.As Maravilhas do País de Alice.

Domingo, Maio 30, 2004

"A sua falta chega a fazer um buraco no chão. Buraco onde eu tropeço a toda hora.

Se a lua tá bonita eu penso em você. Buraco que não perdoa minha distração enganando meus pés e eis que estou de volta ao chão. Criança que aprende a andar de bicicleta sem rodinha. Tombo inevitável a cada hora em que olho pra trás e você não está. Meu desequilíbrio iminente. Esse desespero permanente de saber-se mais uma vez ralada no joelho e na alma. Esse osso quebrado de um jeito doído a machucar o coração e a calma, me fazendo chegar em casa aos prantos, como nos tempos de Pogobol. Logo eu que tenho pavor de hospital.

Será que não dava pra gente brincar de outra coisa?"

Quarta-feira, Maio 26, 2004

Dedicatórias e boas vindas a visitantes ilustres...

"E pensou que jamais seria a mesma. Nunca mais voltaria a sonhar com as mesmas paisagens de antes. Seu coração fora modificado como quem acrescenta pigmento demais ao matiz. Não dá pra voltar. O preto que suja o amarelo pra sempre. A água sanitária que desbota o jeans em definitivo. Assim vão se passando os dias. Manchados. Desbotados. Sujos de uma tristeza que não dá mais pra tirar, por mais que se ensaboe. Por mais que se esfregue. Nódoa de café que macula o branco da camisa que ainda há pouco você iria usar. Mudança de roupa. Mudança de planos. A vida muda seu rumo bem depressa, às vezes dando curvas memoráveis. Logo você, que nunca imaginou passar por este caminho, agora se vê perdido entre trilhas de um lobo mau gigante. Sem nenhum tipo de proteção. Sem maiores companhias. Difícil é viver a vida quando se tem as mãos atadas por um sonho impossível. O desejo de antes vira mágoa de agora e tudo se perde como água inodora que escorre sem pena pelo ralo. Sim, porque pra torneira ela não volta mais. Nem se quisesse. Culpa da gravidade da situação que forçaram as coisas a acontecerem dessa forma. Você lava o pincel. Compra uma tela nova. Fica olhando bem pra ela antes de tomar alguma decisão. Imagina como seria se tudo não tivesse saído tão borrado como na vez anterior. Viver é doer com os erros nossos e dos outros numa eterna comunhão de felicidades malfeitas e esperançosas. Porque sim, sempre haverá uma próxima vez. Agora, de frente pra tela branca, você pensa na sua solidão e em todas as possibilidades de colori-la. É duro porque você não queria ter mudado o tom das coisas e por mais que tente agora, será impossível encontrar a mesma claridade e exatidão daquela cor de outrora. Aquela sim é que era perfeita. Por que fora deixar manchar? Por que não a tomou de cuidados como quem cuida de uma tela original de Monet? Nosso amor era digno de uma obra de arte e se acostumar com uma imitação barata vai ser osso duro de roer. O lance agora é começar tudo de novo à procura de uma nova nuance. De novas técnicas de desenho. É tentar restaurar desde a moldura sem se preocupar com o cheiro verniz que lembra veneno. É deixar as cores se encontrarem e novamente se harmonizarem quem sabe numa paisagem ainda mais bonita. Mais cheia de confiança.

É se inspirar e acreditar na imagem da tempestade que logo virá trazer a certeza da bonança."

(.Alice Venturi. .Pintura íntima. 19/11/2003 - 02:54h.)

Segunda-feira, Maio 24, 2004

Frase da semana:

"A dor é inevitável.
O sofrimento, opcional."


Se a gente consegue se livrar um pouco que seja da agonia de um sofrimento é porque ele não era tão grande assim ou porque essa frase é realmente verdadeira?

Quarta-feira, Maio 19, 2004

O bom filho à casa torna...

Sim, eu voltei. Talvez para ficar.

Andei sumida por uma série de fatores que estou pensando agora se poderiam interessar a alguém...

Sendo assim, a quem interessar possa:

O casamento de minha irmã.

Engraçado porque nunca tinha visto de tão perto um casamento e seus preparativos. Eu apenas suspeitava o quão dispendioso, complicado, tenso e relativamente inútil é o circo que se forma em torno de uma celebração como essa. Observei o quanto pude, com olhar científico até, todas as transformações que sofre um casal de seres que resolvem viver toda uma existência juntos. Complicado. Não por eles, claro. Aline e Nilson permaneceram calmos, felizes e tranqüilos até mesmo na hora em que ela adentrou pelo tapete vermelho cantando uma canção bonita feita por ela exclusivamente para ele. Sim, foi lindo. Mas eu não chorei. "Produtora" que sou, tava preocupada demais torcendo pra ela não chorar no meio da música e estragar a cena.

O que mais chamou a atenção foi o desespero até agora para mim ininteligível expressado pelos meus também adoráveis pais. Eu juro que não entendo como minha mãe pôde perder o sono pensando na cortina que ainda não tinha sido posta no apartamento deles - lindo, no Méier, tudo novinho e de ótimo gosto, graças a mim, claro.

Ainda hoje me questiono se realmente foi verídica uma calorosa discussão que tivemos sobre nada mais nada menos que:

- Mãe, eu acho inútil e um tanto sofrível pra Aline usar uma meia calça debaixo de mais 12 quilos de tecido... não tem necessidade, uma vez que com todo esse pano ninguém vai nem sonhar em ver se ela está descalça ou não... que dirá com meia-calça... branca...

- CALA A BOCA ALICE QUE VOCÊ NÃO SABE DE NADA! PRA VOCÊ TUDO É INÚTIL! SE NÃO PODE AJUDAR, NÃO ATRAPALHA. NÃO FICA COLOCANDO ESSAS IDÉIAS NA CABEÇA DA SUA IRMÃ!!!

Essas idéias... essas idéias...
Essas idéias o quê? PRÁTICAS?

Bom, o resto é bobagem contar, mas que isso me deixou com a pulga atrás da orelha, deixou...

Tudo bem. Vai ver ela tinha razão... sei lá... só sei que depois disso eu procurei me meter o menos possível... eu e minhas idéias, que até hoje não sei se não eram realmente práticas ou se apenas não estavam de acordo com o surto maternal...

Continuando a análise, me deparei também com um pai completamente descompensado pela iminente "perda" da filha. Coitado do Paulinho. Se bobiar, ainda está chorando pelos cantos até hoje. Essa semana ela disse que ia dormir aqui e ele só faltou soltar fogos. De dar pena...

Será que pra ser pai tem que se amar desesperado assim?
Credo, quero não.
Na dúvida, não vou nem tentar...
Tia está de bom tamanho.

E por falar em tia, isso me lembrou o medo que Aline tem que eu não ame a filha dela, pode? Ela quer que eu seja a madrinha, mas fala assim: você não vai tratar ela que nem cachorro não, né? Vai ter paciência? Vai amá-la como se fosse sua filha? Vai levar ela pra passear?

(Corre à boca miúda que eu não tenho lá muita paciência com crianças. E é verdade. Eu só gosto de algumas. Poucas. Muito poucas.)

Digo filha porque ela ainda não aceita a idéia de que pode vir a ter Pedro em vez da tão sonhada Beatriz.
É, é isso. Ela tem medo de que eu não ame a Beatriz, que ainda nem nasceu.

Ai ai... ninguém merece...
Um dia ainda dedico um post especialmente para as pérolas de minha amada irmã.
Ela é sensacional...

Acabei de perceber também o quão falativa estou hoje. Acho que é pra compensar todos os dias de silêncio. Falei tanto que nem consegui chegar ao segundo motivo pelo qual andei sumida dessas terras virtuais. Mas acho que isso pode ficar pra uma outra vez.

Semana que vem a gente continua?

Segunda-feira, Maio 17, 2004

Iluminando esperanças imprescindíveis...

"Para quem bem viveu o amor
Duas vidas que abrem, não acabam com a luz
São pequenas estrelas que correm no céu
Trajetórias opostas sem jamais deixar de se olhar
É o carinho guardado num cofre de um coração que voou
É o afeto deixado nas veias de um coração que ficou
É a certeza da eterna presença
Da vida que foi, na vida que vai
É saudade da boa
Feliz cantar
Que foi, foi, foi
Foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais,
Maravilhosamente amar"

(Gonzaguinha)


Eu sei que o blog tá abandonado.
Calma que eu já venho.

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