. O cabelo incomoda. A pele mina. E a vida parece continuar numa eterna sauna a vapor sem direito a toalha. Eu me canso. Eu enjôo. Eu tenho vertigens. Eu vislumbro o momento do por do sol como quem precisa de água. E eu preciso de água. Época em que a sede parece buraco na areia perto da água. E ela ressurge. E ela ressurge. E ela ressurge. E o assunto só passa a ser esse. Nossa, tá muito calor. Diz o jornal que hoje vai chover. Enchente mata quatro em shopping. Será que vai dar praia amanhã? Eu tô cansada das mínimas e aborrecidíssima com as máximas exibidas nas pontas dos jornais. Eu tenho medo dos termômetros que marcam impiedosos números que eu nem espero pra ver mais. Eu odeio som de ventilador. A incapacidade tardia do ar condicionado. A falta de consideração das paredes da minha casa que teimam em esquentar tudo o que tem dentro como se fosse um grande prato de rabada. Casa que vira microondas no cair da tarde. Agora eu quero a geladeira. Eu quero ser uma garrafa dágua. Uma forminha de gelo. Eu quero ser uma gaveta do freezer, aquela bem lá embaixo, cheia de restos de carnes estranhas que a gente quase nem advinha. Eu quero ser o azulejo desinibido a desfrutar dos prazeres tranqüilos e refrescantes da minha piscina."


Segunda-feira, Janeiro 30, 2006






"Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito, mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?

Estou aprendendo também..."

(Rogério Flausino/ Fernanda Mello)


Sexta-feira, Janeiro 06, 2006



"Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena."
(J. E P. Garfunkel)


"O cabelo está embaraçado e o nó cisma em atrapalhar. Dói fininho quando alguém que a gente gosta vai embora. Machuca e incomoda como esse nó no meu cabelo que eu não consigo tirar. Dói no cabelo que já não fica o mesmo. Dói em mim que não consigo resolver o impasse. Permanece a dor de cabeça como brinde de um empate curioso dessa espera. É ruim quando a gente ama e se desespera porque o amor já não cabe mais na mesma caixa, no mesmo frasco. É estranho perceber que ele mudou de formato. Que o que antes se esparramava todo na imensidão bonita de seus laços, agora se desembrulha tímido pela fresta do desmaio. E é fato que já não é mais como era antes. Mas isso tem que ser pior? Se o que era antes acabou é porque não era tão bom assim. Ou assim eu gosto de tentar pensar. E me distraio com o cabelo que faz tempo que assim como esse amor já não é a mesma coisa a brilhar. Viço que tira férias. Brilho que se desacostuma. E a vida passa a ser de repente uma festa de pontas duplas pra todos os lados. Quer colorir. Experimenta por de lado. Inventa um novo penteado mas a estrutura do fio ainda é a mesma que teima em nascer de novo enrolado, enrolado, enrolado. Até fazer cacho. Ainda que suave. Só na ponta. Faz tempo que anda muito agressiva e tem certeza de que não é nenhuma progressiva que vai trazer resultado. Precisa é de tratamento. Banho de creme e de choque. Cuidar da raiz com cuidado. Benção de hidratação.

Precisa é tentar proteger a alma desses efeitos nocivos de começo de verão."

Que em 2006 você venha mais vezes e de preferência sem eu precisar chamar.
Que deixe mais comentários sem eu precisar te buscar.
E que, é claro, elogie mais o meu cabelo.

Um beijo.
E que esse ano seja um ano delicioso pra nós dois...

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

Sobre o aniversário...

Ganhei o dia, o dvd, o chinelo, o brinco, o corte novo, a saia branca, aniversário no sábado.
O cartão com limite ampliado chegou hoje.
O microondas vou comprar amanhã.
O resto tudo indica que chega até o natal...
Com exceção do céu, é claro.
Até porque os dias andam muito chuvosos ultimamente.

Beijo pra todo mundo que me deixou um recado aqui, no orkut, email, telefone, nuvens e coração. Coisa de gente que acha que fazer aniversário é mesmo tudo de bom.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005




Porque hoje é meu aniversário eu queria o dia todo calmo e fresco. Queria flores e brigadeiro. Queria surpresa boa. Queria beijo na testa. Queria visita de última hora. Queria café na cama. Queria empadinha de queijo. Queria festa à fantasia. Queria passeio no Rio. Queria ver todos os amigos. Queria pintar o cabelo. Queria que o dia durasse mais tempo. Queria notícia de novo emprego. Queria apagar vela de bolo de chocolate. Queria comprar o shopping inteiro.


Queria uma sandália preta com salto baixo.
Queria um livro que surpreendesse no enredo.
Queria um vidro novo do perfume.
Queria ganhar o dia pra não acordar cedo.

Queria um dvd de Bethânia.
Queria um chinelo de dedo.
Queria um brinco bonito.
Queria um novo corte pro cabelo.

Queria um óculos novo.
Queria uma saia branca com bordado.
Queria um microondas.
Queria um cartão de crédito com limite ampliado.

Queria um computador mais rápido.
Queria uma calça jeans escura.
Queria tinta pra experimentar pintar quadro.
Queria uma silhueta mais enxuta.

Queria um celular com câmera.
Queria uma blusa vermelha.
Queria uma saia combinando.
Queria que o aniversário não caísse numa quarta-feira.

Queria tanta coisa.
Queria o céu embalado.

Coisa de gente que leva muito a sério essas coisas de fazer aniversário.

Que bom que você veio.

Beijo e obrigada,
A princesinha do dia

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005


Inferno astral.




Domingo, Novembro 20, 2005


"Perfeição demais me agita os instintos.

Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso."
(Zélia Duncan e Moska)


"Mas meus desejos não eram nada complicados. Queria poder dormir com brisa gelada de janela aberta. Queria um canto pra chamar de seu. Queria não mais perder as canetas azuis com as quais costuma prender o cabelo. Queria ser um pouco menor e queria ter um carro. Queria pode estar sempre perto do mar, ainda que fosse só pra olhar. Queria nunca mais passar pela situação desagradável que é ter um soluço e seis graus de miopia. Queria enxergar melhor, as coisas e as pessoas. Queria tanta coisa e ao mesmo tempo não queria nada que chegava a dar enjôo em quem teimasse acompanhar de perto. Quereres tão incertos de uma alma à procura de tanta coisa. E de nada. Porque se quisesse encontrava. Ainda que demorasse. Ainda que não viesse. Ainda que tudo conspirasse a favor de seu avesso. Tinha preguiça de pensar. E sentia muito calor. Não se acostumava com a sauna de dezembro que sempre fazia naquela cidade. E o beijo estalava na boca como copo que se quebra em cima da pia. Simples assim. Andava desejando coisas estranhas. Mundos distintos. Queria provar do próprio grito pra ver se libertava a alma. E tudo voltava ao cárcere. Dependente que andava das pessoas. Não sabia como achar o caminho de seu próprio labirinto e quase torceu o menisco tentando se fazer voar. Porque era teimosa. Porque queria ver como era. Porque tinha curiosidade de cachorro farejador. Ainda que muitas vezes não gostasse dos cheiros que apareciam em seu caminho. Escrevia coisas que ninguém entendia, mas que todo mundo gostava pois pareciam bonitas. Frases de efeito que sempre soube usar muito bem. Mas era estranho se acostumar com o acaso que às vezes vinha se instalar. Acaso cheio de silêncio e súplica. Volte a escrever. Volte a desenhar. Volte para o seu lar. Mas ela fingia não escutar. Ela fingia não entender os sinais. Ela decidia que a vida não tinha mais graça desde aquela noite em que ela não conseguira voar. Maldito medo de altura. Maldito espasmo. Estranho momento. Porque coragem nunca foi seu forte. Menina estranha que era. Ora implicante ora boneca com vassoura na mão a espalhar todo o seu mal. Risco inerente até para quem conhecesse muito bem seu doce, inútil e irascível manual."


Quinta-feira, Novembro 10, 2005


"Eu poeto.
Tu poetas.
Ele poeta.
Nós poetamos.
Vós poetais.
Eles poetam."



"Escrevo porque ouço essas vozes coloridas e irrequietas a brincarem de pique dentro do quintal do meu ouvido obediente."

"Escrevo porque não sei cantar. Pintar. Desenhar ou mentir. Escrevo porque espero o final chegar. Escrevo porque não entendo. E escrevo quando não quero. Escrevo quando só o que resta é o som insistente do ventilador que fica suspenso no teto do meu pequeno e singelo quarto. Escrevo porque não sei doer em alto e bom som. Escrevo porque é mais fácil que fazer análise. E mais barato. E mais feliz. Escrevo porque não sei dizer não a certos desejos incertos. Escrevo porque o fim de uma página é como voltar para casa depois de um dia cheio na rua. Escrevo porque foi a solução encontrada pelo escape da minha alma quando ela se transborda toda por cantos nada poéticos. Escrevo porque gosto de ver o que será escrito, como pirata que segue a trilha do mapa sedento de encontrar tesouro. E eu sigo a buscar o xis. Escrevo porque preciso sempre da próxima frase a me fazer companhia em madrugadas escuras. Escrevo porque não consigo dizer. Nem quando quero. Escrevo porque me entendo com o verbo antes mesmo da palavra chegar. Escrevo porque não vejo outra saída. Escrevo porque você gosta. E volta. E me espera voltar.

Escrevo porque por ora é só o que se desejar."

(".Alguns motivos pelos quais eu ainda escrevo. E poeto." 08/11/2005 )



Terça-feira, Novembro 01, 2005



"Arame tenso sob o sol
Quem vê amor ali?
Quarando, secando, esticado sob o sol
Pronto pra molhar de amor
Arame espesso risca o céu
Quem vê amor ali?
Rasgando, rompendo, atravessando o céu
Pra descansar da dor

Rebenta a bolsa, revela ao mundo a cabeça
Quem a tiver que mereça a coroa."
(Bi Ribeiro - Herbert Vianna)


Eu gosto de postar quando alguma impressão simpática vem me visitar no meio da semana.


Só que até agora nada.



Nada.





Nada.






Nada mesmo.






Nenhum cheiro.

Nenhum filme.

Nenhuma predileção.



Ah!





Lembrei.





Eu cortaria meus cabelos por mais um pedaço daquela torta de limão.






Quinta-feira, Outubro 20, 2005

"Como um silêncio ao contrário enquanto espero escrevo uns versos
Depois rasgo."
(A. C.)




Porque esperar é a melhor saída quando você não quer o bastante. Porque esperar é mais fácil. Porque esperar é mais cômodo. Porque esperar é sempre mais tranqüilo. Porque esperar não dói. Porque esperar não machuca. Porque esperar não faz mal. Porque esperar é não acontecer. Porque esperar não dá trabalho. Porque esperar não é verbo intransitivo. Porque esperar é o mesmo que te aguardar e isso eu faço muito bem.

Porque chegar é encontro. Porque chegar é bom. Porque chegar é voltar. Porque chegar é saber. Porque chegar é poder olhar. Porque chegar é saber escolher. Porque chegar é entender o desejo. Porque chegar é estar. Porque chegar é não mais sentir saudade. Porque chegar é visitar as origens. Porque chegar é deixar de esperar. Porque chegar é querer estar perto e eu sempre quis isso também.

Porque entre esperar e chegar está o segredo.
E porque é essa a palavra do dia.
Só porque eu quero.


Segunda-feira, Outubro 10, 2005




Eu não tenho muito o que dizer.
Só tenho a olhar a vida passar como quem espera ônibus pra outra cidade.
E enquanto espero, a música me faz companhia.
Como quem espera boa notícia chegar.
E eu espero com essa música.


"Abre os teus armários
Eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços castos.
Cobre a culpa vã
Até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar.
Canta o teu encanto que é pra me encantar.
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais.

Vale o meu pranto que este canto em solidão.
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas.
Abre essa janela, a primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar.
Canto e toco um canto que é pra te encantar.
Canto para mim
Qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz.
Tristeza nunca mais."

("Casa Pré-fabricada", de Marcelo Camelo e cantada lindamente por Maria Rita)

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

"Enquanto isso, na sala de justiça..."




Alicerce. S. m. 1.Maciço de alvenaria, enterrado, que serve de base às paredes de um edifício; base, fundação. 2. Fundamento, sustentáculo. (Dicionário Aurélio)


"Andei pensando e cheguei à conclusão de que a palavra ALICERCE é derivada da palavra ALICE que é o nome dado à minha irmã pelos meus pais. E o engraçado é que ela é exatamente isso na minha vida: meu alicerce. Acho que Deus já havia pensado nisso tudo...
O que Alice não sabe é que estarei sempre pronta pra ser também sua base quando precisar, mas diante dessa situação o nome ideal seria ALINERCE.
Estou completamente disposta pra ser o alinerce de Alice e de quem precisar.
Bom, acho que essa palavra não soou muito bem...alinerce...não gostei.
O que importa é que te amo, maninha. A vida é gostosa ao seu lado, sabia?
É muito bom construir 'minha casa' com você me sustentando aqui na terra."

(Tirado de www.fotolist.com.br/alineventuri )

Quinta-feira, Setembro 22, 2005

"Durante o dia não se avisa duas vezes. Porque está claro." (Seu Jorge)





Zélia Duncan sempre teve o poder de me surpreender pela forma simples e doce com que revela meus pensamentos. Um magnetismo forte de quem se entrega inteira naquilo que faz. Ela me encanta e vê-la novamente depois de tanto tempo foi um presente. Ainda mais em plena praça XV. Um show muito bonito que me trouxe essa música que desde sexta-feira passada não sai da minha cabeça e que hoje eu ofereço quase como um pedido a você.


Se distraiam.
E muito.

Beijo.

"Se você não se distrai
O amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai
A estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce
A lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço armadilha

Se você não se distrai
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não ri de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo a fúria da tempestade

Hoje eu vou brincar
De ser criança
E nessa dança quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser

Olhando o céu
Chutando lata
E assoviando Beatles na praça

Olhando o céu
Chutando lata
Hoje eu quero encontrar você"

(Zélia Duncan e Christiaan Oyens)

Sábado, Setembro 10, 2005




Esse nome eu pinto.

Marco.
Destaco.
Escrevo.
Carrego.
Entrego.
Amanheço.
Espero.
Imagino.
Rasgo.
Decoro.
Guardo.
Entendo.
Rabisco.
Esqueço.
Cuido.
Confundo.
Gravo.
Esboço.
Desenho.
Costuro.

E

b
o
r
d
o

no meu coração.


É muito bom quando a nossa vida calha de ser entrelaçada tão perfeitamente com outra desde seu nascimento. Eu desejo isso pra cada um que hoje passar por aqui.
Ter alguém como ela na sua vida.

Beijo, irmã.
Parabéns, porque hoje é o seu dia.


Domingo, Setembro 04, 2005



Enfim, setembro...

"Sonha demais e não vive
Pensa demais e não fala
Guarda demais e não cabe
Sofre demais e não grita

Ama demais e não dorme
Chora demais e não muda
Acha demais e não sabe
Muda demais e não gosta

Sorri de menos e assusta
Tão injusta
Precisa abrir a janela
A vida é colorida e bela

Anda demais e não para
Corre demais e não chega
Sente demais e não ama
Gosta demais e não deixa

Doa demais e não pede
Luta demais e não ganha
Troca demais e não serve
Dorme demais e não sonha

Sorri de menos e assusta
Tão injusta
Precisa abrir a janela
A vida é colorida e bela"

(Jair Oliveira)


É incrível a capacidade que o ser humano tem de se deixar influenciar pelas coisas.
Pelas pessoas. Pelas melodias.
É incrível como a vida pode ser tão imensamente imprevisível e delicada.
Um acorde, uma flor, e lá se vai o humor rumo à beleza do encanto de uma nova cor.

Chegou setembro com suas cores de primavera simpática tecendo poesia por todos os lados.
E eis que eu abro todas as minhas janelas.

É essa beleza que eu quero sempre pra mim.
É essa beleza que eu quero pra cada um de vocês.

Beijo.

Sábado, Agosto 27, 2005


Frase da semana:
"Não é como eu quero. Nem quando eu quero."
('Paciência' - Frutos de Medjugorje)

"Tenho deixado as dores de lado pra não perder tempo escrevendo bobagens. Tenho tentado não me deter a pensamentos nada modestos ao esvaziar minhas bagagens. Tenho tentado viver feliz neste mundo de fantasia que eu mesma fui criar. Ainda que com falhas, já que nada é perfeito. Nem eu. Nem seu amor. E nem todo o resto. Medo de abrir a caixa tão bonita e ver de repente que o presente não condiz com beleza de sua embalagem. Chega de decepções bombásticas. Chega de decisões eclesiásticas a dirigir minhas canções. Desisti de cantar. Parei de estudar. E o trabalho é como ampulheta a contar as horas vividas longe deste país de maravilhas. Ando desempregada de minhas sensações. Pobre e sem recursos estou. Sem tempo até pra minhas bobagens de estimação, minhas escritas incertas. Estrelas que outrora iluminavam meu céu como noite em cidade do interior. Quase sem espaço pra escuridão. Hoje tudo é mais calmo. Quase sem euforia. Coração que desapercebido não se intimida com a artilharia. Sentimento esquecido de um coração que doeu. Que se deixa quieto como guerreiro cansado a observar a imensidão fria do breu."

(.Reconstruindo pontes.)

p.s. perdoem-me os aniversariantes, mas é que eu nunca gostei de agosto.
p.s.2. uma notícia boa: acabamos de passar dos 15.000 visitantes. A Dona do País agradece.

Sexta-feira, Agosto 19, 2005



"Oh, lua branca de fulgores e de encanto..."
(Chiquinha Gonzaga)

"Redonda, a sugerir infinitos.
Acesa, a iluminar chão de estrelas.
Misteriosa, a brincar com imaginações.
Austera, a ignorar desejos.
Desconfiada, a duvidar de anseios.
Estranha, a perturbar noites escuras.
Obesa, a pesar nos sonhos.
Delicada, a tocar corações.
Singela, a encantar desavisados.
Perfurada, a diminuir imensidão.
Circular, a desenhar movimentos.
Povoada, a dividir seus espaços.
Intensa, a despertar paixões.
Visitada, a registrar conquistas.
Perene, a observar gerações.
Distante, a esnobar meus olhares.

Inspiradora, a trazer meus versos pra fora.
Linda, a conduzir meus sonhos pra dentro."

(.Pra Lua. 11/08/2005 )


Domingo, Julho 31, 2005


"Se eu não sei o nome do que sinto, não tem nome que domine o meu querer."
(Moska)




"Agora seria um momento delicioso pra fazer menos calor. Pra faltar luz no vizinho. Pra se ter um repelente. Pra se ter um príncipe batendo na porta. Pra se estar nua. Pra se estar inspirada. Pra se estar intensa. Pra se estar desocupada. Pra se estar plena. Pra se encontrar uma estrela cadente. Pra se entender como um todo. Pra se perder em cada uma das partes. Pra se entregar a um desconhecido. Pra se cantar debaixo do chuveiro. Pra se beber água. Pra se derreter na chuva. Pra se perder pela rua. Pra se abordar um tema. Pra se acalmar a veia. Pra se impressionar com a vida. Pra encantar o outro.


Me sopra uma rima.
Me estende um poema.
Me indica um soneto que eu te faço meu amigo do peito e não te esqueço por agora.

Me chama pra tua festa.
Me convida pra tua casa.
Me instala na tua vida que eu prometo que não deixo você se afastar demais.

Me acalma com a tua visita.
Me diverte com a tua pista.
Me abençoa com a delicadeza da precisão de sua chegada.

Me encontra naquela hora.
Me mostra aquele seu canto.
Me encosta esse teu olhar que faz tudo valer a pena.

Me devolve a minha poesia de volta."

(.Incomodando a língua. 31/07/2005 - 19:40h)

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Que bom que você veio...

Porque eu passei o dia de hoje pensando em nós.
Feliz Dia do Amigo.

Beijo...

Segunda-feira, Julho 11, 2005

"Ainda bem que você vive comigo."


"Porque senão, como seria essa vida?"


Sei lá mesmo.

Aviso aos navegantes: por um bom tempo só vai dar ela.
É isso mesmo. Estou 'apaixonada'.
Se você a conhece, vai saber do que estou falando.
Se não, ainda dá tempo.

Acontece que essa mulher tem invadido meus pensamentos faz tempo, vocês sabem.
Mas só neste fim de semana pude enfim entender porquê: ela é maravilhosa.
Linda. Serena. Doce. Singela.
Bela como um por de sol de outono.
Simples como um resto de nuvem.
Delicada como porcelana de rosto de boneca.


Boneca que nem precisa de manual de tão perfeita.

p.s: 22/07 - Lona Cultural Hermeto Pascoal, às 22h.
Que é pra você saber que eu não estou inventando.




Segunda-feira, Julho 04, 2005

"Volto quem sabe um dia/ porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida/ nada é em vão."
(Viagem - Vanessa da Mata)


Sim, fui viajar.
Queria poder dizer que está aberta a temporada de viagens, mas acho que este ano as coisas serão mais tranquilas. Uma pena.
Passei este fim de semana em Minas.
Cidadezinha desconhecida, nem adianta perguntar.
Galo.
Acordar cedo.
Leite gordo.
Céu de brigadeiro.
Passeio matutino.
Linguiça fresca.
Almoço gostoso.
Festa junina de noite.
Igreja no alto do morro.
Estação de trem antiga.
Procissão pela rua.
Coroação de Nossa Senhora.
Algodão doce feito na hora.
Ônibus muito antigo.
Doce feito em casa.
Doce feito em casa.
Doce feito em casa.

Todo mundo sabe que eu tenho uma queda natural por doces em geral. Mas quando se trata de doces como compotas de figo, goiaba, laranja da terra e mamão verde, eu mais pareço um bloco de concreto jogado da janela de um avião a não sei quantos mil pés de altura.

Minha boca enche dágua só de lembrar.

Foi tudo relativamente tranqüilo.
Divertido até:

- Que tipo de pessoa visita o mesmo lugar, na mesma época do ano, há mais de 30 anos?
- Alguém que precisa se lembrar de que ainda se pode encontrar felicidade nas coisas simples da vida.

É. Pode ser.
Algumas fotos pra gente pensar nisso junto...




Quarta-feira, Junho 15, 2005

"Eu não sei dizer nada por dizer.
Então eu escuto"
(João Ricardo e Luli)


"Não é charme.
Não é álibi.
Não é malcriação.

Não é desfeita.
Não é falta de caneta.
Não é desconsideração.

Não é falta de tempo.
Não é perda de senso.
Não é falta de atenção.

Não é pessimismo.
Não é intimismo.
Não é aliteração.

Não é retiro.
Não é o cupido.
Não é embromação.

Não é perda de memória.
Não é o fim da história.
Não é enrolação.

Não é caso encerrado.
Não é poema guardado.
Não é término de relação.

Não é amor proibido.
Não é desejo reprimido.
Não é ponto de exclamação.

É só falta de um dia inspirado.
É só falta de céu estrelado.
É só falta de direção.

É só essa incômoda perda de sensibilidade no céu da palma da minha mão."

(.Pra entender o país. 15/06/2005 - 17:10h)


Segunda-feira, Maio 16, 2005


É que eu não consigo mais pensar em outra coisa...


"Nosso sonho
Se perdeu no fio da vida.
E eu vou embora
Sem mais feridas,
Sem despedidas.

Eu quero ver o mar.
Eu quero ver o mar.
Eu quero ver o mar.

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo,
Lembre da nossa música,
música.

Se lembrar dos tempos,
Dos nossos momentos,
Lembre da nossa música,
música.

Nossas juras de amor
Já desbotadas.
Nossos beijos de outrora
Foram guardados.

Nosso mais belo plano
Desperdiçado.
Nossa graça e vontade
Derretem na chuva.

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo,
Lembre da nossa música,
música.

Se lembrar dos tempos,
Dos nossos momentos,
Lembre da nossa música,
música.

Um costume de nós
Fica agarrado.
As lembranças, os cheiros
Dilacerados.

Nossa bela história
Está no passado.
O amor que me tinhas
Era pouco e se acabou."

("Música" - Vanessa Da Mata e Liminha)


...só nessa música.

Ouçam.
E se não for pedir demais, lembrem-se de mim.
Porque eu tenho certeza de que não há como ficar imune.

Beijos da dona de um país que anda sem vista para o mar...


Domingo, Maio 01, 2005


Um texto para procurar Alice

"O escritor resvala na sua própria ausência; quer pegar a chave pra abrir o livro-cofre onde ele mesmo trancafiou sua história. Se depara com suas próprias crias pulando pra fora da página como peixes vivos a se debaterem no chão. Só mais um pouquinho e vamos assistir novamente o encontro dos 'brancos vazios' com a grande fome de relatar com minúcias a perplexidade de estar diante do mundo cheio de veredas estranhas. Onde está Alice? Em seu país os dias são maiores, mais doces, recheados com a calda deliciosa do prazer cotidiano. Saem os anônimos e fiéis amigos de suas telas particulares e voam num 'clic' pra o país dela que também é nosso. Num instante tudo é restaurado com alegria embelezadora, chuvisco-radiante-interior que deixa a alma lavada e sem poeira, fica fácil resolver problemas depois de deglutidos os 'escritos-vitamínicos-alicianos'. Coloquei um anúncio em grandes letras no jornal de domingo, UM TEXTO PARA PROCURAR ALICE. Deram-me várias alternativas. Apostaram em 'fingimento poético', 'férias sem literatura', 'fuga da literatura', rebeldia. Como não sou de apostas porque nunca fui contemplada com nenhuma vitória, defendo a hipótese de 'retiro-promissor', aquele que promete na volta, tal qual jogão de returno, teremos torcida alegre, dribles e título. Preparo a minha sala pro 'grande dia'. As flores que a enfeitam estão dando o que falar de tão formosas! Entre achados e perdidos estou eu, debruçada sobre o glossário que não me salva com a verdade nem me condena. Desculpe se me misturei quase toda ao seu bilhete."

(Ester Chaves, Um texto para procurar Alice, Brasília - 29/04/05)


Acabei de receber este email da Ester, uma amiga trazida pela internet e que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Fiquei muito emocionada com o texto porque ele é de uma boniteza tão singela e doce, que é como se não fosse pra mim. E eu agora fico aqui procurando tantas coisas que eu gostaria de poder dizer...
Seja como for...
Ester, saiba que eu também estou procurando.

Um beijo.

Quarta-feira, Abril 27, 2005

"O desconforto anda solto no mundo
E você sempre junto
E você sempre atento
Ao que menos importa."
(Zélia Duncan)



Hoje o meu desconforto vem de uma dor bem antiga e por isso conhecida de minhas vontades incompletas.


Acabei de chegar da escola. De uma das escolas estaduais em que trabalho. Professora de arte. Há quem diga que distribuo pérolas aos porcos. Apesar de todos os percalços, nunca pensei assim. Eu realmente acredito que posso fazer diferença, ainda que milimétrica, na vida de alguma dessas pessoas. Otimismo? Presunção? Esperança. Eu gosto de olhar nos olhos. Eu gosto de chamar pelo nome. Eu gosto de dar boa noite. Eu gosto de entrar numa sala sabendo que ali terão algumas pessoas que vão sorrir pela primeira vez no dia, mesmo estando cansadas. E que esse sorriso vai ser pra mim. Ainda que às oito e meia da noite. Gentileza que gera gentileza que gera esperança de amanhã ser um dia melhor.

Eu não ando satisfeita com minha vida. Estou bem longe de ter todas as coisas que gostaria. De viver os momentos que gostaria. Até mesmo de comer certas coisas que eu gostaria. É uma insatisfação antiga, mas que antes parecia ficar amortecida pela rapidez dos dias banais que se sucediam no meu calendário. Insatisfação que hoje parece incomodar mais. Como se eu percebesse enfim que o tempo anda passando faz tempo e que a cada dia que passa vai ficando mais longe a possibilidade de se ter todo um tempo pela frente. Aos vinte e seis anos, eu acho que tenho feito muito pouco pra tudo aquilo que sonhei um dia e eu sei que não estou sendo pessimista quando afirmo isso pra você. Ou pra mim. Como em prova de vestibular que por mais que você tenha planejado o tempo, chega aquela hora em que você pensa: não vai dar mais tempo pra fazer a redação.

Não sei te dizer porque, mas parece que hoje dói mais pensar que talvez no fim das contas, eu tenha que entregar parte da minha vida em branco porque demorei tempo demais em questões de menor importância. Sentimento de perda, apesar do sinal ainda não ter batido. Incerteza doída de não ter me entregado toda àquilo hoje vejo ser a resposta mais certa. Coisa feia é a gente colocar culpa nos outros. E eu tô tentando resolver essas coisas comigo. E não está sendo fácil.

Saudosa que ando daquele personagem que tem todo um país de maravilhas à sua espera.


Sexta-feira, Abril 15, 2005


"Posso, tudo posso
Naquele que me fortalece."


Eu sei que falta um pouco para chegar maio e até pensei em esperar para postar numa data mais específica. Mas é que este poema me atingiu ainda agora e fiquei com muita vontade de trazê-lo pra mim. E pra vocês.

De adormecida que andava, pelo menos parte de algo que trago em mim parece ter sido despertada por sons bonitos visitados ainda ontem. Palavras intensas que me sacodem agora. Suspiros que eu deixo guardados para amanhã.

Ando difusa demais.

Meio turva.
Meio diluída.
Totalmente abstrata.

Ando meio perdida no que diz respeito à minha arte, embora não saiba exatamente o que ela quer de mim. Ou eu dela. Perdidas que estamos uma da outra.

Sinto saudade do tempo em que poesia era ar respirado a toda hora e todo deslumbre era pouco de diante de detalhes delicados imperceptíveis a toda gente. Às vezes sinto que deixei quebrar meu cristal mágico capturador de todas as coisas, passando a andar desapegada das sutilezas da vida. Pedaços de beleza que eu julgava saber juntar e combinar tão bem. Hoje parece que tudo anda meio se descolando, como adesivo que vai perdendo utilidade aos poucos. Como distância que chega discreta trazendo o desconforto do esquecimento.

Obrigada por virem.
Espero que gostem do poema.
Tem bastante de mim nele também.


"Árvores? Diversas, indefinidas, nenhuma.
E dependendo do terreno onde planto, florescem, fenecem e às vezes crescem.
Filhas, algumas paridas, outras quase criadas.
Livros? Em gênero e número indeterminados, li, guardei e vendi, a maior parte.
Agulhas, contas, linhas e miçangas de se perderem nos dedos,
caídas em minha caixa de vidrilhos.
E ainda me perco no tempo, nas tramas e na memória.
Distraída, sou quase esquecida. Confusa até.
No mais, me sinto perdida.
Cachos, tenho alguns.
Hoje os cabelos são ruivos, mas foram nascidos pretos para depois com o tempo, acastanharem-se.
As mãos só sabem escrever.
Minto.
Os olhos escrevem.
As mãos acariciam, quando alguém quer delas se apropriar.
Falta-me o alguém.
Os olhos foram perdidos.
Quem souber, devolva, se os encontrar.
Sou mulher de prendas, dadivosa.
Dou sorrisos e gargalhadas como o sol de fim de tarde, nos dias e nas horas.
Dou cantos e encantamentos a quem acredita em meus pedaços.
Dou chuva e concedo o sol para os olhos de quem me vê.
Entrego o vento de presente a quem ventar, mas que seja vento de ventania, que troca tudo e nunca volta ao mesmo lugar.
Gosto de achar bocas que praticam beijos e ficar com os lábios inchados de beijar.
Mas aí também já são vontades e hoje me propus a inventariar.
E assim termino aqui, inventários de maio, mês de Maria,
primeiros de alguns, pouco de todos."


(Maria Odila em www.digressivamaria.blogspot.com)


Quarta-feira, Abril 06, 2005


"Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui."
(Cidade Negra)


Essa história do falecimento do Papa me deixou com uma saudade monstro de Roma.



"Quando paro pra pensar nisso, é só fechar os olhos que ainda sinto a mesma sensação. O mesmo cheiro. Os mesmos sons. Roma se despedindo de mim sob um céu escuro de dia ainda não raiado. Ainda sou capaz de chorar da mesma forma quando lembro de todas aquelas luzes ainda mais reluzentes a passarem por mim uma última vez. Alguém tem noção do que é o Coliseu à noite iluminado? O ônibus vai seguindo por aquelas ruas um tanto estreitas e o som do Cidade Negra nunca esteve tão perto de meu coração. É verdade. Ninguém nunca irá saber o quanto eu caminhei pra chegar até aqui. A sensação de se ter um sonho realizado é como um soco no estômago que vira beijo. É como aquele aperto no peito que traz a falta de ar pra logo depois virar desmaio. Eu que ainda suspiro por ela. Sensação que eu tenho ainda agora. Uma saudade tão grande de algo que foi meu por tão pouco tempo que mais parece coisa de mulher mal amada jogada pra escanteio antes do jogo terminar. É isso. Sinto saudades. Saudade daquela que machuca e você não pode fazer nada. Só se distrair pra dor passar. Eu volto aos livros. Às fotos. E me sinto como namorada que ainda não estava pronta pro fim do namoro chegar. Eu queria voltar pra ela. Conseguir ligar a tv e ficar imune. Não reparar que ela anda aparecendo por todos os lados e que anda me fazendo um baita ciúme."
(.Com açúcar e com afeto. 06/04/2005.)


E pensar que vai demorar um pouco pra eu poder sequer sonhar em voltar a essas terras que inspiram deslumbre. Afinal, nunca haverá um lugar como Roma.

Beijo pra vocês. E perdoem o açúcar.
Ando saudosa demais.


p.s: charge 'roubada' do blog da Rô: www.garimpandobeleza.blogger.com.br

Quinta-feira, Março 24, 2005



"O tempo passa e engraxa a gastura do sapato.
Na pressa a gente nem nota que a lua muda de formato."
(Ana Carolina)


" Novamente ela reclama do tempo que anda escasso com a correria desta vida. Não sabe que o tempo só se faz presente para aqueles que não sabem o que fazer com sua presença passageira. Dinâmica dialética entendida por poucos. Capturada por alguns. Mistério de muitos encantos. Seduções. Tempo que se transborda não serve para quem precisa. Tempo que se esvai é oxigênio. Materializado na areia da ampulheta ele escorre. Se extingue. Mas não se perde. Fica lacrado na silhueta do vidro. Você quer tempo, lá está ele. Passando através de minúsculos grãos. Se tornando farto de um lado. Desaparecendo como mágica do outro. Cabe a você escolher os hemisférios. O tempo simplesmente passa, tendo você atrás dele ou não. É essa a sua função, passar através dos tempos. Eu já quis ser como o tempo. Abolir algumas palavras de meu hermético vocabulário. Pra que ficar, se posso ir? Por que esperar, se posso saber? Mas percebi enfim que de mim ele não sente falta. Quem fica, sim. E se ele passa com tanta pressa, é porque sempre viveu sozinho, sem ter por quem encontrar em sua chegada. Sem ter por quem ficar. Porém como tudo tem seu tempo, assim é melhor que ele se adiante. É passada a hora e ele não pode se atrasar.


O tempo urge.
O tempo está bom.
Vamos matar o tempo.
Ih, o tempo fechou.
É melhor dar tempo ao tempo.
O tempo da música, do som.
Vamos chegar a tempo.
O tempo agora acabou.
O tempo civil.
O tempo de relaxação.
O tempo composto.
O tempo de resolução.
O tempo da salga.
O tempo de geração.
O tempo das vacas gordas.
O tempo médio local.
O tempo de residência.
O tempo sideral.
O tempo próprio.
O tempo universal.

E assim prossegue o tempo dissolvido em opção.

Já pensou se o tempo ficasse...

Ficaria você ou não? "

(.O Tempo das Efemérides. 14/08/2001 )


Perdoem a demora.
Eu ando distraída e já faz um bom tempo que o tempo não perdoa.

Um beijo.

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005


"Meu coração tem mania de amor."
(Paulinho da Viola)


O meu também...

"E passa horas a admirá-lo. Ele e sua barba. A barba. O dono da barba que é dela. Aquele complexo vitamínico de pêlos muito negros a penetrarem na pele que não é dela. Fio que é muito escuro. Traço firme no desenho do rosto de linhas retas. O sol traz o desbotado e uma festa colorida se faz nos tons daqueles fios bem firmados. Negros que se fazem ruivos que se fazem claros. É bonito o seu traçado e chega a ser poético a união daqueles traços todos. Sempre unidos num mesmo sentido. Apontando para uma só direção. Ela passa a mão nos fios dele como menina que descobre pelo macio do gato. Bonito de tocar. Macio de ver. O fio tece sobre ela um encanto ainda não cultivado que ela não sabe entender. A barba. O fio que cresce até onde chega a lâmina. Medida que ninguém sabe qual é a exata. Ele experimenta. A pele reclama. Folia vermelha na imensidão esverdeada. Diversão garantida de suas tardes ensolaradas. A pele. O fio. A barba. Anda muito apaixonada por esses dias."


Beijos...

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005



Pra quem quiser saber, passei na prova prática do Detran hoje.
Dentro de 5 dias úteis, serei uma mocinha habilitada.


Beijos e tenham um carnaval indecente por mim...



Domingo, Janeiro 30, 2005


"Dormi como quem esquece que o mundo foi feito pra gente acordar."


"E ficou ali pensando. Chafurdando no sonho até ele chegar. Desejo que ela nem de perto pensou em conquistar. Tá esperando o infinito. Tá pensando que é bonito viver sem tempo certo pra voltar. Tem se acabado toda. Tem se afastado dos momentos que faziam ela vibrar. Agora vive pelos cantos e pelos santos que não têm nada por dentro pra mostrar. Ela espera demais. Será que não sabe que a parte boa anda escondida demais? Ela insiste no erro. Se põe distante da escrita. Se esgoela. Quase grita. Mas não encontra proteção na aparente sintonia das coisas que teimam em mudar de lugar. Sempre implicou com o silêncio dos outros. Sempre privilegiou o seu. Nunca entendeu a máquina criativa das coisas, embora soubesse obedecê-la muito bem, ainda que um tanto arredia. Silenciosa como agora. Uma hora quer sinfonia e outra hora quer ir embora abandonando tudo aquilo que hoje teima em incomodar demais. Sempre quis morar sozinha. Talvez com algumas plantas. Um cachorro com certeza. Regaria suas ilusões com sua solidão brejeira e juntas caminhariam sem pensar no depois. Nunca soube o que de fato acontecia com seus quereres tão incertos. Ela que abre a porta quase não querendo entrar. Mania estranha de não se atrair tanto pelo desconhecido. Medo de se hipnotizar com aquele olhar tão bonito. Passava o dia a olhar ali da proa o imenso mar de suas possibilidades infantis. Elas que navegavam tão longinquas atrás daquele resto de nuvem. Sentia-se atraída, mas como mergulhar naqueles mares que de longe lhe inspiravam felicidade? Caminhos de poesia por onde começaria sua viagem instigante rumo ao mundo mais distante de suas belezas-porto-cidade."

(.Calefação. 31/01/2005 - 00:40h)


Terça-feira, Janeiro 18, 2005

"Só não crio juízo porque não sei o que eles comem."



Desculpa, mas é que tá tudo muito chato.
Quando terminar de arrumar eu volto.
Beijo.



Quinta-feira, Dezembro 23, 2004


Um Feliz Natal para todos e que 2005 seja o ano dos encontros...

Amorosos.
Profissionais.
Familiares.
Pessoais.
Artísticos.
Musicais.
Internéticos.
Governamentais.


Espero que em 2005 você possa encontrar exatamente aquilo que precisa.
Seja lá isso o que for.

Um grande beijo e felicidades, sempre.
Encontro com vocês ano que vem e te espero no primeiro post do ano, ok?


Terça-feira, Dezembro 14, 2004





Dá licença que hoje é meu aniversário... rs





Quarta-feira, Dezembro 08, 2004

"Não quero medir a altura do tombo.
Nem passar agosto esperando setembro... se bem me lembro." (Zeca Baleiro)


Vocês me desculpem, mas eu tenho uma coisa mal resolvida com o natal.

É. Eu acho que, assim como Bethânia e Caetano, se eu pudesse eu matava o natal. Esquecia de viver essa época de fim de ano onde tudo cheira a data comemorativa e onde todos se empanturram com tudo o que é possível. Compras. Comidas. Desejos irrealizáveis para o próximo ano. As pessoas consomem loucamente uma idéia de folia generalizada que só virá a acabar lá na quarta-feira de cinzas.

Me irrita a loja cheia.
Me incomoda o cheiro 'natal-guardado' da árvore recém montada.
Me desespera fornada de cartões 'dez por um real'.

Pontadas no coração que me espetam de um lado.

De outro, grita a consciência incorporada pela voz da minha mãe dizendo: 'que isso minha filha, como pode não gostar de natal...'
É. Eu me sinto culpada.
Eu sei, estou longe de ser religiosa, mas me incomoda o pouco caso que hoje em dia as pessoas tem com essa data, que se tornou uma grande festa para se comprar e ganhar presentes. Enlouquecidamente.

Será que era pra ser assim?

Acho que no fundo eu sempre quis ter um natal tranquilo, bonito e poético como naqueles filmes americanos onde a neve enfeita tudo. Com frio. Espaço. Comidas gostosas e decoração.

Com frio, muito frio, porque o calor que anda fazendo nessa cidade me incomoda profundamente.

Não, eu não tô rabugenta. Nem chateda.
Só me veio isso na cabeça e resolvi 'dividir com os colegas'.

Definitivamente eu não nasci pra viver num lugar onde a manteiga derrete em menos de cinco minutos em cima da mesa.


Segunda-feira, Novembro 29, 2004

Eu sei que não é muito, mas por ora é só o que tenho...


Um sorriso e o desejo de que seu dia seja bom.





Domingo, Novembro 21, 2004


Eu sei. Eu demorei.







Mas eu tive meus motivos...

Sim, eu viajei novamente. E desta vez sem avisar.
Eu e minha digníssima irmã fomos para Curitiba e Santa Catarina.
Ela foi convidada para cantar lá e eu fui de companhia, como boa irmã que sou... rs

Nem preciso dizer que foi uma delícia sentir o verdadeiro frio, realizar o sonho bobo de passear sob uma parreira, conhecer vinículas, comer pêssego como se fosse laranja e comer maçã como se fosse goiaba. Tudo ali dando no quintal.

Fraiburgo/SC, além de ser conhecida como a Terra da Maçã, é uma cidade linda com pessoas tão acolhedoras que tudo ali parece ter sido feito pra você. Quase nem se tem saudade de casa.
Eu disse quase.

Identificando as fotos rapidamente:
- Cidade de Fraiburgo
- Barril de de 50.000l de vinho (Vinícula da Serra-SC)
- Eu e Aline sob parreiras (SC)
- Museu Oscar Niemeyer (Curitiba)
- Palácio de Cristal (Curitiba)
- As famílias que nos acolheram em Fraiburgo

Foram muitos os lugares maravilhosos que conheci, mas posso dizer sem sombras de dúvidas que o que vai ficar é essa certeza de que ainda existem pessoas nesse mundo que têm o coração puro e aberto para o próximo. E eu tô bem feliz com isso.

Tanto que nem me aborreci muito ao descobrir hoje que o concurso que fui cedo fazer foi anulado.
O que tiver de ser, será.
Não é assim que dizem por aí?

Só pra ilustrar e confessar mais um motivo da minha 'felicidade', minha primeira compra na internet não poderia ser melhor:


O novo DVD da Ana
"Um Instante que não pára"


Aff... Só de lembrar dá até um aperto na pessoa.
Mas tá beleza. Isso é assunto para uma outra história.

Beijo pra vocês e agradecimentos especiais aos que prosperam e esperam sempre.
Eu tardo e às vezes até falho. Mas sempre volto.

Um beijo.

Domingo, Outubro 31, 2004


"Eu cheguei em frente ao port?o, meu cachorro me sorriu latindo / Minhas malas coloquei no ch?o, eu voltei / Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou / Acho que s? eu mesmo mudei, eu voltei..." (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)

Vamos por partes...

Foram muitos os motivos pelos quais estive longe.
Primeiro longe de minha cidade. Depois longe do computador.
Mas o motivo foi um s?: estive infinitamente distante de minha inspira??o.

Em outras palavras, n?o tenho tido saco pra escrever. Pronto. Falei.

A viagem foi ?tima sim. Me diverti horrores. Me lambuzei toda com aquela cidade que parece mais sa?da de uma novela boa. Clima gostoso no ar e olha que eu n?o estou falando do calor. ? uma coisa estranha que circula pela sua alma quando voc? chega. Eu n?o gosto de praia. N?o gosto de pimenta. N?o gosto de calor. Mas me apaixonei por toda essa mistura que ? Salvador.

S? n?o voltei morena porque o tempo n?o ajudou.
Dizem que carreguei a chuva para l?.
Paci?ncia.

Andei muito. Me deslumbrei com cada detalhe. At? mesmo com uma mosca simp?tica que acabei descobrindo dentro de minha boca ao final de um sundae. Minha calda de chocolate havia sido premiada por um corpo estranho. Mas quem liga pra isso quando se est? olhando para uma das vistas mais bonitas dessa terra? Pelo menos tomei o sorvete de gra?a... Trago a foto pra c? assim que for poss?vel.

Fui confundida com turista. Espanhola. Francesa. Italiana. Minha beleza n?rdica (coitada!) circulando por entre meus 'parentes'. Nunca vi cidade pra ter tanto turista! Vinte e quatro horas no ar. Nossa.

Em Salvador todo dia ? feriado.
E eu fiquei um pouco incomodada com isso.

Queria aproveitar pra agradecer a todo mundo que por aqui passou. Reclamou. Deixou beijo e pediu pra eu voltar. Eu fico bem boba com essa coisa de ser querida. Qualquer um, n??

Queria dizer tamb?m que Salvador s? teve essa gra?a toda por causa de uma certa pessoa.
Tati, amo voc?.
E apesar de ter tido sempre essa vontadezinha guardada de conhecer essa cidade, saiba que s? fui pra l? pra te ver.

Para quem n?o me conhece, Tati ? minha amiga h? gera??es e por uma bobeira nossa e do destino, acabou se mudando pra Salvador ano passado. E fui l? visit?-la. Eis o motivo de minha viagem para quem havia me perguntado.

Meus dias andam corridos porque al?m de estar aos poucos colocando tudo em ordem, minha irm? far? um show aqui na Lona Cultural Hermeto Pascoal (a de Bangu). E eu, como pseudo-produtora nas horas vagas, estou correndo contra o tempo para acertar todos os detalhes necess?rios. Aproveitando a deixa, est?o todos convidados, viu? Quinta-feira agora ?s 20 horas.

Acho que pra um post j? escrevi demais, n? n?o?
Acho que n?o tenho maiores novidades.

Obrigada a todos pela eterna companhia e prometo ser figurinha mais f?cil nesses pr?ximos meses.

Eu tamb?m sinto bastante falta daqui.
Afinal, ? um dos raros locais onde posso ser dona de meu nariz.

Beijo beijo beijo.
E at? j?.

p.s: as fotos continuo devendo, mas juro que a culpa n?o ? minha. ? que Tati gravou todas em um cd pra mim e at? agora n?o me mandou. Mas assim que estiver com elas na m?o, trago algumas pra voc?s. Prometo.


Terça-feira, Outubro 12, 2004

Olha que gracinha...



Mãe. Irmã. Pai.
Tati vingativa!

Eles não são fofos?

Tati é uma amiga que de tão amiga que já virou irmã.
E foi só por causa dela que fui pra Salvador. A saudade era demais...

Ia postar só amanhã, mas recebi essa foto deles hoje e não aguentei...
Ficou tão bonitinha!
Fiquei toda boba... rs

Amanhã acho que consigo já colocar algumas fotos e contar algumas novidades...
O que posso adiantar é que o Pelourinho é mais bonito do que eu imaginava...
E olha que minha imaginação é bem fértil.

Um beijo a todos e tenham um feriado tão bom quanto o meu!

Sexta-feira, Outubro 01, 2004


Daqui a cinco dias...


Eu vou pra Salvador!


Vou voltar com cabelo enrolado.
Vou voltar falando arrastado.
Vou voltar morena e dengosa.
Vou voltar é toda prosa.

Isso SE eu voltar... rs
Brincadeira.

Dia 20 estou de volta, mas vou postar de lá antes.
Não vou perder a chance de visitar uma lan baiana.
Portanto, não me abandonem... rs

Se meus comentários continuarem ciumentos, me escrevam no email: aliceventuri@hotmail.com
Eu vou gostar.

Um beijo pra vocês e inté...
Prometo que conto tudo quando chegar...

P.s: tô ansiosa só de pensar que a próxima vez que irei postar será de lá! Em terras soteropolitanas... ai ai...

Sábado, Setembro 25, 2004





Eu nunca tive sorte no amor.



P.s: Só queria esclarecer que essa frase não é uma reclamação, um lamento ou desabafo amargurado. Isso é apenas uma constatação e nela não há juízo de valor algum. Ou seja: não há bom ou ruim em se ter ou não sorte no amor, se é que isso realmente é possível. O que digo nessa frase é: eu quero a sorte de um amor tranqüilo, pleno e amável em todas as suas condições. Um amor que possa ser reverenciado no sofá da sala de um domingo à tarde, sem qualquer desassossego. É esse o amor que eu quero e é dele que se morre. Pelo menos até segunda ordem.


Ficamos entendidos?

Um beijo e perdoem meu sistema de comentários.
Ele anda meio sentimental...


Sábado, Setembro 18, 2004


"Quero essa madona toda ela só pra mim
Fazer do seu espaço
Minha casa, meu jardim
Ficar ao lado dela
Guardar tudo pra mim
O seu beijo ardente
Mesmo quando for ruim"
(Mano Borges)


"Acho que matei um poema agora. Tava cansada. Queria dormir. Me livrar desse peso que é falta de assunto na internet. Descansar. Desliguei o computador sem nem mesmo olhar para trás. Sem nenhuma pena do que poderia nascer de mim num piscar de olhos assim. E cá teria um novo texto. Novas linhas acolchoadas a acomodar egos alheios. Corações e entranhas. Mas não. Fui má e cruel e joguei água fervendo no vaso da minha própria planta. Interrompi o processo que poderia trazer novos horizontes. Inclinados. Tracejados. Meio mal feitos. Porque dei de uns tempos pra cá de escrever como quem faz bolo com pressa, achando que já sabe a receita. Sabe nada. Tudo o que eu sabia de cór acabou perdendo a cor e eis que eu tenho um bolo solado mais uma vez. Mais uma frase pela metade. Mais um engano. Mais um descaso. A deusa da inspiração me sorri de lado querendo oferendas. Querendo encomendas e um pouco de consideração. Eu rio pra ela. E isso é sacrilégio. Eu ando pelas encruzilhadas e mexo na farofa e no espelho. Futuco o que a tigela traz dentro. Derramo o líquido da garrafa pra fora. E ela não se aborrece. Ela me olha inteira procurando motivo de tanto atrevimento. De tanta ousadia. Menina mal criada mimada por maravilhas que sempre se fizeram estar. País de cortesias. Talvez mentiras. Eu que sei da minha dor e não me aborreço ao bordá-la em seu bastidor que de quebrado me cansa o braço. O olhar e o laço. Eu não te encanto mais. Não te adesivo. Não te recebo direito. Invento todo tipo de fermento pra crescer nossa distância. Pra me afastar. Sinto-me tão sozinha. Do mesmo jeitinho de como era antes, onde solidão era festa noite adentro pra minhas palavras agora tortas cá fora. Filhotes e estranhas no ninho. Meu paradoxo preferido: a solidão que traz folia. Estrago momentaneamente poético. Crimes de amor. Porque se mata um coração, mas não se perde a rima. Lema de escritor envolvido que adora sofrimento pra compor. E perde-se um tempo daqueles na vida. Vai viver. Vai ver filho crescer. Vai ser gente grande. Vai escrever sobre o resto da gente que é o que mais importa. Larga um pouco sua dor de menino errante, abandonado ainda pequeno embaixo de escada. Dá valor pra tua carne. Bota ela no mercado. Colorido. Já que negro nunca foi sua cor. Vai ser feliz do jeito que for, liberto das escravas-palavras-malvadas e guias. Vai viver sua própria fantasia onde nossa deusa senta à mesa e anda com pé no chão como toda gente, ainda que de vez em quando você veja um lampejo de brilhante saindo bem de dentro dos olhos dela. E é nessas horas que você se arrepia e tem vontade de escancarar a janela. Pregar na porta que está ocupado. Virar escravo por toda eternidade. Mentir com a cara mais lavada e soltar aquele disparate só porque está sob os efeitos dela, hipnótica e encantadora. Intrépida e inodora. Arredia e devastadora a desinibir cofres a fora. A revelar segredos intensos. Que sabe o que quer independente da hora.

Essa força-encanto irritante que me fez levantar no meio da noite só pra estar aqui agora."


(.A Dona do País. em .Encantando Serpentes. )



Sexta-feira, Setembro 10, 2004



.Eu e Ela. .Outubro de 2002. Roma.




"Farpa quando sai do dedo.
Rodízio quando se tem fome.
Suco de pêssego pra sede.
Sono pra noite insone.
Banho quando se chega em casa.
Exame que dá negativo.
Ar condicionado em dezembro.
Mergulho após se ter corrido.
Primeiro beijo que dá certo.
Férias de fim de ano.
Notícia boa ao telefone.
Amor que enfim está chegando.
Beleza quando se apresenta.
Compra de convite tão esperado.
Sim pra aquele seu desejo.
Encontrar alguém pra ficar do lado.
Banheiro que se aproxima.
Confiança de talismã.
Ver o texto terminado
Você pra sempre como minha irmã."

(.Alívio Imediato. 10/09/2004.)


Para Aline Venturi...

Meus sinceros parabéns para a pessoa que faz com que meus dias sejam menos confusos e tortuosos há exatos 23 anos.
E que assim seja.

Irmã, você sempre foi tudo pra mim.
Minha ponte. Escada. Livro. Minha casa.
Meu farol e minha inspiração.

Eu amo você.
Um beijo.

P.s in 13/09: parabéns também para o meu cunhadão que faz aniversário hoje! Nilsinho, felicidades eternassss!!! Beijo!

Domingo, Setembro 05, 2004

"Eu não tenho nada pra contar.
Eu não tenho nada pra mostrar.
Eu não tenho nada pra dizer e muito menos pra encantar.

Eu não tenho carro.
Eu não tenho alinhamento.
Eu não tenho vistoria e nem carteira.
Eu não tenho livro de auto-escola em cabeceira.

Eu não tenho barro.
Eu não tenho tijolo.
Eu não tenho casa e nem construção aparente.
Eu não tenho sustentação que me oriente.
Eu não tenho base e nem alicerce visível.

Eu não tenho pau.
Eu não tenho pedra.
Eu não tenho música e nem a esfera poética.
Eu não tenho a cinética necessária para sua dialética de agora.

Eu não tenho calma.
Eu não tenho palma.
Eu não tenho o vazio necessário pra se nascer de novo.
Eu não tenho a casca pra se quebrar do ovo.

Eu não tenho firmamento.
Eu não tenho elemento.
Eu não tenho motor de arranque.
Eu não tenho a asa leve como se deveria para um bom enlace.
Eu não tenho hélice.

Eu não tenho panela.
Eu não tenho frigideira.
Eu não tenho o preparo concentrado do tempero que descansa na janela.
Eu não tenho o jeito e nem a organela.
Eu não tenho o gosto.

Eu não tenho o tempo.
Eu não tenho engenho.
Eu não tenho moinho e não tenho escuna.
Eu não tenho a energia pra chegar na ponta da caverna agora tão escura.
Eu não tenho o livro.

Eu não tenho verbo.
Eu não tenho o certo.
Eu não tenho o poema que precisava ser sincero.
Eu não tenho dicionário que me diga a razão do peito aberto,
desse corte profundo na alma.

Eu não tenho jaula.

Eu... só tenho alma."

(.A Dona do País. em .Inventário.)


P.s: esqueci de dizer também que eu não tenho um sistema de comentários eficiente no momento. Tenho recebido emails de alguns amigos dizendo que não têm conseguido deixar recados aqui. Sendo assim, caso seja esse seu caso, escreva-me em meu email:

aliceventuri@hotmail.com

Eu vou gostar bem.
Beijo.

Segunda-feira, Agosto 30, 2004

"Haverá paradeiro para o nosso desejo dentro ou fora de nós..."
(Arnaldo Antunes)


E será que haverá mesmo?

Sei não.
Às vezes penso que sim. Às vezes prefiro o não. Na maioria das vezes não escolho nada e tudo fica por acontecer sem receios.

Essa semana eu consegui uma coisa que eu queria muito e qual não foi minha surpresa ao não me sentir plenamente satisfeita como eu imaginava ao possuir enfim o tal objeto de desejo.

Fato que me levou instantaneamente às Olimpíadas.

Hoje, vendo a comemoração do ouro no vôlei, um repórter pergunta: 'qual a sensação de conseguir enfim sua primeira medalha de ouro?' O atleta responde sem titubear: 'sentimento de dever cumprido, de que a vida valeu a pena.'

Fiquei pensando naquilo...

O que te faria bater o coração mais rápido?
O que te faria correr 42km descalço?
O que te faria treinar 4 anos seguidos?
O que te faria perder o nascimento de seu primeiro filho?

Sentimentos que às vezes eu penso que desconheço.
E que depois vejo que desconheço mesmo.





O que faria a sua vida valer a pena no dia de hoje?




Domingo, Agosto 22, 2004

Uma imagem vale mais que mil palavras, certo?


E se eu te disser que essa imagem é o meu retrato?


E se eu te disser que ando assim, coloridamente confusa e misturada a descobrir pouso terno e paradeiro? E se eu te disser que minhas cores andam opacas e sem brilho a procurar por meus solventes? E se eu te disser que nada disso é verdadeiro e que meu castelo se dissolve a cada dia que passa? E se eu te disser que tenho medo de me misturar em você e nunca mais encontrar o meu matiz?

E se eu não te disser?



Tema de Alice
(Adriana Calcanhoto)

Se eu não disser nada
Como é que eu vou saber
Onde fica a entrada
Do castelo do querer
Qual é a resposta
Me diga, então
Qual é a pergunta?
Se eu não disser nada
Como é que eu vou saber
Onde fica a chave
Do mistério de viver.



Domingo, Agosto 15, 2004

"Eu perco a hora/ Eu chego no fim/ Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim."
(Adriana Calcanhotto)


"Eu sinto o que vejo. Eu finjo o que escrevo. Eu destilo a verdade da melhor maneira possível. Eu encaixo o detalhe da forma mais dialética ou terrível. Eu percebo. Eu mereço. Eu atalho. Eu cascalho. Eu louco do avesso. Eu sem endereço. Eu perdido no meio do céu. Eu largado por baixo do véu. Eu sem medo. Eu centeio. Eu entendo a mensagem. Eu caminho na aragem. Eu garimpo na chuva. Eu engulo o caroço da uva. Eu perdido entre pensamentos. Eu anseio de muitos fermentos. Eu sem beira nem eira. Eu sentado na cadeira. Eu paciente no computador. Eu sem mente nem virador. Eu com paz de pobre na chuva. Eu por entre a abertura da luva. Eu com mãos espalmadas ao vento. Eu sem alento. Eu de tantos mistérios. Eu de gritos histéricos. Eu de surdos caminhos. Eu de muitos sozinho. Eu sem lenço e sem documento. Eu no sol de quase dezembro. Eu espera sem paz. Eu que já não me acho mais. Eu possesso. Eu sem acesso. Eu que sem você sou nada. Eu congelado na parada. Eu entregue a muitos pensamentos. Eu sem pano em meio a vazamentos. Eu sem direito. Eu sem esquerdo. Eu sem qualquer tipo de paradeiro. Eu por aí pelo mundo afora. Eu a olhar o diabo de fora. Eu vazio sem mim. Eu cansado chegando ao fim. Eu aqui.

E você, vai pra onde?"

(A Dona do País in .Eu assim.)


Domingo, Agosto 08, 2004

PAUSA OBRIGATÓRIA PARA ALCOVITAR:

Não sei como nem porque nosso País foi indicado como um dos 10 melhores da semana no Blogger.
Além disso, estamos batendo a marca de 3200 cidadãos visitantes.
Preciso dizer que estou bem boba?
Acho que não, né?

A parte menos boa é que tive que apagar alguns comentários comerciais...
Me senti meio repressora fazendo isso, mas é que senão vira bagunça.
Espero que vocês entendam.
Beijo e obrigada pelo carinho de sempre...
A Dona do País agradece.
E agradece bem.

.12 de Agosto de 2004.



"Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria. Isso pra mim é viver." (Djavan)

Que bom que você voltou...

Como se não bastasse toda a minha ansiedade, ela ainda rouba de mim a pouca inspiração que de tempos em tempos vem me visitar. Me descompensa inteira, entregue que sou.

Ainda que paradoxalmente, estou vazia...
Aviso aos navegantes...




Sobre o show, o que tenho a dizer? Que foi perfeito?
Que perdi todas as linhas, rabiolas e pipas naquilo que foi um vendaval?
Ainda que com 1:30h de atraso, para meu total descontrole.

Os minutos que antecedem um show são os mais diabólicos possíveis, pois deixam o coração bobo. As pernas retesadas. As mãos na boca.
Eu sempre levo as mãos à boca em momentos de muita tensão.
(veja bem eu disse tensão...)

Tecnicamente foi um show com alguns erros. Uma Ana meio tensa, meio fria, meio cansada.
E como diria um amigo meu, muito ensaiada. Gravação de dvd tem dessas coisas, eu acho.

Mas curti cada momento. Enlouquecidamente, diga-se de passagem. Até a exaustão completa. Inclusive nas músicas que tiveram que ser refeitas no final, para a minha felicidade plena. Apesar de sair de lá querendo me afogar num oásis de tanta sede.

Foi algo muito esperado. Não só pelo o fato em si, pois já vi uns 17,5 shows de Ana na vida. Mas por eu saber que encontraria pessoas que não via há muito tempo. E felizmente não deu outra. Via Parque ficou pequeno num piscar de olhos bem frenéticos. Delícia que é encontrar amigos.

E mais delícia ainda é poder assistir e dividir a mesma euforia com amigos tão especiais.

Aline. Nixon. Fernandas (tenho várias na minha vida, graças a Deus). Nelsinho. Maricota. Cacá. Caterine. Bê. Rapha. Luiza (vai ter nome bonito assim na casa do chapéu). Sebastian. Andréa. Ceci.

Só gente boa.
Sorte a minha.

Um beijo pra cada um que passar por aqui hoje.
Eu tenho que confessar que ando bem boba com os comentários de vocês...
Obrigada sempre.

Domingo, Agosto 01, 2004


POST NOVO? DESCULPA. MAS SÓ DEPOIS DO SHOW DE HOJE...
É HOJEEE!!! É HOJEEE!!! É HOJEEE!!!
.07 de Agosto de 2004. Claro Hall. 22:30h.


No calor da hora, a recaída...
(vou avisando logo: estou cafona hoje)


Em toda relação, sempre chega uma hora em que algumas máscaras se desfazem.
Sendo assim, cá estou eu conscientemente retirando um pedaço dela bem na frente de todos vocês. Porque hoje eu não tenho como negar:


Eu amo a Ana Carolina.


Amo o jeito. A voz. O brilho. O carisma.
Amo ela ter ficado parada com essa cara de sacana até minha máquina resolver funcionar.
(o que demorou alguns segundos bem engraçados que a gente morre de rir até hoje)

Amo, ué. Vou fazer o quê. Me perdoa por isso.

A recaída se deu nesta fatídica sexta-feira em que minha família resolveu inesperadamente dividir comigo este momento num passeio a Teresópolis. Fomos todos passear pela serra às seis horas da tarde com um destino um tanto curioso: o show que ela faria numa das praças de lá, em comemoração ao Festival de Inverno da cidade. Muita ousadia até para os meus pensamentos mais imaginativos, mas eles toparam e o passeio deu super certo. Agora vocês é que me aguentem. Uma pseudo-escritora frenética e em ebulição, porque existem algumas coisas que têm o poder de me tirar deste limbo em que vivo às vezes. E música é uma delas. Definitivamente. E mais precisamente, a música que emana daquela alma de voz ruiva.

Meu 'problema' com Ana vem de séculos e há séculos que eu não consigo explicar. Acho que não me conformo com o fato dela se meter aonde nem sempre é chamada, me derretendo sem autorizações com sua voz de água fervente. Bloco de gelo que sou. Aquilo vai corroendo sem pena tudo por dentro, sabe? E aí é um 'salve-se quem puder'. Desligo o rádio. Sumo com o Cd. Finjo que não vejo na Fnac. Fecho o jornal com a propaganda do novo show. Desligo a tv no domingo que vai ter entrevista. Tudo pra não correr o risco de ser invadida de novo.

Papo de louco. Eu sei. Mas eu juro que não sou sempre assim.
Sábado que vem isso tudo acaba. Eu prometo.
(afinal, comprei hoje meu convite e já posso respirar em paz até lá)

Eu cometi isso ontem, mas só agora resolvi postar.
E paradoxalmente num domingo, começo de um mês que não gosto.
Mas espero sinceramente que vocês gostem, apesar de tudo...


"Sua voz me dói e delicia como queimadura de vela em noites de novidades trazendo o prazer no inesperado. Arde e ventila. Morde e assopra. Me pega de jeito nas horas mais impensáveis e aparece pra mim quando eu menos espero e quando eu desejo também, já que tê-la ao meu alcance é seu ofício. Você me desarruma toda. Bárbara e invasora de meus segredos secretos e fugidios. Você é o meu sonho mais concreto que já desisti de realizar um dia. O vestido preferido que eu deixo guardado no armário com pena de usar. O último minuto de beijo antes do recreio acabar. Você é o desejo que não é desejo e a vontade de não se satisfazer com metade. Você é aquele momento suspenso de aflição antes da notícia chegar. A visão turva que antecede o desmaio. O desfalecimento instantâneo porém rápido que não dá tempo nem de sentir o chão se aproximar. Sua voz é dúvida e indecisão de meus anseios discretos, de meus desejos mais incertos e de minha incompreensão. Ora me entrego, ora me calo mas nunca consigo a ascensão da indiferença a me salvar desses ensaios. Você me atinge sempre. E sempre me ataca certeira no centro de minhas emoções inexatas. Sejam boas ou más as intenções, você me descompensa e desvirtua. Me leva a bater na porta dos outros completamente nua a esperar maiores atenções. Voz de fogo e de trovão. Voz que me cala o coração. Divertimento e sofrimento meu. Confissões desse ouvido absolutamente seu."

(.Você que é a voz.)


Agora durma-se com um barulho desses...

Quinta-feira, Julho 29, 2004

Distração numa tarde com dor de cabeça...


Que inseto você é?


Que gracinha, né? Vi este testo no blog da Query e não resisti...
Minha primeira imagem no blog! Tô ficando tão esperta...
Sempre tive uma predileção por Joaninhas mesmo... agora descobri o porquê...
Sensível e inteligente... ai ai... ninguém merece...

Da série:

"Sem-nada-pra-fazer-numa-tarde-chata-sem-grana-e-companhia-após-reajustar-alguns-detalhes-que-só-eu-percebo-no-template-deste-blog-depois-muitas-tentativas-frustradas".


Logo hoje, numa quinta-feira...

É que eu tenho coisas com os dias.

Assim, a segunda-feira todo mundo sabe que é o dia nacional da preguiça. Não tem jeito. E nesse ano eu passei a amar as segundas pois é o único dia que não dou aula. A terça é o dia mais produtivo da semana. Geralmente temos cursos. Saímos mais tarde do trabalho. É um dia mais profissional, meio verde musgo. A quarta é dia de ficar a toa. Dia neutro. Quase branco. Sabe cor de sala? Então. Quarta é gelo-cor-de-sala. A quinta é uma graça. Linda. Super poética. Bordô na essência. Quinta é o dia mais legal, porque já é quase sexta, mas sem a pressão da sexta de ser o começo do fim de semana, entende? É quando as coisas começam a acontecer. A sexta, é claro, é o melhor dia. Super azul celeste. Sexta é ótimo porque não tem a tristeza precoce do sábado, de ser quase domingo. Porque você sai e no dia seguinte ainda tem mais. Já no sábado não. No sábado você sai e pronto, já acorda no domingo. E cá pra nós, não há nada pior do que acordar num domingo. Eu ODEIO domingo. Como diria minha amiga Sônia, eu gostaria de desmaiar todo domingo e acordar já na terça. Eu também.

Pra vocês verem que eu também escrevo bobagens e não sou a moça séria que vocês pensam... (tá, eu sei, ninguém pensa que eu sou séria né? Mas eu juro que sou... ou não.)

Ai...Alguém aí quer ir ao cinema comigo?

Segunda-feira, Julho 26, 2004

"Sofrimento amoroso: a dor mais inspiradora e mais perversa. Pois a profundidade do sentimento que acabou atinge camadas até então intocadas. Não deu certo, e você tinha toda certeza que havia achado a pessoa da sua vida. Mil desentendidos foram suficientes para acabar com tudo. E dói. Porque, se é como um edredon de penas de ganso estar amando e sendo amado, o contrário é mesmo o miserável frio." (Fernanda Young in "O Efeito Urano" )


"Por que ela escreve desse modo? Por que parece querer me enganar que suas dores não são suas dores e que seus medos são medos de um outro alguém? Já parou você pra pensar que todo escritor é um cara medroso? Quase sem escrúpulos a deslanchar traumas inimagináveis. A trazer à tona o que você sempre fez questão de guardar tão guardado. A de deixar você vexado ao ler certas palavras que não estavam nos seus planos serem lidas agora. Você aceita porque é leitor e a tarefa maior dos leitores de todo o mundo é essa mesmo. Aceitar, se emocionar e ainda vibrar com as elucidações de um poeta provavelmente mal pago e louco. Um cara que você nunca viu mais gordo mas que tem um jeito de escrever que te pega por dentro e que não te deixa sair enquanto o assunto não acaba. Esse cara, ou essa caríssima pessoa, tem esse poder. De falar de suas coisas - as suas mesmo, não as dele, como pode ter ficado mal entendido neste pronome ambiguamente mal empregado - sem ao menos te conhecer. De trazer pra borda o que você nem sabia que tinha dentro, lá no fundo. Submerso fazia tempo nas suas lembranças tão esquecidas. Esse cara se chama escritor e ganha a vida assim. Falando da vida dos outros. Da minha e da sua. Falando de suas dores tão covardemente distraídas em providenciais personagens. Ele fala é das coisas que vê, ou seja, fala do mundo à sua volta. Fala do detalhe que você apressado não viu. Fala da beleza que você esqueceu ao passar correndo pra chegar a tempo no trabalho e não ser despedido. Ele serve pra isso. Pra olhar pela gente. Pra dizer o que a gente não diz. Ele é o cara que tem a pinça. Que tira a farpa bem tirado. Com cuidado. Sem machucar. É esse seu trabalho. Curar nosso machucado de não poder ver todos os detalhes que estão ao nosso lado. Ele percebe pela gente e ainda registra. Alguns ainda melhores que outros. Alguns mais poéticos que outros. Alguns mais reais. Essa especificamente ao qual me refiro, faz questão de falar as coisas mais absurdas com um sorriso de quem espera a reação do outro desavisado. Ela pega você e a mim de surpresa. Esse é seu trabalho. E faz isso com a maior naturalidade do mundo. Escancara pro mundo o que eu jurava minutos antes ser só meu. Sabe quando você pensa uma coisa que é tão ridícula de se pensar que você por um momento acaba tendo vergonha de ter pensando aquilo pelo simples fato do medo de alguém ter ouvido a babaquice que foi aquele seu pensamento??? Então, ela é assim. Ela é aquela pessoa que você não viu que estava ao seu lado na fila do banco quando você pensou aquilo tão silencioso. Cada um nasceu com um dom. E esse é o dela. Ouvir o inaudível só perceptível a olhos bem treinados. Iluminados até, eu diria. Uma luz que me encanta de um jeito que me deixa boba. Boquiaberta. Pasma com tamanha sutileza luminótica a ponto de me fazer criar palavras. Falo isso porque acabei de ler mais um livro dela. O livro nem é tão bom assim. Não gostei muito da história. Mas ela... Ela me acena lá de dentro gritando em alto e bom som: morra de inveja e veja como sou boa. Eu apenas respondo com meu sorrisinho de canto de boca como quem diz: cacete, o pior de tudo é que é verdade. O melhor de tudo é que ela é mesmo boa. E me faz ver coisas melhores ainda. Me desperta do sono bobo e sem motivo dos livrinhos comuns. Me tira do marasmo e da mesmice do dia-dia de ser como toda a gente. Me aperta o botão observador. Me avisa que é bom ser assim. Faz ouvir meu interno despertador sem reclamar por causa da hora. Ela me desperta. Me deixa alerta. Me atordoa. Cumpre belíssimamente seu ofício de mulher sedutora a escrever minhas verdades subentendidas. Não só as minhas mas como as de todas as outras pessoas. Aciona o radar de minha proa. O danada de mulher que me faz querer ser ainda mais boa."

(.Coisas de Fernanda. 05/07/2002 - 00:20h.)

Voltando às maravilhas...

Olá a todos... estou de volta...
A viagem foi tranquila... tranquila até demais, eu diria, mas como combinamos, nada de reclamações.

Resolvi voltar com Fernanda como tema porque em minhas intermináveis horas de solidão e silêncio, reli "O Efeito Urano".
Digam o que quiserem, eu gosto dela apesar de tudo.
A convencida mais elegante e engraçada que eu conheço.

Ando com os olhos compridos em seu novo romance, mas por ora não tenho um trocado nem pra passagem. Aritmética vai ter que esperar.

Uma semana gostosa pra todo mundo e comentem sempre.
Eu me sinto bem amada... rs

Além de me sentir menos sozinha...

Beijo grande.

P.S. para um apelo básico: eu concedo um 'desejo realizado' a quem me ajudar a justificar o texto aqui do país... Alguém se habilita?

P.S parte 2 (29/07): E O 'DESEJO REALIZADO' VAI PARA KRISHA!!! Obrigada pela dica, viu? Passe em nosso serviço ao consumidor para receber seu prêmio... Bati um pouco a cabeça, mas acabei conseguindo. Como é difícil achar os lugares certos nessa linguagem louca que eu tenho a certeza absoluta de que foi criada por alienígenas... Aff...


Segunda-feira, Julho 19, 2004

"Férias sf. pl. 1. Dias em que se suspendem os trabalhos oficiais (datas patrióticas e dias santificados). 2. Certo número de dias seguidos para descanso de empregados, estudantes, etc."

Férias. Só de falar essa palavra chega a me dar um calafrio de coisa boa. É. Calafrio de coisa boa. Aquele que a gente sente quando você ta querendo aquele beijo um tempão e ele finalmente chega ainda melhor do que você tinha imaginado. Arrepio de delícia. Palavra encantadora cheia de significados bons e sugestivamente satisfatórios. Cheia de magia.

Fulano tá de férias. Hoje é meu primeiro dia de férias. Minhas férias começam amanhã.

Tem como não ser feliz quando se está de férias?

Tem.

É quando você tem quase todo o tempo do mundo para lidar com o fato de que está longe de quem realmente se gosta. Quando você não tem grana suficiente pra fazer aquela viagem que queria. Quando não pára de chover, você não tem tv a cabo e a sessão da tarde está ainda mais horrível do que de costume. Quando todos seus amigos estão em lugares divertidíssimos e você tem que fazer um passeio família. Quando...

Eu poderia falar por horas sobre todas as possibilidades existentes de se ter férias indesejadas, mas confesso que eu seria uma boba pessimista e acabaria por desencantar essa palavra pra mim e pra vocês. E vamos combinar que gente pessimista e mal amada é a pior coisa que tem.

Sendo assim, não me deixando tomar por tais sentimentos vis, desejo de todo o coração boas férias para vocês.
Obviamente contra minha vontade, estarei de volta em uma semana.

Digo contra, porque se tem um lugar onde estou permanentemente em clima de férias, este lugar é aqui. Minha eterna colônia de férias a distrair meus pensamentos voláteis e febris. Delírios imprecisos da dona desse país...

Boa semana a todos.

Sábado, Julho 17, 2004

"Não vou viver como alguém que só espera um novo amor..."

"...há outras coisas no caminho aonde vou. Às vezes ando só trocando passos com a solidão. Momentos que são meus e que não abro mão. Já sei olhar o rio por onde a vida passa. Sem me precipitar e nem perder a hora. Escuto no silêncio o há em mim e basta. Outro tempo começou pra mim agora. Vou deixar a rua me levar. Ver a cidade se acender. A lua vai banhar esse lugar. E eu vou lembrar você. É. Mas tenho ainda muita coisa pra arrumar. Promessas que me fiz e que ainda não cumpri. Palavras me aguardam tempo exato pra falar coisas minhas, talvez você nem queira ouvir. Já sei olhar o rio por onde a rua passa. Sem me precipitar e nem perder a hora. Escuto o silêncio que há em mim e basta. Outro tempo começou pra minha agora.

Vou deixar a rua me levar.
Ver a cidade se acender.
A lua vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você."

(Ana Carolina/ Totonho Villeroy)



"Você pra mim vai ser sempre como a Lua

Docíssima senhora que me desbanca
Me extravia
Descasca, escangalha
Atordoa e desvia

Pia em que lavo minhas mãos
Depois de assassinados todos os meus trovões

Solução para o problema que nunca veio
Erupção de centeio para o veio da minha fome abandonada
Você pra mim é quase nada
Me perseguindo a todo canto
Me olhando debaixo do pano
Sempre a espreitar

Indiferente que às vezes chega antes da hora
Que bóia no céu insípida e inodora
Aguardando a noite chegar
Para assim se fazer brilhar
E me arrebatar pelo mundo a fora

Você lua cheia que demora
Minha crescente inspiração
Minguante desilusão
Que a cada dia se faz nova no escuro do meu coração

Jogue seus encantos minha lua
E vem comigo pra rua brincar
Que o céu hoje está um breu
E eu não saio até você chegar."

( .Pra Lua Me Levar. )


Algumas considerações...

Engraçado como são as coisas...

Esse poema nasceu antes dessa música aparecer pra mim e qual não foi minha surpresa ao ver Bethânia cantando aos quatro ventos algo pelo menos parecido com o que eu havia escrito. Ela, que muitas vezes utiliza de sua veia ultra dramática ao destilar poemas iniciando canções em seus shows, habitou por muito tempo meus insólitos pensamentos. O que eu não daria para vê-la descalça num palco de Canecão da vida recitando meu poema como se fosse dela e cantando Pra rua me levar logo após. Muitas noites de sono ela me tomou assim. Muitos suspiros fantasiosos. Isso porque nem vou comentar minha inquietação e agonia quando Ana resolveu gravar também. Complicado lidar com esse tipo de impotência, de você querer algo tão impossível. Mas tudo bem. Todo mundo tem sua época de boboca e acho que hoje em dia já consigo lidar bem com isso. Nem a show delas eu fui esse ano. Resisti bravamente.

Mas só Deus sabe como... rs

E mudando um pouco de assunto, vocês me desculpem a repetição, mas é que eu não tenho como não deixar de agradecer os recadinhos...
Acho falta de educação não fazê-lo. Falta de cuidado, sei lá...
Seja como for, obrigada a todos!

Beijo caprichado e um bom fim de semana...

Sexta-feira, Julho 16, 2004

Meu cachorro morreu.

Quem me conhece sabe que desde que eu entendo por gente que eu tenho um cachorro vira-lata. Preto. Muito simpático. Encantador como só um vira-lata sabe ser. Pêlo pretinho. Daquele bem brilhoso. Quase azul, sabe? Peito e patas dianteiras brancas. Só na pontinha. Uma graça.

Pois esse cachorro, que pra nós sempre foi mesmo uma pessoa, já estava com 17 anos. Eu sei. É muito tempo. Mas ele continuava firme e forte. Quer dizer, quase firme e não tão forte. Até hoje, ao dar seus últimos suspiros bem na minha frente. Quase no meu colo. Logo eu, a primeira a levantar a idéia de eutanasiá-lo. Não sou boa com sofrimentos. Nunca agüentei ver dor. Que dirá de tão perto.

Ele que passou por poucas e boas.

Inumeráveis brigas com cachorros maiores que resultavam em orelhas rasgadas e fuços arranhados. Sempre foi valente.
Uma picada de abelha que fez com que descobríssemos que ele era super alérgico. Vira-lata, mas alérgico sim senhor.
Uma parvovirose. Que quase o derrubou.
Duas operações na orelha. Que o deixaram surdo.
Uma catarata. Que o cegou.
Bichos nas patas. Que eu sei que doeram horrores.

Um câncer.

Que fugiu de casa ao ser deixado para tomar conta de nossa casa em Muriqui, numa atitude de revolta. Porque ele era cachorro, mas tinha o seu orguho, caramba.

E tudo isso a gente sempre por perto. Sempre correndo desesperado pra veterinário. Sempre salvando-o com nosso cuidado e carinho. Sempre amando.

Eu sei que esse tipo de coisa só entende quem tem um cão. Não tem jeito. E quem acredita também, pois sei que parece exagero meu ao dizer que meu cachorro era capaz de entender o que dizíamos e até mesmo o que pensávamos, já que nos obedecia com apenas um olhar. E companheiro de um jeito que ainda não vi igual.

Depois de muita conversa e de uma semana de noites em claro com ele chorando, decidimos.


Hoje meu pai iria sacrificá-lo.


E hoje ele morreu.


Como num recado.


Um discreto recado de um cão que nos foi fiel e obediente até na hora de sua morte.

Terça-feira, Julho 13, 2004

"Sou um móbile solto num furacão/ Qualquer calmaria me dá solidão." (Moska)

"Olha, eu sou avulsa sim e isso eu admito. Sou sozinha à procura nesse mundo de granito. Vou seguindo sustentada por pequenas alegrias. Vou levitando amparada por preciosas melodias. Sou miúda. Quase nada. Sou perdida no caminho. Sou confusa. Apurada. Afiada como espinho. Sou séria. Sou profunda. Mistura de todas em uma. Sou assim desapegada, dissolvida pela rua. Sou medrosa e me distancio com rapidez de importantes problemas. Me pego no meio da noite absorvida por gigantes dilemas. Passo longas horas ao telefone em conversas embrulhadas em papel celofane. Sou marinheira a olhar o mundo na solidão da proa. Sou a camaleoa de Caetano a procurar minha cama numa boa. Já me tranquei. Isolei. Já me perdi. Já me desesperei. Abdiquei. E não entendi o porquê dessa sina ser avulsa e não corrente, o porquê dessa mania de sentir as coisas absurdamente. O porquê de ser assim. Solitária assim. Sensitiva assim. À procura do que vejo no outro e do que não está em mim. A percorrer estradas que muitas vezes parecem não ter mais fim. Me embriagando de beleza feito veneno.

Minha função é confundir as pessoas neste mundo pequeno."


Pois é...

Acho que não tenho nem por onde começar.
Estava parada aqui de frente pensando em tudo o que vocês falaram.

Reli o texto. Reli alguns textos. Tornei a ver cada recadinho como se fosse anel de formatura que a gente não usa na rua com medo de roubarem, mas fica de dez em dez minutos abrindo a caixa pra ver de perto mais uma vez.
Eu não enjôo.
1, 2, 3, 40...
Pedaços de pensamentos que vocês me entregam e eu que eu recebo com alegria.
Com tanta alegria.
Ah se vocês soubessem.

Acho que a cada dia que passa este lugar torna-se maravilhoso não pelo que escrevo aqui, mas sim pelo que encontro cada vez que vejo vocês.

Sejam sempre muito bem-vindos neste país que felizmente já não é só meu.

Quarta-feira, Julho 07, 2004

"Eu quero olhar as luzes que os teus olhos não me têm deixado ver..."
(Totonho Villeroy/Bebeto Alves)


"Todo mundo diz que brasileiro é que sabe curtir a vida. Com toda ginga e cidade maravilhosa do Rio. Com todo batuque e sensualidade da Bahia. Papo furado. Brasileiro é o único a sofrer com a maldita palavra chamada saudade. Maldita. Renegada. Amaldiçoada. Saudade que nem gosto de dizer porque já começam as contrações de saudade. Saudade de quem está longe. Saudade da época do colégio. Saudade de fazer bolo de amendoim e comprar pão doce na padaria para esperar os amigos que moravam perto. Saudade de um beijo. De um carinho mais despudorado. Saudade daquele olhar que parecia não haver mais nada do lado. Saudade de ter dinheiro. Saudade de comprar Delicado - aquelas balinhas coloridas parentes da jujuba. Saudade de me sentir completamente sua. Saudade. Saudade de namorar no carro. Saudade de acordar cedinho e sair pra passear num dia lindo e ensolarado. Saudade daquele céu azul que eu só via com você do lado. Saudade de me sentir de novo revigorado. Saudade de um tempo sem tantos vazios, sem tantas emoções ocas. Saudade de tantas coisas. Saudade de você aqui. Saudade que é um sentimento que não tem hora e nem paradeiro para se deixar de sentir. Ainda mais pra mim que não acredito no amor, saudade é o único sentimento que me restou para explicar aquilo que é eterno. Porque a saudade não termina nunca. Bem que é um mau durável. Um puxão de cabelo que te deram ainda menina e que dói até hoje, pois o implicante era o menino que você queria como namorado. Saudade que amargura. Saudade que é como machucado. Saudade que dilacera. Que deixa tudo exposto pra só depois vir cicatrizando. Ainda que um pedaço seu tenha ficado de fora. Saudade do sossego. Saudade da companhia. Saudade de saber que sozinho eu jamais ficaria. Saudade da certeza. Saudade até mesmo da mesmice. Saudade daquele poder que tinha Alice de ser ao mesmo tempo estranha e encantadora. Conto de fadas que sempre atordoa independente da versão que se apresenta. Hoje eu sinto saudade de cada pedaço meu que ficou pela pista e que já não me pertence mais. Você, a minha saudade mais dolorida. A miopia que hoje embaça a minha vista. Vem ser meu óculos. Vem me curar dessa palavra que me assombra faz tempo, aumentando meu grau e diminuindo minha visão. Seja a minha solução ainda que adormecida. Vem ser meu final feliz. Me mostra que nem toda saudade é assim dolorida quanto se diz."

(.Pra quem odeia saudade tanto quanto eu. 06/07/2004 - 22:56h )

Aproveitando que hoje eu estou falante...

Eu andei pensando seriamente sobre o tema e acho que a única coisa que dói mais que saudade é amor não correspondido. Nem sei se chega a doer mais, mas que está lado a lado está. Duas dores muito chatinhas que quando dão de aparecer no nosso peito só trazem estrago e aporrinhação. Dores que eu sei de cor. Males que nem sempre vêm pra bem. Mas o que importa é continuar vivendo e rezar pra essa 'alergia' deixar a gente em paz. Seja na próxima semana. Seja no próximo ano. Eu já passei anos a fio apaixonada por um 'poste' que se bobiar até hoje nunca me viu, mesmo estando comigo todos os dias na época. Eu que ainda penso nele às vezes. E já fiquei morta de saudade também ao ponto de cheirar roupa antiga esquecida no armário. Dores e mais dores que nos absorvem e nos dissolvem com a mesma rapidez de novo olhar apaixonado. Vai ver o lance é esse. Se apaixonar a cada semana. A sorte será toda sua se esse amor puder ser pela mesma pessoa.

Obrigada a todos os recados.
Vocês me emocionam sempre.

Terça-feira, Junho 29, 2004

"Isso é amor e desse amor se morre." (Gonçalves Dias)

"Desde muito cedo ela sempre me encantou. Sempre exerceu sobre mim um fascínio inexplicável, como em toda grande paixão que se preze. Acho que às vezes até tento fugir negando dentro de mim esse amor incomensurável, mas no fim das contas é só nos deixarem a sós para que o grande encanto seja consumado e eis que eu me vejo perdidamente embriagada pelo calor de seu abraço mais uma vez. Somos grandes amantes. Eu e ela. Paixão da boa a incendiar quarteirões empoeirados. A emocionar olhares apaixonados. A conseguir enxugar caldo rançoso de mágoa com um passeio inesquecível em telhado sofisticado. Sou louca por ela. E faço loucuras assim, com toda essa beleza que de vez em quando ela traz pra mim. Me fazendo decorar paredes. Me tornando especial por entre essa gente que deixa recado dizendo que sente esse mesmo amor desenfreado que tanto me consome. Eu vivo por ela. E talvez só por ela eu ainda esteja por aqui. Ainda que às vezes insone. Por ela eu escrevo. Trabalho. Estudo. É por ela que eu vejo graça nesse mundo. Por ela é que eu acho que vale a pena acordar para através dela me encantar com mais um novo dia. Arte que me cala. Me desperta. E que me inspira. Arte que me põe em contato com mundos misteriosos. Almas desconhecidas. Que me leva ao paraíso cada vez que embala minha alma amargurada. Insatisfeita com a cor vil da realidade. E é para isso que vem a arte. Pra colorir abismos gigantes. Pra expandir territórios e criar pontes entre corações desesperados. Arte que tem poder de acalmar. Persuadir. Conquistar. Apaixonar. Encantar. Confundir. Comunicar. É ela a minha grande diva. Poderosa com seus encantos a se apossar de minhas insossas cercanias. A grande força devastadora que hoje transforma este meu país em maravilhas."

(.Arte. 29/06/2004 - 23:35h.)

Ainda sobre o mesmo tema:

" A arte está na vida de quem vê
A arte está nos olhos de quem sente

Ela transborda
Vai e volta
E não se mostra a qualquer um

Ela se esconde e se revela
Se emburrece e se rebela
Aos sentidos limitados
Do olhar ainda tosco
Pobre incerto
Débil e fosco
Sem sentido e direção.

Para ela é necessário luz
Suspiro vão
O brilho feliz do asfalto no chão

É preciso ser.
É preciso ter.
É preciso bem mais que querer.

É preciso tato.

Olfato, gosto
Ouvidos, visão
Silêncio, espera
Poesia e intuição

É preciso um certo ritmo
No bater do coração
E um sentido apurado
Ao simples toque da mão

É precisa a melodia
Que rege todo o encanto
É preciso seu mistério
E todo o meu espanto

A arte está.
A arte quer.
A arte é.
A arte pode fazer tudo o que ela quiser

E ai de você se duvidar..."

( Maio de 2001/Uerj )


Divagações da 'autora' sobre o tema...

Desculpa se sobrecarreguei vocês com todas essas informações, mas é que aconteceram fatos que acabaram por me transbordar.
Uma ópera no Municipal. Um passeio num lugar muito especial. Recados deixados aqui nas maravilhas.
Tudo isso acabou por me trazer emoções esquecidas e que hoje acabaram por vir à tona.
Como num incêndio onde a poesia é chama que toma conta de tudo o que vejo.

Um Beijo.

Domingo, Junho 27, 2004

Torcendo membros superiores...

Que Celebridade que nada. Final feliz mesmo é isso aqui...

Alguém para fazer brilhar os olhos. Alguém para se fazer brilhar. Um batimento mais acelerado. Um frio na barriga inexplicável. Alguém que consiga pular a barreira do seu peito e chegar ao coração como tiro certeiro, sem dar tempo pra gente nem olhar pro lado. Beijo com calafrio. Olhar que resulta em colapso. Pede-se muito dinheiro. Carreira. Saúde. Um bom salário. Mas no fundo o que todo mundo quer é ter alguém que deixe a gente perdidamente apaixonado. Aquela sede que não termina nunca. Aquele desespero danado. Todo mundo quer ter alguém para juntos fazer o chão tremer, provocar desmaios.
Afinal, que graça tem essa vida sem ter alguém pra ficar do lado?

Segunda-feira, Junho 21, 2004

Ela comeu cogumelos e conversou com uma lagarta.
Agora você vem dizer que eu é que sou louca?



"Gosto assim. Tudo ao mesmo tempo agora. Nada em momento nenhum. Sou capaz de esquentar o mate e colocar pedra de gelo dentro só pra ter o prazer de sentir os dois juntos. Sou capaz de desligar geladeira de manhã para não ouvir ruído algum. Sou capaz de mergulhar de cabeça com roupa e tudo. Me afogar. E colocar a culpa só em você. Sou capaz de ir embora sem me despedir e ainda ficar irritada por você não ter vindo atrás. Sou capaz de te amar hoje como nordestino esperando chuva e amanhecer magoadíssima achando que sua água só me trouxe estrago. Sou capaz de te querer e te expelir no mesmo instante em que brilham os olhos seus. Sou capaz de te iluminar e te trair como fizeram os fariseus. Sou capaz de experimentar só por curtição teu adorável mundo novo e te jurar de pé junto que tudo foi divino, maravilhoso. Nunca duvide de mim. Mas também não me acredite. Vá com calma. Não se exalte. E por favor não desanime. Respeite meus sinais. Senão é bem provável que você chegue ao fim do caminho sem seus sinais vitais. No fundo eu sou menina. E até um pouco palhaça. Essa semana ouvi alguém dizer que no fundo do poço tem borracha. Eu acredito. Senão a uma hora dessas eu já estaria esborrachada em alguma circunferência de granito. Estatelada e dolorida no fundo sem fundo dos meus dias. Sozinha como sou agora. Fugindo de qualquer tipo de rito.

Cuidado você que não é sempre assim que eu minto."

(.Mentiras Verdadeiras. 25/05/2002 - 17:33h.
Num degrau de escada de igreja com mão melada de pipoca doce. )

Sábado, Junho 12, 2004

.Praia de Botafogo.

"A pior saudade é aquela ainda não tida. A inaudível ausência não declarada a iluminar cômodos esquecidos, a abanar móveis empoeirados. Saudade de alguém que ainda não veio. Que nem se sabe se algum dia virá, mas que desde já se torna presente na pessoa deste desassossego que é sua falta anunciada. Estou sozinha. Eu e o Pâo de Açúcar com esse vento gelado de fim de tarde de junho claro. A alma apagada feito os faróis desses carros velozes que passam por mim apressados. Toda a tarde parece esmaecer-se. Sol se despedindo devagarinho pondo-se meio de lado.

Beleza discreta em mais um desses dias de namorado."

Quinta-feira, Junho 10, 2004

Eu sei o quanto é chato ouvir sempre a mesma história, mas eu juro que não é culpa minha.

Fazer o quê? Fiquei sem internet. De novo.
E dessa vez tentei não subir pelas paredes...

Perdoem.
Juro que volto já.

Domingo, Maio 30, 2004

"A sua falta chega a fazer um buraco no chão. Buraco onde eu tropeço a toda hora.

Se a lua tá bonita eu penso em você. Buraco que não perdoa minha distração enganando meus pés e eis que estou de volta ao chão. Criança que aprende a andar de bicicleta sem rodinha. Tombo inevitável a cada hora em que olho pra trás e você não está. Meu desequilíbrio iminente. Esse desespero permanente de saber-se mais uma vez ralada no joelho e na alma. Esse osso quebrado de um jeito doído a machucar o coração e a calma, me fazendo chegar em casa aos prantos, como nos tempos de Pogobol. Logo eu que tenho pavor de hospital.

Será que não dava pra gente brincar de outra coisa?"

Quarta-feira, Maio 26, 2004

Dedicatórias e boas vindas a visitantes ilustres...

"E pensou que jamais seria a mesma. Nunca mais voltaria a sonhar com as mesmas paisagens de antes. Seu coração fora modificado como quem acrescenta pigmento demais ao matiz. Não dá pra voltar. O preto que suja o amarelo pra sempre. A água sanitária que desbota o jeans em definitivo. Assim vão se passando os dias. Manchados. Desbotados. Sujos de uma tristeza que não dá mais pra tirar, por mais que se ensaboe. Por mais que se esfregue. Nódoa de café que macula o branco da camisa que ainda há pouco você iria usar. Mudança de roupa. Mudança de planos. A vida muda seu rumo bem depressa, às vezes dando curvas memoráveis. Logo você, que nunca imaginou passar por este caminho, agora se vê perdido entre trilhas de um lobo mau gigante. Sem nenhum tipo de proteção. Sem maiores companhias. Difícil é viver a vida quando se tem as mãos atadas por um sonho impossível. O desejo de antes vira mágoa de agora e tudo se perde como água inodora que escorre sem pena pelo ralo. Sim, porque pra torneira ela não volta mais. Nem se quisesse. Culpa da gravidade da situação que forçaram as coisas a acontecerem dessa forma. Você lava o pincel. Compra uma tela nova. Fica olhando bem pra ela antes de tomar alguma decisão. Imagina como seria se tudo não tivesse saído tão borrado como na vez anterior. Viver é doer com os erros nossos e dos outros numa eterna comunhão de felicidades malfeitas e esperançosas. Porque sim, sempre haverá uma próxima vez. Agora, de frente pra tela branca, você pensa na sua solidão e em todas as possibilidades de colori-la. É duro porque você não queria ter mudado o tom das coisas e por mais que tente agora, será impossível encontrar a mesma claridade e exatidão daquela cor de outrora. Aquela sim é que era perfeita. Por que fora deixar manchar? Por que não a tomou de cuidados como quem cuida de uma tela original de Monet? Nosso amor era digno de uma obra de arte e se acostumar com uma imitação barata vai ser osso duro de roer. O lance agora é começar tudo de novo à procura de uma nova nuance. De novas técnicas de desenho. É tentar restaurar desde a moldura sem se preocupar com o cheiro verniz que lembra veneno. É deixar as cores se encontrarem e novamente se harmonizarem quem sabe numa paisagem ainda mais bonita. Mais cheia de confiança.

É se inspirar e acreditar na imagem da tempestade que logo virá trazer a certeza da bonança."

(.Alice Venturi. .Pintura íntima. 19/11/2003 - 02:54h.)

Segunda-feira, Maio 24, 2004

Frase da semana:

"A dor é inevitável.
O sofrimento, opcional."


Se a gente consegue se livrar um pouco que seja da agonia de um sofrimento é porque ele não era tão grande assim ou porque essa frase é realmente verdadeira?

Quarta-feira, Maio 19, 2004

O bom filho à casa torna...

Sim, eu voltei. Talvez para ficar.

Andei sumida por uma série de fatores que estou pensando agora se poderiam interessar a alguém...

Sendo assim, a quem interessar possa:

O casamento de minha irmã.

Engraçado porque nunca tinha visto de tão perto um casamento e seus preparativos. Eu apenas suspeitava o quão dispendioso, complicado, tenso e relativamente inútil é o circo que se forma em torno de uma celebração como essa. Observei o quanto pude, com olhar científico até, todas as transformações que sofre um casal de seres que resolvem viver toda uma existência juntos. Complicado. Não por eles, claro. Aline e Nilson permaneceram calmos, felizes e tranqüilos até mesmo na hora em que ela adentrou pelo tapete vermelho cantando uma canção bonita feita por ela exclusivamente para ele. Sim, foi lindo. Mas eu não chorei. "Produtora" que sou, tava preocupada demais torcendo pra ela não chorar no meio da música e estragar a cena.

O que mais chamou a atenção foi o desespero até agora para mim ininteligível expressado pelos meus também adoráveis pais. Eu juro que não entendo como minha mãe pôde perder o sono pensando na cortina que ainda não tinha sido posta no apartamento deles - lindo, no Méier, tudo novinho e de ótimo gosto, graças a mim, claro.

Ainda hoje me questiono se realmente foi verídica uma calorosa discussão que tivemos sobre nada mais nada menos que:

- Mãe, eu acho inútil e um tanto sofrível pra Aline usar uma meia calça debaixo de mais 12 quilos de tecido... não tem necessidade, uma vez que com todo esse pano ninguém vai nem sonhar em ver se ela está descalça ou não... que dirá com meia-calça... branca...

- CALA A BOCA ALICE QUE VOCÊ NÃO SABE DE NADA! PRA VOCÊ TUDO É INÚTIL! SE NÃO PODE AJUDAR, NÃO ATRAPALHA. NÃO FICA COLOCANDO ESSAS IDÉIAS NA CABEÇA DA SUA IRMÃ!!!

Essas idéias... essas idéias...
Essas idéias o quê? PRÁTICAS?

Bom, o resto é bobagem contar, mas que isso me deixou com a pulga atrás da orelha, deixou...

Tudo bem. Vai ver ela tinha razão... sei lá... só sei que depois disso eu procurei me meter o menos possível... eu e minhas idéias, que até hoje não sei se não eram realmente práticas ou se apenas não estavam de acordo com o surto maternal...

Continuando a análise, me deparei também com um pai completamente descompensado pela iminente "perda" da filha. Coitado do Paulinho. Se bobiar, ainda está chorando pelos cantos até hoje. Essa semana ela disse que ia dormir aqui e ele só faltou soltar fogos. De dar pena...

Será que pra ser pai tem que se amar desesperado assim?
Credo, quero não.
Na dúvida, não vou nem tentar...
Tia está de bom tamanho.

E por falar em tia, isso me lembrou o medo que Aline tem que eu não ame a filha dela, pode? Ela quer que eu seja a madrinha, mas fala assim: você não vai tratar ela que nem cachorro não, né? Vai ter paciência? Vai amá-la como se fosse sua filha? Vai levar ela pra passear?

(Corre à boca miúda que eu não tenho lá muita paciência com crianças. E é verdade. Eu só gosto de algumas. Poucas. Muito poucas.)

Digo filha porque ela ainda não aceita a idéia de que pode vir a ter Pedro em vez da tão sonhada Beatriz.
É, é isso. Ela tem medo de que eu não ame a Beatriz, que ainda nem nasceu.

Ai ai... ninguém merece...
Um dia ainda dedico um post especialmente para as pérolas de minha amada irmã.
Ela é sensacional...

Acabei de perceber também o quão falativa estou hoje. Acho que é pra compensar todos os dias de silêncio. Falei tanto que nem consegui chegar ao segundo motivo pelo qual andei sumida dessas terras virtuais. Mas acho que isso pode ficar pra uma outra vez.

Semana que vem a gente continua?

Segunda-feira, Maio 17, 2004

Iluminando esperanças imprescindíveis...

"Para quem bem viveu o amor
Duas vidas que abrem, não acabam com a luz
São pequenas estrelas que correm no céu
Trajetórias opostas sem jamais deixar de se olhar
É o carinho guardado num cofre de um coração que voou
É o afeto deixado nas veias de um coração que ficou
É a certeza da eterna presença
Da vida que foi, na vida que vai
É saudade da boa
Feliz cantar
Que foi, foi, foi
Foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais,
Maravilhosamente amar"

(Gonzaguinha)


Eu sei que o blog tá abandonado.
Calma que eu já venho.

Domingo, Abril 25, 2004

Colocando em prática, experimentando vidas e apalpando caminhos...

"Chovia.

E era sempre assim. A cada crise que passava todo o universo parecia chorar com ela sua mágoa. Sentia-se menos triste. Menos abandonada. Numa brincadeira tola consigo mesma imaginava ser querida de maneira especial por todo o cosmos. Burra. E egocêntrica, pra piorar. Impressionante como sua inteligência só dava os ares de sua graça em assuntos relacionados à racionalidade da vida. Besta que era com seu jeito emocionalmente anta de ser. Suas emoções pareciam ficar presas numa espécie de limbo festivo. Mimetismo peculiar capaz de deixar no chinelo qualquer camaleão medroso.

Inferno. E essa chuva que não pára. Queria poder dar uma volta na praia agora pra aliviar a mente olhando o mar. Observando pessoas. Criando histórias e manias para desconhecidos que cruzassem consigo no calçadão sempre tão movimentado. Delícia que era morar perto do mar.

Quanto tempo já fazia isso? Um ano? Dois anos? Não lembrava ao certo. Nunca fora boa com datas. Lembrava bem dos aniversários, mas datas comemorativas a dois, nisso era péssima. E ele entendia, romântico que era. Nunca havia encontrado pessoa mais compreensiva. Marcelo. Gostoso que era pronunciar seu nome. Como num verso. Apenas M a r c e l o.

Se conheceram numa peça de teatro. Uma história um tanto insólita que acabou costurando a vida de um na do outro. Ele nem tava tão afim de sair de casa naquela sexta, mas tanto insistiram que acabou cedendo. Além do mais, fazia tempo que queria ver aquele espetáculo. Parecia ser mesmo bom. Mas só bem mais tarde é que viria a imaginar o quanto..."

Sexta-feira, Abril 23, 2004

- Por que eu não posso ficar com você? Porque eu sou feito de vidro e você é uma maluca com uma marreta na mão.

E pelo visto, querendo me acertar...

"Disse isso e sorriu de lado como quem revela segredo que não era pra ser revelado. Mas agora já era. O encanto já havia sido quebrado. Se queria um motivo, esse estaria de bom tamanho, muito bem encomendado. Era incapaz de entender de fato as profundezas do coração alheio que estava ali em sua frente tão aflito, tão perdido por não saber mais sozinho o seu próprio caminho de casa. Havia perdido todas as suas estribeiras tentando entender aquela louca. Tentando esquecer a voz rouca que ainda ecoava em suas escalas, que ainda transbordava em suas escadas impedindo seu trajeto outrora tão fácil. Porque sim, tudo era mais simples antes dela. Tudo era mais serenoso. Tudo era mais tranquilo antes de sua chegada de circo ocupando toda a minha cidade. Pequena. Logo eu que nunca gostei de palhaço. Agora dei de me pegar escondido entre coxias esperando por seu aplauso. Patético que sou ao me deixar levar como que por encanto por essa centelha que passou a ser o seu olhar. Sorriso de menina que pra meu espanto, incendeia-me por inteiro sem nem mesmo se preocupar. Sem a mínima dó de mim, querendo apenas o prazer de um encontro fulgás.

É sério mesmo que a gente vai ter que deixar tudo isso ficar pra trás?"

(.Ouro de Tolo.)

E aí? Gostaram?
Cá estou eu de volta!

Foi difícil ficar esses dias sem aparecer por aqui... mas acho que agora tudo já está resolvido.

Estava pensando em algumas coisas, lembrando de umas conversas com amigos e me peguei tentando escrever um conto. Uma história mesmo, sabe? Geralmente as coisas que escrevo são crônicas (assim as intitulei mesmo sem saber direito o que seriam) sobre algo que vi, senti, pensei. Sempre muito relacionadas a mim. Egocentrismo sem fim, mas fazer o quê?

Como estava com saudades de passar por aqui direito, resolvi tentar começar alguma coisa. Faz tanto tempo que não escrevo decentemente. Será que consigo continuar? Será que consigo bolar toda a história conturbada desse casal? Acho que amor é assunto universal e fica mais fácil das pessoas se identificarem e assim, gostarem de fato.

Me ocorreu agora que eu poderia tentar construir uma história com algumas dicas de vocês que passam por aqui. Que tal? Tipo nomes... Personalidades de cada um... Local... Sei lá...

Pode ser uma idéia doida, mas até que seria legal...
O que você acha?

Quarta-feira, Abril 21, 2004

Enquanto seu lobo não vem...

Enquanto niguém aqui da Casa França Brasil vem pra me mandar embora aqui desse micro, vou aproveitar para dar um alô rápido pra vocês. Estou alguns dias sem net, mas juro que logo logo esse problema será resolvido. Até lá, indico a quem passar por aqui uma exposição muito legal que acabei de ver no CCBB: "Ticuna", sobre índios brasileiros. Tá super legal. Completando o circuito, aproveite o passeio e dê um pulo aqui na Casa França Brasil: "Rio TecnoMídia" está bem divertida.

Bom, estou indo nessa...

Tenham um feriado gostoso e aproveitem tudo o que puderem!

Quarta-feira, Abril 14, 2004

"Tenho por princípios nunca fechar portas, mas como mantê-las abertas o tempo todo se em certos dias o vento quer derrubar tudo?" (Adriana Calcanhotto)

Eu bem que tentei, mas as coisas andam tão vazias por aqui, tão ocas, que ando confusa com tamanha profusão de meus ecos. Rascunhos de sons que não chegam a me dizer muita coisa. Chegam, me distraem. E eu acabo esquecendo para onde é que estava indo. Acabo envolta nesse silêncio que não me diz muita coisa. Queria poder gritar aos quatro ventos o que nem eu mesma descobri ainda. Queria a certeza de brilho inerente à estrela cada vez que anoitece, independente que é da lua. Queria um final feliz generalizado, sem chance de algo ter dado mesmo errado, onde todos encontrassem finalmente seus caminhos para casa. Final de filme que dá tudo certo e você sai com a esperança de que sua vida também vai mudar, ainda que isso não aconteça por um triz.

Afinal, como é que se faz pra viver plenamente feliz?

Sábado, Abril 10, 2004

"As dez coisas que mais gosto:



Cantar



Escrever

Dormir

Observar




Comer




Ouvir




Amar




Ler






R e l u z i r ... "






( .As dez coisas que mais gosto. 21/03/2003 - 23:31h. )

Quarta-feira, Abril 07, 2004

Visitando antigas cercanias... ...para ilustrar o país.

Atendendo a pedidos...

Uns amigos que pediram pra eu mostrar algumas coisas já escritas. Encontrei esse de hoje guardado num canto doido pra pular no meu pescoço e visitar um pouco a rua. A data é antiga, mas ele é super atual pra mim, já que as coisas andam bem assim por aqui. Sendo assim, não tive coragem de negar o passeio. Espero que gostem.

"De vez em quando acontece isso. Eu sento assim, de cara com esse mundo branco e me vem uma vontade incrível de ser genial. De falar sobre a vida dos outros de um jeito tão poético que me faça sentir prazer em continuar a sofrer assim. Mas isso já faz tempo e escrever já não é capricho dado a qualquer hora do dia. Agora tudo é mais escasso, como tende a ser a água no planeta. Assunto até que se tem aos montes, mas o que falta é a poesia, sabe? A delicadeza. O olhar inesperado. O que falta é aquele suspiro de quem foi pego de surpresa ao ler uma frase tão bonita. Olhos cheios d¿água que rapidamente se derramam. Coisa de momento. Porque poesia que se preze mesmo, tem que fazer chorar sem se saber porquê. Sem se esperar. O papel da poesia é pegar a gente de surpresa. Como num desmaio. É transformar chuvisco em tempestade de raio usando corretamente as letras. As palavras certeiras. O verbo que te corta lá dentro, profundo. Feito talho no dedo médio com faca nova ao cortar tangerina. A poesia é como essa cicatriz que eu olho depois de tanto tempo cada vez que escrevo. Fica pra sempre. Pode passar o tempo que for que você ainda se lembra do momento exato que foi pego por ela. Eu ainda me lembro de minha primeira poesia. De meu primeiro texto de Vinícius. De minha primeira vez com Drummond. Foi quando realmente descobri que viver podia vir a ser um negócio bom."

(.Beleza Rara. 14/10/2003 - 15:06h.)

Terça-feira, Abril 06, 2004

"Silêncio por favor..."

"...enquanto esqueço a dor no peito
Não diga nada sobre os meus defeitos
Eu não me lembro mais
Quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Só pra ver as meninas e nada mais nos braços
Só esse amor assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito..."

(Paulinho da Viola)

Segunda-feira, Abril 05, 2004

E eu que achava que os anos pares eram os mais legais.

"Eu vou te dar alegria
Eu vou parar de chorar
Eu vou raiar um novo dia
Eu vou sair do fundo do mar
Eu vou sair da beira do abismo
E cantar e cantar e cantar
A tristeza é uma forma de egoísmo..."

(Arnaldo Antunes)


E eu juro que vou tentar.

Afinal, o mês agora está par. Quem sabe isso não é um bom sinal?

Domingo, Abril 04, 2004

A máxima do dia de hoje...

"Quem muito tem, muito carrega."
Já diria minha mestra Sonia Vilhena.

Um bom domingo para todos.

Sábado, Abril 03, 2004

Foi só falar...

...que a chuva de fato caiu.

Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.
Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.
Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.
Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.

Já que você já vem.
Previsão do tempo: frente fria avança por todo o país.

Quer saber qual o recado do dia? Fujam do amor, se puderem.
É. É isso mesmo. Estou amarga e mal amada, destemperada com toda essa frente fria que tem tomado conta de meu país - que de maravilha, faz tempo que não tem nada.
Nada mesmo.
Nebulosidades com pancadas de chuva por toda parte.
Ando querendo me mudar pra Marte, mudar de ares. Ter mais calor. Humano.
Ando fria dos pés à cabeça esperando por um tempo que nunca vai voltar.

"Quando chove fica mais triste esperar por alguém que não vai chegar."

Sexta-feira, Abril 02, 2004

Hoje descobri mais 3 coisas que eu odeio. Definitivamente.

Odeio experimentar roupa.
Ainda mais se tiver alguma alma do outro lado me perguntando se ficou bom.
Odeio qualquer som assim que acordo.
Principalmente se for de descarga sanitária.
Odeio sentir saudade.
Ainda mais se for de você.

Quinta-feira, Abril 01, 2004

Observando países alheios...

O nome era Marcele. Descobri escrito no envelope em que estavam as fotos recém reveladas. Aqueles envelopes grandes, geralmente amarelos, com logotipos de suas respectivas marcas de filme fotográfico. Kodak. Se não me engano era esse o dela. Beijava o namorado, até bonito, com uma paixão que me comoveu. Eu, ali bem do lado dela, comendo uma pipoca metade-salgada metade-doce que não sei se estava realmente boa ou se era minha fome que dava os ares de sua graça.

O nível de minha indecisão anda tão acirrado que eu não tenho sido capaz de escolher nem mesmo um simples sabor de pipoca. Patológico, eu diria. Preciso de ajuda profissional.

Voltando à cena, estávamos eu e ela numa fila, claro. Porque existem certas coisas na vida da gente que só vão acontecer se você estiver numa fila. Seja do que for. Em nosso caso era pra esperar uma van, porque hoje em dia, no centro, até pra pegar um transporte alternativo, ainda que muito mais caro, dependendo do horário, você vai ter que ficar numa fila. Eu tava um pouco triste, meio melancólica, pensando na vida e nessa eterna procura nossa por ser feliz. Seja feliz com seu amor. Seja feliz no emprego. A gente tá sempre querendo ser feliz em algum canto. De algum jeito. E eu vinha andando pela rua pensando nessas coisas todas até que parei no ponto e acabei percebendo o casal. Ele mais alto que ela. Mais bonito até que ela. E ela loucamente apaixonada, pendurada no pescoço dele. Cabelo claro. Liso. Curto. Pelo que pude entender, se despediam. Ele dizia que mês que vem isso ia acabar, que tudo ia ser tão bom quanto antes e que iam poder se ver todo dia. E ela toda brilhando, olhando bem pra ele: jura, amor? Deram o que parecia ser o último beijo. Tão emocionante que até eu senti no peito o aperto que sei exatamente como é ao ver quem a gente ama ir embora. Se despediram. E ele foi.

Ela ficou vendo ele indo embora, depois pegou o óculos na bolsa e começou a ver as fotos. Não deu cinco minutos ligou pra ele. "Edu, você pegou aquela nossa na cachoeira? A menorzinha? Tá. É que nem vi você pegar. Tá bom então. Só queria saber. Beijo, te amo, já tô com saudades, viu, tchau." Continuou vendo as fotografias. Falou alguma coisa sozinha que não entendi. Ficou sorrindo que nem boba olhando para elas.

Nossa van chegou. Fomos entrando. Eu fiquei feliz por ser uma daquelas grandes, bem confortáveis, coisa difícil de acontecer. Acabei relaxando no banco e apaguei.

E então fez-se o tempo que já devia ser mês que vem, pois nos víamos todo dia e tudo era tão bom. Nosso amor era tão fácil e nossas despedidas tão curtas, que saudade era o tempo de se ir em casa trocar de roupa.

Tempo que de tão bom, nem parecia ser real.
Mas que hoje só me parece real nesses rápidos sonhos que tenho.

Quarta-feira, Março 31, 2004

Verdade seja dita.

Eu não sei fazer o certo quando ele não é bom.

É isso.
Acabo de descobrir o pior de meus intermináveis defeitos e cheguei à essa conclusão a duras penas.

Eu chego a ter plena consciência do caminho correto.
Da pureza do pensamento bem direcionado. Da certeza de estrada viável e segura.
Mas basta ela ser um pouco sem graça e escura pra eu me deixar seduzir pelo movimento contrário dos faróis alegres que passam por mim como se estivessem indo para uma festa.

A questão é:
Se eu sei que o que verdadeiramente importa está no fim dessa jornada, por que teimo em me desvencilhar ainda que momentaneamente dela ?

"São as águas de março fechando o verão/ É a promessa de vida no seu coração..." (Tom Jobim)

Pra não quebrar o encanto...

Eu ia começar a escrever um lance que passou pela minha cabeça hoje cedo, mas por um momento me ocorreu que seria muito mais simpático se eu primeiramente agradecesse a todos que por aqui passaram...

Aos que deixaram seus recados deliciosos, obrigada, e aos que não tiveram tempo.
Aos que gostaram de cada linha e aos que ficaram com preguiça de ler até o final.
Aos que se identificaram e aos que me acharam um tanto dramática.

Eu gostei bem de ter vocês aqui e pode ser que eu realmente fique mal acostumada...
Ou seja, por ora o visto pro país está super liberado.
Estejam sempre por perto.

Beijo da Dona e sintam-se à vontade.

Terça-feira, Março 30, 2004


"Quem acredita sempre alcança..."

Já dizia meu sábio amigo Renato Russo.

Demorou, mas consegui mais ou menos deixar as coisas ao meu gosto. Ainda não estão cem por cento, mas já estão um pouco mais apresentáveis. Eu acho.

Como muitos vão ver, este blog já existe faz um tempinho, mas só agora é que decidi jogá-lo mesmo ao vento.

Espero que gostem de meu país.
Esta é uma tentativa sincera de torná-lo um pouco mais acessível...

Domingo, Março 28, 2004


Uma última verdade...

Para todo dia ensolarado, há sempre uma chuva, ainda que passageira...
Se aborrecer com sua presença ou se esbaldar molhado nela.
Escolha sua.

A minha no momento é escrever com a janela fechada.


VERDADES CINZENTAS DE UM DIA ENSOLARADO:

O dia hoje deve estar sendo lindo para alguém.

Para um casal de namorados deitados sob uma sombra ventilada em Paquetá.
Para um casal de namorados curtindo um sol na praia.
Para um casal de namorados indo ao cinema.
Para um casal de namorados visitando uma exposição no centro da cidade.
Para um casal de namorados namorando na rede da varanda de casa.
Para um casal de namorados que podem fazer qualquer coisa juntos num domingo poético e iluminado como o de hoje.

O dia de hoje deve estar sendo lindo para um casal de namorados.


VERDADES CINZENTAS DE UM DIA ENSOLARADO PARTE DOIS:

O dia de hoje deve estar sendo horrível para alguém.

Para alguém que não tem um namorado perto pra deitar sob uma sombra ventilada em Paquetá.
Para alguém que não tem um namorado perto pra curtir um sol na praia.
Para alguém que não tem um namorado perto pra ir ao cinema.
Para alguém que não tem um namorado perto pra visitar uma exposição no centro da cidade.
Para alguém que não tem um namorado perto pra namorar na rede da varanda de casa.
Para alguém que não tem um namorado perto pra fazer qualquer coisa junto num domingo poético e iluminado como o de hoje.

O dia de hoje está sendo horrível para mim.


"Solidão é lava que cobre tudo." (Paulinho da Viola)

Cobre, transborda e soterra.
No momento me sinto sobrevivente lutando por ar debaixo de uma laje de concreto.

Resta saber se o socorro chegará a tempo.

Sábado, Março 27, 2004


A descoberta do dia que tirou toda minha paz.

Desperdiçou
(Liah / Dani monaco / Rique Azevedo)

Você desperdiçou o amor
Partiu e nunca mais ligou
Você me complicou, usou
Fugiu com a minha paz


É assim, só ilusão
A sina de quem ama
E se entrega a paixão
Destinos que se atraem
Pra desencontrar
Segredos que se escondem
Pra tudo acabar

Refrão

Você desperdiçou
A sua indiferença calou a paixão
Você ainda vai me procurar
Mas eu não volto
Ah... não volto

Foi assim, desilusão
A tua indiferença
Calou a paixão
Meus sonhos se perderam
Não pude evitar
Desejos se renderam
Pra nunca te amar

Refrão

Eu vou desafiar
Seu coração
'Cê vai me procurar
Não volto não, não
Vou te desafiar
Provocação
Não quero mais te amar

Refrão

Eu vou desafiar
Seu coração
'Cê vai me procurar
Não volto não, não


É isso aí. Estou completamente enlouquecida por essa música!
PRONTO, FALEI!
O que posso fazer se ela é mesmo boa, poxa vida?

Sexta-feira, Março 26, 2004


"Quem é a princesinha do dia, levanta a mão..."

Parabéns, amor. Toda felicidade do universo é pouco pra ti.
AMO-TE!

Quarta-feira, Março 24, 2004


Eu acho que no fundo todo mundo tem um "q" de rabo de lagartixa dentro do coração.

Pele que se refaz depois da cirurgia, despreocupada de cicatriz ou não.
Planta que nasce mais bonita depois da poda.
Cabelo que cresce mais rápido quando se corta com frequência.

Acho que todo mundo tem isso de renascer das cinzas. Até pq senão faz-se o quê? Se entrega? Morre-se de desgosto? Se eu tivesse me deixado levar totalmente por cada pedaço de coração arrancado... Por cada chibatada em minha auto-estima, hoje estaria inerte sob uma plaquinha simpática dizendo: "Essa amou o quanto pôde, tadinha."

Eu amei mesmo, sabia? Amei sim. Me desatei toda. Me descabelei. Me entreguei. Fiz do jeito que eu sabia. Amei do jeito que podia. E me desesperei quando percebi que não era suficiente. Voltei pra casa arrasada com meu brinquedo quebrado. Me sentindo a mais rejeitada do mundo por não ter uma foto com branco no fundo de acordo com os desejos secretos do Detran. Logo eu que só queria uma nova identidade.

Agora é esperar ela ficar pronta. Rezar pra sarar o machucado.
Dar um pouco mais de valor pra quem realmente está ao lado.

Domingo, Março 21, 2004


"Te ver e não te querer é improvável, é impossível / Te ter e ter que esquecer, insuportável a dor, incrível..." (Skank)

Caixa de bombom só com Crocante, Rum, Caribe e Opereta.
Show de graça.
Comer rodízio sem enjoar.
Ser imune à saudade.
Decidir sem pestanejar.
Amar com tranquilidade.
Não ter medo de arriscar.
Cinema toda semana.
Você aqui na minha cama.

Eu e meus desejos impossíveis.

Sábado, Março 20, 2004


"Eu sou a única pessoa no mundo que eu realmente gostaria de conhecer bem." (Oscar Wilde)

Se eu tivesse mais alma pra dar... juro que daria...
Mas se tem uma coisa que aprendi, é que as pessoas são imprevisíveis e improváveis...

Eu tô cansada de viver um poko.. como faz?
Será que rola de hibernar com os ursos?
Será que eles me aceitariam entre eles?

No momento desaba sobre o Rio uma chuva de dar gosto. E medo.
Adoro tomar banho de chuva gorda, mas assim de noite parece que ela vai me engolir, tamanha é sua fome em alcançar cá nossa terra. Será que chuva sente dor quando cai?

Será que tem jeito de amor não doer quando se esvai?

Quinta-feira, Março 18, 2004


Verdade seja dita. Cansei de ser volátil.
Por onde será que anda a permanência inspiradora das coisas?

"Um dia quero mudar tudo no mundo/ No outro eu deixo pra lá..." (Paulo Freire)

Minha sinfonia anda calada e eu acabo de perceber algo que nunca tinha sentido antes.
Estou muito decepcionada comigo mesma.

Será que isso um dia terá cura?

Terça-feira, Março 09, 2004


"Se meu mundo cair... eu que aprenda a levitar."

"Se meu mundo cair, então
Caia devagar
Não que eu queira assistir sem saber evitar
Cai por cima de mim
Quem vai se machucar
Ou surfar sobre a dor até o fim
Cola em mim até ouvir
Coração no coração
O umbigo tem frio e arrepio de sentir
O que fica pra trás
Até perder o chão
Ter o mundo nas mãos sem ter mais onde se segurar
Se meu mundo cair
Eu que aprenda a levitar..."

(José Miguel Wisnik)


Tô fechada pra balanço até segunda ordem. Inerte. Soterrada. Ansiosa por suspiro ainda que derradeiro.

Peso no coração que parece carregar o mundo inteiro.

Domingo, Março 07, 2004


"Será que todo dia vai ser sempre assim?"

Essa é a pergunta...
Não vejo a hora de subir o tom da minha vida e então mudar meu refrão:

"Que bom que todo dia vai ser sempre assim."

Será que isso um dia ainda me acontece?


"Esse imenso desmedido amor vai além de seja o que for... vai além de onde eu vou, do que sou, minha dor, minha linha do Equador... mas é doce morrer nesse mar de lembrar e nunca esquecer... se eu tivesse mais alma pra dar eu daria..." (Djavan)

Isso pra mim é viver com o coração em desasossego...

Hoje passei parte de minha tarde meditando sobre a existência de uma berinjela. É sério.

O amor é como quem gosta de berinjela.

O que tem a berinjela a acrescentar na vida de uma pessoa? Ela é feia. Desprezada pela maioria das pessoas. É raro encontrar alguém que goste dela pelo que ela é. Pura. Sem molhos. Invólucros. Ou afins.

Eu gosto de berinjela refogada. Só ela na panela a desfilar com seus pequenos caroços que lembram tomate.
Gosto dela. Do sabor estranho dela. Apesar da cor estranha dela. Sim, eu gosto de fato dela.

Mas não foi sempre assim.

Sempre foi tão mais fácil destestar berinjela como toda a gente. Rejeitar sem nem titubear.
"Berinjela? Eca, gosto não... coloca só a carne então no prato..."

Um belo dia resolvi experimentar mesmo sabendo que poderia gostar daquilo que parecia ser mesmo tão ruim.
Provei. Me lambuzei toda. Gostei da novidade que estalou desconfiada na minha boca.
Assumi pra minha vida sua existência conturbada.

Passei a gostar de viver constantemente apaixonada.

Sábado, Março 06, 2004


"Põe a mão no meu cansaço e transforma ele em delícia." (Chico Buarque)

Nem me perguntem porquê...
Não sei... só sei que foi assim...

As boas novas estão chegando e eu aguardo olhando da janela. Se forem boas mesmo, chegarão até mim.

Quarta-feira, Março 03, 2004


"Deixa o copo encher até a borda que eu quero um dia de sol num copo dágua." (Renato Russo)

Sol não, vai... dia nublado porque odeio calor...

Estou querendo me mudar. De blogger. Não consigo deixar isso aqui como quero e no momento não tenho ninguém à minha disposição para ajudar. Vou tentar me virar em outro canto.

Fiquei pensando sobre isso e vi o quanto é difícil pra mim certas mudanças. Mentira. Todas as mudanças são complicadas. Acho que eu nunca serviria pra ser uma grande inventora, tamanho é meu medo com a novidade. Com aquilo que não conheço. Tantas coisas eu já poderia ter sido se não fosse essa fobia, se não fosse essa mania de querer deixar tudo como está. Que tristeza. É lamentável alguém assim, medroso. Que feio.

Tô tão chata hoje.

"Minha voz, minha vida... meu segredo e minha revelação... minha luz escondida... minha bússula e minha desorientação..." (Caetano Veloso)

Faz tanto tempo que não canto.

Hoje, numa tentativa de não largar minha terapia de canto (porque acho que está mais pra terapia que aula mesmo esse meu curso), levei algumas músicas para minha professora ouvir. Sei lá. Me veio essa idéia na cabeça...

Eu tava deitada na cama, desiludida da vida, quando começou a tocar na 90,3 uma música que eu nem gosto tanto, mas que me tocou bastante naquele momento. 14 Bis. Versão antiga. "Todo azul do mar". Não sei exatamente o que houve naquele momento, mas foi como se até eu pudesse ver o mar pela primeira vez. De novo.

Levei Marisa Monte. Zizi. Rita Ribeiro. Vanessa da Matta. Ana.

Vozes que despertam meu vulcão adormecido e que me fazem ter vontade de destruir cidades inteiras com toda minha lava escondida. Me queimei toda por dentro. É sempre assim quando sou salva por uma boa idéia.

Rosa Cláudia é o nome da minha professora. Evangélica. Mas ótima. Gostei bem dela desde o começo. Gente boa. Pra cima. Sempre saio de lá melhor do que entrei. Mesmo que as notas não apareçam como eu gostaria. E eu sabia que seria importante dividir com ela essa minha paixão. Por mais que ela não conhecesse o que pra mim é algo vital. Vozes. Todas femininas. Como voz de mulher é bonito, né não?

Pra resumir a história, acabei sentada no chão com mil cds à minha volta e um olhar de encantamento da Rosa pra mim. Ela havia se deixado hipnotizar pelo meu tesouro. E eu havia vibrado por dividí-lo com ela.

Ponto pras duas. Trabalho de casa pra mim:

Gravar uma fita pra ela.

Eu acabara de convertê-la à melhor religião do mundo.
A boa música brasileira.


Segunda-feira, Março 01, 2004


"O sol me reconforta e eu ando só... e sei que vc anda por ai... eu nunca mais te vi ao meu redor... não sei me encontrei ou te perdi..." (Ana Carolina)

Mentira. Reconforta nada.

Meus dias têm passado vazios. Vazios de gente. Vazios de delícia. Vazios da sensação boa que era se sentir vivo. Tenho saudades de mim, do tempo em que ainda podia me sentir inteira. Época em que eu não era tão perdida.

Cadê você nos meus dias a desbravar poças brilhantes?

Domingo, Fevereiro 29, 2004


Convalescendo e descobrindo pólvoras...

"Descobri que te amo demais... descobri em você minha paz... descobri sem querer a vida... verdade..."

Acabo de ver que hoje é o último dia de um mês que eu nem vi passar.
Quisera eu que todos os outros dias evaporassem com esta mesma paixão...

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004


"Hoje preciso de você com qualquer humor, com qualquer sorriso Hoje só tua presença vai me fazer feliz..."

Eu juro que minha intenção inicial era só fazer uma chamada com essas duas frases. As únicas que eu conhecia na música toda por serem do refrão. Por ficarem passeando pela minha cabeça por horas. E por serem exatamente o que estou sentindo nesse momento.

Mas...

Seja pela tarde bonita que faz agora. Seja pelo vento levemente gelado que entra pela minha janela. Seja pelo céu azul-sem-nuvens que me observa do alto do morro nem tão bonito assim, resolvi postar toda a letra dessa música que agora me dissolve inteira, fazendo com que eu deseje ainda mais sua presença pra sempre.

"Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal
Olhar teus olhos de promessas fáceis
Te beijar a boca de um jeito que te faça rir
Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria

Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre
Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje..."

(Jota Quest)

Pode falar. É boa ou não é?

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004


Vivendo e aprendendo...

Minha quinta-feira de cinzas amanheceu debaixo de chuva, febre, dor por todo o corpo (até no cabelo, acreditem!) e uma receita médica movimentada que vai desde de antibióticos e antiinflamatórios à novalgina...

Laudo oficial: princípio de pneumonia.

E pensar que eu nem curti farra de carnaval.

Agora durma-se com um barulho desses...