.As Maravilhas do País de Alice.

Domingo, Abril 25, 2004

Colocando em prática, experimentando vidas e apalpando caminhos...

"Chovia.

E era sempre assim. A cada crise que passava todo o universo parecia chorar com ela sua mágoa. Sentia-se menos triste. Menos abandonada. Numa brincadeira tola consigo mesma imaginava ser querida de maneira especial por todo o cosmos. Burra. E egocêntrica, pra piorar. Impressionante como sua inteligência só dava os ares de sua graça em assuntos relacionados à racionalidade da vida. Besta que era com seu jeito emocionalmente anta de ser. Suas emoções pareciam ficar presas numa espécie de limbo festivo. Mimetismo peculiar capaz de deixar no chinelo qualquer camaleão medroso.

Inferno. E essa chuva que não pára. Queria poder dar uma volta na praia agora pra aliviar a mente olhando o mar. Observando pessoas. Criando histórias e manias para desconhecidos que cruzassem consigo no calçadão sempre tão movimentado. Delícia que era morar perto do mar.

Quanto tempo já fazia isso? Um ano? Dois anos? Não lembrava ao certo. Nunca fora boa com datas. Lembrava bem dos aniversários, mas datas comemorativas a dois, nisso era péssima. E ele entendia, romântico que era. Nunca havia encontrado pessoa mais compreensiva. Marcelo. Gostoso que era pronunciar seu nome. Como num verso. Apenas M a r c e l o.

Se conheceram numa peça de teatro. Uma história um tanto insólita que acabou costurando a vida de um na do outro. Ele nem tava tão afim de sair de casa naquela sexta, mas tanto insistiram que acabou cedendo. Além do mais, fazia tempo que queria ver aquele espetáculo. Parecia ser mesmo bom. Mas só bem mais tarde é que viria a imaginar o quanto..."

Sexta-feira, Abril 23, 2004

- Por que eu não posso ficar com você? Porque eu sou feito de vidro e você é uma maluca com uma marreta na mão.

E pelo visto, querendo me acertar...

"Disse isso e sorriu de lado como quem revela segredo que não era pra ser revelado. Mas agora já era. O encanto já havia sido quebrado. Se queria um motivo, esse estaria de bom tamanho, muito bem encomendado. Era incapaz de entender de fato as profundezas do coração alheio que estava ali em sua frente tão aflito, tão perdido por não saber mais sozinho o seu próprio caminho de casa. Havia perdido todas as suas estribeiras tentando entender aquela louca. Tentando esquecer a voz rouca que ainda ecoava em suas escalas, que ainda transbordava em suas escadas impedindo seu trajeto outrora tão fácil. Porque sim, tudo era mais simples antes dela. Tudo era mais serenoso. Tudo era mais tranquilo antes de sua chegada de circo ocupando toda a minha cidade. Pequena. Logo eu que nunca gostei de palhaço. Agora dei de me pegar escondido entre coxias esperando por seu aplauso. Patético que sou ao me deixar levar como que por encanto por essa centelha que passou a ser o seu olhar. Sorriso de menina que pra meu espanto, incendeia-me por inteiro sem nem mesmo se preocupar. Sem a mínima dó de mim, querendo apenas o prazer de um encontro fulgás.

É sério mesmo que a gente vai ter que deixar tudo isso ficar pra trás?"

(.Ouro de Tolo.)

E aí? Gostaram?
Cá estou eu de volta!

Foi difícil ficar esses dias sem aparecer por aqui... mas acho que agora tudo já está resolvido.

Estava pensando em algumas coisas, lembrando de umas conversas com amigos e me peguei tentando escrever um conto. Uma história mesmo, sabe? Geralmente as coisas que escrevo são crônicas (assim as intitulei mesmo sem saber direito o que seriam) sobre algo que vi, senti, pensei. Sempre muito relacionadas a mim. Egocentrismo sem fim, mas fazer o quê?

Como estava com saudades de passar por aqui direito, resolvi tentar começar alguma coisa. Faz tanto tempo que não escrevo decentemente. Será que consigo continuar? Será que consigo bolar toda a história conturbada desse casal? Acho que amor é assunto universal e fica mais fácil das pessoas se identificarem e assim, gostarem de fato.

Me ocorreu agora que eu poderia tentar construir uma história com algumas dicas de vocês que passam por aqui. Que tal? Tipo nomes... Personalidades de cada um... Local... Sei lá...

Pode ser uma idéia doida, mas até que seria legal...
O que você acha?

Quarta-feira, Abril 21, 2004

Enquanto seu lobo não vem...

Enquanto niguém aqui da Casa França Brasil vem pra me mandar embora aqui desse micro, vou aproveitar para dar um alô rápido pra vocês. Estou alguns dias sem net, mas juro que logo logo esse problema será resolvido. Até lá, indico a quem passar por aqui uma exposição muito legal que acabei de ver no CCBB: "Ticuna", sobre índios brasileiros. Tá super legal. Completando o circuito, aproveite o passeio e dê um pulo aqui na Casa França Brasil: "Rio TecnoMídia" está bem divertida.

Bom, estou indo nessa...

Tenham um feriado gostoso e aproveitem tudo o que puderem!

Quarta-feira, Abril 14, 2004

"Tenho por princípios nunca fechar portas, mas como mantê-las abertas o tempo todo se em certos dias o vento quer derrubar tudo?" (Adriana Calcanhotto)

Eu bem que tentei, mas as coisas andam tão vazias por aqui, tão ocas, que ando confusa com tamanha profusão de meus ecos. Rascunhos de sons que não chegam a me dizer muita coisa. Chegam, me distraem. E eu acabo esquecendo para onde é que estava indo. Acabo envolta nesse silêncio que não me diz muita coisa. Queria poder gritar aos quatro ventos o que nem eu mesma descobri ainda. Queria a certeza de brilho inerente à estrela cada vez que anoitece, independente que é da lua. Queria um final feliz generalizado, sem chance de algo ter dado mesmo errado, onde todos encontrassem finalmente seus caminhos para casa. Final de filme que dá tudo certo e você sai com a esperança de que sua vida também vai mudar, ainda que isso não aconteça por um triz.

Afinal, como é que se faz pra viver plenamente feliz?

Sábado, Abril 10, 2004

"As dez coisas que mais gosto:



Cantar



Escrever

Dormir

Observar




Comer




Ouvir




Amar




Ler






R e l u z i r ... "






( .As dez coisas que mais gosto. 21/03/2003 - 23:31h. )

Quarta-feira, Abril 07, 2004

Visitando antigas cercanias... ...para ilustrar o país.

Atendendo a pedidos...

Uns amigos que pediram pra eu mostrar algumas coisas já escritas. Encontrei esse de hoje guardado num canto doido pra pular no meu pescoço e visitar um pouco a rua. A data é antiga, mas ele é super atual pra mim, já que as coisas andam bem assim por aqui. Sendo assim, não tive coragem de negar o passeio. Espero que gostem.

"De vez em quando acontece isso. Eu sento assim, de cara com esse mundo branco e me vem uma vontade incrível de ser genial. De falar sobre a vida dos outros de um jeito tão poético que me faça sentir prazer em continuar a sofrer assim. Mas isso já faz tempo e escrever já não é capricho dado a qualquer hora do dia. Agora tudo é mais escasso, como tende a ser a água no planeta. Assunto até que se tem aos montes, mas o que falta é a poesia, sabe? A delicadeza. O olhar inesperado. O que falta é aquele suspiro de quem foi pego de surpresa ao ler uma frase tão bonita. Olhos cheios d¿água que rapidamente se derramam. Coisa de momento. Porque poesia que se preze mesmo, tem que fazer chorar sem se saber porquê. Sem se esperar. O papel da poesia é pegar a gente de surpresa. Como num desmaio. É transformar chuvisco em tempestade de raio usando corretamente as letras. As palavras certeiras. O verbo que te corta lá dentro, profundo. Feito talho no dedo médio com faca nova ao cortar tangerina. A poesia é como essa cicatriz que eu olho depois de tanto tempo cada vez que escrevo. Fica pra sempre. Pode passar o tempo que for que você ainda se lembra do momento exato que foi pego por ela. Eu ainda me lembro de minha primeira poesia. De meu primeiro texto de Vinícius. De minha primeira vez com Drummond. Foi quando realmente descobri que viver podia vir a ser um negócio bom."

(.Beleza Rara. 14/10/2003 - 15:06h.)

Terça-feira, Abril 06, 2004

"Silêncio por favor..."

"...enquanto esqueço a dor no peito
Não diga nada sobre os meus defeitos
Eu não me lembro mais
Quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Só pra ver as meninas e nada mais nos braços
Só esse amor assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito..."

(Paulinho da Viola)

Segunda-feira, Abril 05, 2004

E eu que achava que os anos pares eram os mais legais.

"Eu vou te dar alegria
Eu vou parar de chorar
Eu vou raiar um novo dia
Eu vou sair do fundo do mar
Eu vou sair da beira do abismo
E cantar e cantar e cantar
A tristeza é uma forma de egoísmo..."

(Arnaldo Antunes)


E eu juro que vou tentar.

Afinal, o mês agora está par. Quem sabe isso não é um bom sinal?

Domingo, Abril 04, 2004

A máxima do dia de hoje...

"Quem muito tem, muito carrega."
Já diria minha mestra Sonia Vilhena.

Um bom domingo para todos.

Sábado, Abril 03, 2004

Foi só falar...

...que a chuva de fato caiu.

Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.
Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.
Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.
Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro. Quero um pote de ouro.

Já que você já vem.
Previsão do tempo: frente fria avança por todo o país.

Quer saber qual o recado do dia? Fujam do amor, se puderem.
É. É isso mesmo. Estou amarga e mal amada, destemperada com toda essa frente fria que tem tomado conta de meu país - que de maravilha, faz tempo que não tem nada.
Nada mesmo.
Nebulosidades com pancadas de chuva por toda parte.
Ando querendo me mudar pra Marte, mudar de ares. Ter mais calor. Humano.
Ando fria dos pés à cabeça esperando por um tempo que nunca vai voltar.

"Quando chove fica mais triste esperar por alguém que não vai chegar."

Sexta-feira, Abril 02, 2004

Hoje descobri mais 3 coisas que eu odeio. Definitivamente.

Odeio experimentar roupa.
Ainda mais se tiver alguma alma do outro lado me perguntando se ficou bom.
Odeio qualquer som assim que acordo.
Principalmente se for de descarga sanitária.
Odeio sentir saudade.
Ainda mais se for de você.

Quinta-feira, Abril 01, 2004

Observando países alheios...

O nome era Marcele. Descobri escrito no envelope em que estavam as fotos recém reveladas. Aqueles envelopes grandes, geralmente amarelos, com logotipos de suas respectivas marcas de filme fotográfico. Kodak. Se não me engano era esse o dela. Beijava o namorado, até bonito, com uma paixão que me comoveu. Eu, ali bem do lado dela, comendo uma pipoca metade-salgada metade-doce que não sei se estava realmente boa ou se era minha fome que dava os ares de sua graça.

O nível de minha indecisão anda tão acirrado que eu não tenho sido capaz de escolher nem mesmo um simples sabor de pipoca. Patológico, eu diria. Preciso de ajuda profissional.

Voltando à cena, estávamos eu e ela numa fila, claro. Porque existem certas coisas na vida da gente que só vão acontecer se você estiver numa fila. Seja do que for. Em nosso caso era pra esperar uma van, porque hoje em dia, no centro, até pra pegar um transporte alternativo, ainda que muito mais caro, dependendo do horário, você vai ter que ficar numa fila. Eu tava um pouco triste, meio melancólica, pensando na vida e nessa eterna procura nossa por ser feliz. Seja feliz com seu amor. Seja feliz no emprego. A gente tá sempre querendo ser feliz em algum canto. De algum jeito. E eu vinha andando pela rua pensando nessas coisas todas até que parei no ponto e acabei percebendo o casal. Ele mais alto que ela. Mais bonito até que ela. E ela loucamente apaixonada, pendurada no pescoço dele. Cabelo claro. Liso. Curto. Pelo que pude entender, se despediam. Ele dizia que mês que vem isso ia acabar, que tudo ia ser tão bom quanto antes e que iam poder se ver todo dia. E ela toda brilhando, olhando bem pra ele: jura, amor? Deram o que parecia ser o último beijo. Tão emocionante que até eu senti no peito o aperto que sei exatamente como é ao ver quem a gente ama ir embora. Se despediram. E ele foi.

Ela ficou vendo ele indo embora, depois pegou o óculos na bolsa e começou a ver as fotos. Não deu cinco minutos ligou pra ele. "Edu, você pegou aquela nossa na cachoeira? A menorzinha? Tá. É que nem vi você pegar. Tá bom então. Só queria saber. Beijo, te amo, já tô com saudades, viu, tchau." Continuou vendo as fotografias. Falou alguma coisa sozinha que não entendi. Ficou sorrindo que nem boba olhando para elas.

Nossa van chegou. Fomos entrando. Eu fiquei feliz por ser uma daquelas grandes, bem confortáveis, coisa difícil de acontecer. Acabei relaxando no banco e apaguei.

E então fez-se o tempo que já devia ser mês que vem, pois nos víamos todo dia e tudo era tão bom. Nosso amor era tão fácil e nossas despedidas tão curtas, que saudade era o tempo de se ir em casa trocar de roupa.

Tempo que de tão bom, nem parecia ser real.
Mas que hoje só me parece real nesses rápidos sonhos que tenho.

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