.As Maravilhas do País de Alice.

Sábado, Abril 15, 2006




"Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular..."

(Marisa/ Arnaldo/ Bronw)


"Porque eu daria qualquer coisa pra ter escrito isso sentada do seu lado indo pra algum lugar desconhecido e bonito onde veríamos pela primeira vez paisagens tão lindas que nem respirando fundo faria nosso coração bater direito. Eu queria esse descompasso e essa desorientação. Essa falta de ar não anunciada pela beleza de um lugar bonito. De uma emoção dividida. Daquele desejo secreto e inverossímel de que aquele segundo durasse pra sempre. Eu queria ver esse céu bonito com você e descobrir que quanto mais bonita é a viagem, mais saudade a gente tem de voltar pra casa. E eu queria voltar pra casa com você. E lembrar com o olho molhado de todos os lugares que visitamos. De todas as línguas que ouvimos. De todas as fotos que tiramos. De todos os tipos de transportes e de vales que compramos. Eu queria trazer escondido na mala um pedaço de tijolo antigo como se ele tivesse o poder de nos transportar de volta a qualquer hora. Porque eu queria que você se sentisse em casa. Porque eu queria trazer o mundo pra você. Porque eu queria que nós fôssemos felizes com toda plenitude que alguém pode querer. Porque eu daria qualquer coisa pra ter escrito isso só pra quando você chegasse aqui pra descobrir todo esse mundo que eu fiz só pra você. Ainda que não seja maravilha. Ainda que tenha maravilha no nome. E ainda que eu não seja a Alice da história. Porque eu me sinto perdida quando meu coelho do tempo resolve esconder minhas palavras e porque é chato não se ter o que falar. Eu que sempre tive medo de falta de assunto. De barata de noite. De cabelo na comida. De dormir com calor. De não achar objeto procurado. Eu que sempre tive medo de tanta coisa deixo de ter medo só pra receber você aqui nesse lugar estranho e um pouco desconfortável. Sem um sofá para te receber. Sem poder te tocar enquanto falo, porque dizem que tenho essa mania. Você que fica distante por tanto tempo, mas que quando chega é só alegria. Que faz brilhar cada pedaço de maravilha que dizem encontrar por aqui. Escasso e precioso como minério. O que eu queria mesmo era que você entendesse que aqui não tem segredo. Só um pouco do mistério."

(.Tua Visita. 14/04/2006.)

p.s: Quero deixar um parabéns especial para as Fernandas da minha vida que fazem aniversário no dia de hoje. Não sei precisar o porquê, mas sempre me dei muito bem com as moças que carregam esse nome de que gosto tanto. Quisera eu que todos os nomes do mundo me trouxessem a poesia que vocês me inspiram. Um beijo especial para vocês duas...


Segunda-feira, Abril 10, 2006




"Case-se comigo
Antes que amanheça
Antes que não pareça tão bom pedido
Antes que eu padeça
Case comigo
Quero dizer pra sempre
Que eu te mereço
Que eu me pareço
Com o seu estilo
E existe um forte pressentimento dizendo
Que eu sem você é como você sem mim
Antes que amanheça, que seja sem fim
Antes que eu acorde, seja um pouco mais assim
Meu príncipe, meu hóspede, meu homem, meu marido
Meu príncipe, meu hóspede, meu marido..."

(Vanessa da Mata/ Liminha)


Porque hoje é aniversário do meu bem.
E nada mais precisa ser dito.
Parabéns.


Domingo, Abril 02, 2006

Meus dias têm se dividido entre três pensamentos básicos que se tornaram imprescindíveis ao funcionamento normal de meus órgãos vitais. Amor, música e poesia. Poesia, música e amor, uma vez juntos e devidamente costurados, se transformam na mais perfeita arma contra todos os meus males de amor. Nitroglicerina que vai dinamitando todos os meus escudos e ponte. Que muda a minha geografia de um jeito devastador, não deixando verso sobre verso.

Tenho vivido sobre um tapete de poesia.
E tapete que não me dá alergia.

Gostar ou não já não é nem o caso.
Eu espero sinceramente que vocês sejam abduzidos por essas belezas transformadoras.

Beijo e tranquilidade.
Sempre.


1. Livro, que virou filme, que virou febre que me trouxe delírio e dormência.


"E foi mesmo na frente da igreja que a vida de Antônio deu uma volta medonha, pois, no que viu Karina, seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou Karina bem ali, no meio da praça, e a boca de Karina não disse não, e nem poderia, pois estava por demais ocupada." (Adriana Falcão - "A Máquina")



2. E é lá que eu ando presa sem querer sair, porque não sou besta.


"Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"
(Marisa, Arnaldo e Brown - "Vilarejo")




3. E definitivamente, eu também não sei por onde eu tenho andando.


"Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado e eu entendo
As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias até pr'uma criança

Por onde andei enquanto você me procurava
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava

Amor eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança
Como um dia que roubaram seu carro
Deixou uma lembrança

Que a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama

Por onde andei enquanto você me procurava
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada
É que eu deixei algumas roupas penduradas
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava"
(Nando Reis - "Por onde andei")


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